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12 de Março


    Aniversário da cidade de Olinda  e do Recife; o dia da Santa Eulália, que sempre combateu a vaidade; o dia do perdão; aniversário do poeta e bibliotecário Manuel Basto Tigre e o dia do Bibliotecário. É sobre esse último que eu escrevo essa "epístola". A profissão de bibliotecário é uma das mais antigas do mundo, tendo como referência o século 7 a.C.
    A biblioteca do Rei Assurbanipal da Babilônia e a biblioteca de Alexandria foram uns dos espaços em que existiram bibliotecários como Zenódoto de Éfeso, primeiro bibliotecário da maior biblioteca da antiguidade, e seu sucessor, o pai da catalogação Calímaco de Cirene. Assim passaram por impérios e reinados, até chegar à república, organizando, conservando, restaurando e protegendo todo um acervo bibliográfico e iconográfico da história.
    Em 1751, já na era cristã, surgiu o termo bibliotecário, proposto por Diderot e D´Alembert. No século seguinte, em 1873, surgiu a primeira escola de biblioteconomia, L´école des Chartes (França), seguindo uma formação humanista relacionada à cultura e às artes. Nesse mesmo século, em 1887, surgiu o segundo curso de biblioteconomia nos EUA na Mevil Dewey School of Library Economy, com uma formação direcionada para a técnica, deixando de lado o erudito. No século seguinte, em 1911, foi criado no Brasil o terceiro curso de biblioteconomia, sendo o primeiro da América Latina por Manuel Cícero Peregrino da Silva, na Biblioteca Nacional, seguindo a erudição francesa. Já em 1929, no Mackenzie College, foi instalado o segundo curso no Brasil, inspirado no modelo americano, enfatizando os aspectos técnicos da profissão.
    Em 1958, o Ministério do Trabalho e da Previdência Social  (MTPS) regulamentou o bibliotecário no grupo das profissões liberais e em 1962 foi criada a lei 4.084, que regulamentou o exercício da profissão, exigindo o grau de bacharel em Biblioteconomia.
    Durante o séc.xx, a profissão foi exercida por mulheres em sua grande maioria, oriunda de famílias nobres, nas quais a presença masculina era a minoria.Contudo, a partir do final desse mesmo século, com o desenvolvimento da tecnologia, a presença masculina se tornou mais expressiva e o interesse pela profissão atingiram outras pessoas de diversas camadas sociais.
    Disponibilizar informação em qualquer suporte, gerar conhecimento, gerenciar o ciclo documentário, serviços e projetos, promover orientação ao estudo e pesquisa, são funções vitais do bibliotecário contemporâneo.
    Temos hoje no Brasil várias faculdades de biblioteconomia, além dos órgãos de classes, Conselhos, Associações e Sindicatos, com o objetivo de nos fortalecer como categoria profissional.Todavia, ainda sofremos a falta de marketing profissional, decorrente da descaracterização da nossa identidade e, por isso, muitas vezes ainda não sabemos nos defender, nem como categoria e nem como pessoa física, não nos posicionando politicamente perante fatos que nos atingem profissionalmente, seja em relação à má remuneração em certos setores, na visibilidade das nossas ações perante os nossos clientes, quanto ao ser político participativo (é lamentável que muitos bibliotecários prefiram ficar no silêncio das bibliotecas esperando a aurora boreal aparecer no sertão, enquanto a sociedade está lendo em voz alta). Parafraseando um ditado, enquanto não jogarem pedra no meu telhado, não olharei para cima e muito menos para o lado.
    Mesmo assim, temos que comemorar nosso dia.  Só não podemos deixar entregue a Hipnos (deus do sono, segundo a mitologia grega, Hipnos viveu no palácio construído dentro de uma caverna onde o sol nunca chegou, porque ninguém tinha um galo, que acordasse o mundo, nem gansos, ou cães de modo que ele viveu sempre em tranqüilidade, em paz e silêncio). Então,caros colegas, são nessas ocasiões que temos que trabalhar para melhorar nossa imagem perante a classe bibliotecária, a sociedade e a imprensa, sem temer aos deuses mitológicos e terrestres.

Marcos Soares
Bibliotecário
CRB4/1381
colegioinvisivel@bol.com.br


Marcos Soares Mariá
Enviado por Marcos Soares Mariá em 30/01/2006
Código do texto: T106183
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Sobre o autor
Marcos Soares Mariá
Recife - Pernambuco - Brasil, 46 anos
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Marcos Soares Mariá