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Neptuno

Neptuno
Ao Prof. Alberto Bernine, Adams & Galle.
“Tem estátua na Ocian, / Um Rei que não é dos Unos, / É sim, o senhor do mar, / O grande astro Netuno.” José Florindo.
“Vós, elfos das montanhas e córregos, das lagoas tranqüilas e dos bosques, / Que nas areias, com pés não deixam rastro / Perseguem Netuno na vazante ou dele fogem / Quando volta...” Shakespeare.


Eis! Deus das profundezas dos sete mares,
Dos oceanos infindos à minha vista,
Do horizonte oculto em nuvens cumulares;
Vem na sua biga de cavalos marinhos...
Que lançaste Odisseu na rota sem pistas
Em busca de si mesmo, em busca ao caminho....
Que procuraste - poucos o sabem - o poeta
Bento Teixeira, à praia do Recife,
Para que Proteu cumprisse sua meta,
-Entre formas variadas e mutantes -
De narrar do Rei Luso qual seu esquife...
Assim, como ao grande Camões, pouco antes,
O fizeste escolher entre a musa amada
E a lira épica arduamente composta,
E viu o poeta Dinamene sufocada...
E quando o homem confiante de si mesmo,
Construiu o navio inaufragável posto à costa...
Fez numa noite afundar o sonho a esmo...
Poseidon! Neptuno! Que outro nome tens?
Pois os medos mais fundos de minha alma
Conhece qual conhece a onda em que vens!
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Não ousarei, como Ulisses, ofender-vos,
Antes, e constante, qual um Bento-Camões
Me filiarei entre seus mais fiéis servos!...
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......................................................
Silêncio! Ouço agora a vaga noturna
E num ronco inexprimível, eis o mar
Oceano da consciência em onda taciturna,
Porém tanto ritmada quanto abrupta,
Que governa o sentido deste sonhar,
Que a certeza firme a torna já corrupta...
........................................................
Poseidon! Neptuno! Que outro nome tens?
Pois, eis cá teu servo! À espera dum gesto
Visível como nas ondas em que vens!
Ou palavra que me seja compreensível
Como um decodificado almagesto
Que contenha a verdade pura e sensível!
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Te vejo, vejo tua imagem bem aqui,
Toda feita em bronze e tão imponente,
E os hippies da feirinha sem dar por ti,
Na cidade Ocian, cujo nome, ao acaso
Se refere ao seu reino vasto ao poente...
E o eco dos pensamentos passa no ocaso...
Jayro Luna
Enviado por Jayro Luna em 01/10/2006
Código do texto: T253691
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Sobre o autor
Jayro Luna
São Paulo - São Paulo - Brasil, 56 anos
97 textos (48010 leituras)
12 e-livros (1726 leituras)
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Jayro Luna