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Olavo Bilac, Patriota

 Olavo Braz Martins dos Guimarães Bilac, o príncipe dos poetas brasileiros, foi soldado de todas as campanhas cívicas, o apóstolo dos mais puros e santificados credos. Depois de lutar com todas as forças de sua inteligência viva e ardente, pela abolição da escravatura; após ter combatido na árdua campanha contra o analfabetismo; em seguida a uma gloriosa pugna pela paz continental; Bilac foi, também, a encarnação viva, palpitante, altiloqüente de nossa pátria, num período de marasmo, de quietude e de apatia.
 Levantou-se com o seu verbo - flamejante, como espadas, clangoroso, como harmoniosos clarins - para erguer o Brasil, desde os alcantilados cimos do Roraima, até as plácidas paragens banhadas pelo Chuí, unificando-o pelo pensamento, foetalecendo-o pela consciência do dever cumprido.

 Naqueles tempos da nascente República, o quartel era o espantalho da mocidade, que fugia a qualquer tentativa de chamamento ao preparo das armas. A lei do Serviço Militar, existente desde 1908, não tinha a menor expressão, pois o governo não tinha forças para impor a jornada, por falta de compreensão do povo.
 Em 1914, estala, violenta, a guerra na Europa. E é ,precisamente, - neste instante angustioso e tétrico, nesse momento de dúvidas e apreensões, diante do Brasil sem soldados e do perigo iminente - é nessa hora que surge o vulto heróico e apostolar de Bilac, figura predestinada para acordadr um povo que dorme, sem pressentir a tragédia que se avizinhava de todos os povos.
 E começa, então, sua perigrinação pelo Brasil. De estado em Estado, de cidade em cidade, de escola em escola, de quartel em quartel, Bilac avança, fazendo vibrar a alma juvenil e a dos homens de compreensão sadia.
 O que não pôde a lei, pôde sua palavra mágica, pôde sua lógica esmagadora, pôde seu patriotismo sincero.
 Acordou, com seu intusiasmo, o sentimento patriótico das mães; sacudiu a alma da infância; agitou o sentimento adormecido dos adolescentes; excitou a galhardia dos soldados; espertou os homens da pena e da tribuna; do arado e das letras; dos casebres e dos palácios, numa confraternização de sentimentos, sem a barreira da hierarquia social; sem os preconceitos das castas. Todos em comunhão: doutores e estudantes; analfabetos e letrados; operários e soldados.
 O voluntário foi tão grande e entusiástico, que, por não serem aceitos, choravam crianças imberbes e enfureciam-se velhos trôpegos, mas cheios de vibração.
 O panorama das casernas e das cidades era completamente outro. Era o sorriso estampado em cada rosto; o entusiasmo em cada peito e o orgulho em cada lar que havia dado um soldado à Pátria.
 A Olavo Bilac, o Brasil deve os frutos colhidos hoje, na reserva de todas as linhas - essa grande reserva que sobe a alguns milhões de homens sadios e dispostos.
 E o Exército Brasileiro não esqueceu o seu grande colaborador. Prestou-lhe a mais significativa das homenagens, criando o dia do reservista, no dia 16 de dezembro, data do nascimento do Imortal Brasilero, guia espiritual das gerações, sentinela avançada na vigília árdua da defesa da Pátria.

 Glória a ti, Olavo Bilac, patrono dos reservistas do meu Brasil!
Julio Sayão
Enviado por Julio Sayão em 25/01/2006
Código do texto: T103743
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Sobre o autor
Julio Sayão
Rio de Janeiro - Rio de Janeiro - Brasil, 93 anos
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