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MANTER OS PÉS NA TERRA...

...sem esquecer de que esta Terra flutua no espaço...
Isto é a propósito do que ouço, em situações erradas, de muitos espíritas e espiritualistas.
Não quer dizer que perdi, por conta do meu entendimento e convicções acerca da existência, o norte para a realidade de que se por aqui estamos durante algum tempo, é porque algo de importante nos cabe fazer aqui. Não se trata disso.

É que me admira a incoerência – melhor dizendo, inconsistência – da mentalidade de muitos que, se dez passos já deram pra frente na compreensão das grandes verdades em torno da vida, sem mais nem menos, ao sabor das circunstâncias, retroagem vinte passos, levantando esta bandeira: “ah, tudo bem, a vida espiritual existe, mas vivemos no mundo material, temos que ficar com os pés plantados na terra!”

Sim; com os pés plantados na Terra; mas sem perder a noção de que este mesmo chão rodopia num espaço infindo, num universo prenhe de mistérios e da influência incontestável do imponderável, aqui mesmo, neste ‘chão’: nesta Terra material, nas nossas vidas corpóreas, aqui e agora. E ignorar este fato, encolhendo-nos dentro de uma concha ilusória assim que o peso da rispidez das vivências terrenas nos acua, não nos ajudará em nada.

É imprescindível a noção contínua, clara, no nosso estado alerta de consciência, de que tanto na vida corpórea quanto além, fora dela, na continuidade infinita, a vida é sustentada por uma gama imensa de interações energéticas, de uma magnitude que ultrapassa, em muito, a nossa acanhada percepção sensorial. Só de relance recordo-me, no decorrer dos anos, de duas vezes em que pude “ouvir” nitidamente o que alguém me diria em seguida, frações de segundos antes que eles abrissem a boca. N’outras vezes, premonições acerca de aspectos triviais da vida, espantosamente, se confirmaram, em cada vírgula...e outros tantos lances.

É difícil, portanto – e a meu ver inaceitável – esta tendência incompreensível de alguns espiritualistas pertencentes mesmo à vanguarda das atividades e estudos neste terreno, em episódios variados do cotidiano, de sucumbirem a tal reação inversa. Retroagem da constatação na prática, quando já completamente imersos na realidade maior das coisas, para aquele estágio incipiente de mera “crença” – ‘ah, acreditar em espíritos eu acredito; mas esta alegação, de que a Espiritualidade interage e nos auxilia o tempo todo, ah, isso não! Vocês estão obcecados, têm que manter os pés plantados no chão!’...

E tome constatação sobre constatação, demonstrações inequívocas sobre demonstrações de que algo mais age, interage, se interessa pelo nosso curto estágio por aqui - inspira, intervêm a tempo de não cometermos alguma bobagem inútil!

Um tsunami matou milhares e milhares de pessoas na Indonésia há um ano; entre os poucos ilesos, um casal que ‘resolveu’, mergulhar, justo no momento da catástrofe. Voltando à tona, atônitos, nada mais havia da paisagem daquilo que existia no momento em que mergulharam. Coincidência?!...

Recebo um romance psicografado de um certo Caio Fábio Quinto, general dos exércitos de Julio César ao tempo das guerras gálicas – sem nenhum conhecimento histórico do assunto. Após, em pesquisas detalhadas, para meu espanto, descubro nos textos em inglês do livro escrito por este mesmo Julio César (Comentários das Guerras Gálicas) a existência de um de seus legados (generais) atuantes nestas guerras: Caio Fábio (Quinto Fábio, Caio, n’alguns textos em latim mais antigos). Coincidência?!...

Uma pessoa conhecida mentaliza, em estado ocasional de desânimo, um pedido de auxílio e o conselho da Espiritualidade naquele seu momento de abatimento; alguém, um médium, estando presente, sem nenhum conhecimento do que se passa no universo íntimo daquela pessoa, imediatamente recebe, via incorporação, o Espírito amigo de um familiar que se dirige àquele indivíduo em questão, confirmando que vem para conversar e reconforta-lo no seu desânimo. Coincidência?!...

Durante um ‘sonho’ (desdobramento) um avô falecido vem em conversa amigável saber do estado de minha querida avó. Conto que os familiares a levaram a uma cidade serrana para repouso e entretenimento, já que se acha muito abatida desde a sua partida. Ele sorri, aprovando a iniciativa. Na manhã seguinte, logo pela manhã, a primeira coisa que ouço de minha mãe – da qual não tinha ainda conhecimento, a não ser pelo curioso diálogo que se deu durante o repouso noturno – é que uma tia levou minha avó para Petrópolis, cidade serrana, para se distrair, já que estava muito abatida pelo passamento recente de meu avô...
Coincidência?!...

Penso ser mais do que necessário – urgente! – que todos aqueles que se inteiram, através das certezas da percepção direta, das realidades maiores para além do nosso acanhado contexto material, se coloquem de forma positiva, e sem desfalecimentos, neste contexto maior da vida, também no desenrolar das ocorrências que nos atingem neste panorama mais estreito de vivências, durante o período curto de aprendizado na vida física. Do contrário, isto que é, com justiça, a verdade acima de todas as crenças ou descrenças, nunca avançará, na rotina do planeta, para além do terreno da especulação e do emaranhado de dúvidas improdutivas, de vez que não se pode, por enquanto, contar nem com o aval resoluto destes que testemunham as realidades maiores, mas que se confundem e a renegam, vacilantes, em meio ao turbilhão agitado das experiências que compõe o vertiginoso aprendizado na face material do orbe terreno.

Christina Nunes
Enviado por Christina Nunes em 28/01/2006
Código do texto: T105293
Classificação de conteúdo: seguro

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Sobre a autora
Christina Nunes
Rio de Janeiro - Rio de Janeiro - Brasil
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