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No penúltimo texto falei sobre aproveitar o tempo (Carpe diem) e harmonizar Cronos e Kairos - o tempo do relógio e o tempo vivido.
No último texto, abordei a idéia de fim ou começo e nossa posição sem tempo definido no calendário.

Grandes pensadores, em várias áreas do conhecimento e em diferentes épocas tentaram entender o tempo. Ontem, hoje, amanhã, presente, passado e futuro sempre foram questões abordadas em seus aspectos cronológicos, existenciais, reais ou imaginários.

Como conservar o tempo? Que tempo é real e concreto? O tempo que passou ficou guardado em algum lugar? É possível viajar no tempo? Não sei. Mas muito se fala em aproveitar o dia que logicamente parece ser mais “palpável”, o presente. Aproveitar somente o dia de hoje pode parecer simples, mas o presente está entre o passado e o futuro, duas faces – uma que nós conhecemos, porque foi vivida e outra que não conhecemos, com todas as suas possibilidades.

Passado e futuro são duas fases no ritmo de nossas vidas, assim como tantos outros símbolos que representam a dualidade: novo e velho, dentro e fora, bonito e feio, feminino e masculino, yin e yang, etc. A dualidade também está simbolizada nas faces de Janus, divindade romana de aparência bifronte, com uma face voltada para o passado e outra para o futuro.

Na Antigüidade, muitas cidades tinham fortificações com portas nas entradas. Janus era adorado como o Senhor dos Inícios e como protetor das Portas e Passagens. Ele era o porteiro celestial e suas faces representavam o término e o começo, o passado e o futuro. Era responsável, portanto, pela abertura das portas do ano que iniciava. E toda porta se volta para dois lados...

Na origem do nosso calendário há homenagens a diversos deuses romanos. O mês de março origina-se do culto a Marte, deus romano da guerra. Janeiro era consagrado a Janus que, por ter duas faces, podia olhar ao mesmo tempo os dois anos, aquele que terminara e aquele que estava começando.

Sabemos que o passado tem tradições, mas também tem perdas. O futuro tem possibilidades, mas os riscos são desconhecidos. O que Janus pode nos ensinar é como voltar a face para os dois lados.

Aproveitemos que ainda estamos em janeiro e olhemos para os dois lados. Que possamos aprender com a vivência do caminho já trilhado a compreender melhor o presente e, por conseqüência, caminhar de modo mais lúcido para o futuro.

Solange Firmino
Enviado por Solange Firmino em 23/01/2006
Código do texto: T102918
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Sobre a autora
Solange Firmino
Rio de Janeiro - Rio de Janeiro - Brasil
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