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O triatlo


Na praia de Garopaba acontece de tudo. No verão, há diversos eventos esportivos, sociais e culturais. Um deles é o triatlo, que ocorre no último fim-de-semana de janeiro.

Trata-se de uma competição em que os atletas participam em três modalidades. Primeiro eles nadam, em uma raia retangular, cerca de um quilômetro no mar. Assim que vão saindo da água, apanham as bicicletas, tudo contra o relógio, e pedalam um expressivo trecho, cuja metragem não sei bem. Completada a volta ciclística, eles correm uma meia maratona. Quem chega em primeiro lugar, desde a entrada no mar, passando pelo ciclismo e pela corrida a pé, é o vencedor.

Em geral há dois grupos, o masculino e o feminino, com premiações distintas. No domingo da realização do triatlo, em geral à tarde, Garopaba pára. Vêm equipes de fora, com propaganda, carros especiais, serviço médico, verdadeiras parafernálias, na busca de obter o título.

Pois a competição deste ano teve, pelo menos para algumas pessoas, um desfecho curioso, quase trágico. Na última hora, os organizadores decidiram que, ao invés do tradicional horário, o triatlo seria corrido no domingo de manhã. O tempo estava ameaçador e a meteorologia anunciava chuva e vento à tarde.

Lá em Florianópolis, a esposa de um competidor escutou no rádio a transferência da prova. Apanhou seu carro e veio a Garopaba para ver o marido correr e nadar. Qual não foi sua surpresa, ao constatar que o marido não estava participando da prova.

Acontece que o malandro veio com uma  “gatinha” e aproveitou a manhã para um jogo, jogo de lençóis, é claro, sem tomar conhecimento que a prova havia sido transferida. Quando ele chegou à raia, lá pela uma hora da tarde, recebeu a notícia que a prova havia acontecido pela manhã.

Com a consciência suja, para engambelar a mulher, ele se atirou no mar, correu, pedalou, para ficar suado e passar a impressão que havia competido. A mulher, porém, furtivamente, sem que ele soubesse que ela estava em Garopaba, acompanhou toda essa encenação à distância.

Lá pelas cinco horas, a praia estava mais calma e ela encostou seu carro, como quem estivesse chegando, e foi ao encontro do malandro.  Antes que ele dissesse alguma coisa, ela deu-lhe uma bolacha que foi ouvida na praia toda. Um olho roxo foi o “troféu” do triatlo que ele ganhou...




 

Antônio Mesquita Galvão
Enviado por Antônio Mesquita Galvão em 19/01/2006
Código do texto: T100872
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Sobre o autor
Antônio Mesquita Galvão
Canoas - Rio Grande do Sul - Brasil, 74 anos
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