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Que se dane...

"Ei, olhe o ônibus; cuidado! – Que se dane...
Como, que se dane! Se ele o atropela você morre. – Que se dane!
Você só sabe falar "que se dane, que se dane, que se dane..."
E o que você quer que eu fale? Que se dane..., ora.
É por causa de gente como você que o mundo é assim. O motorista está ralando horas e horas, nesse trânsito louco, e você não colabora. Se ele atropelar você, vai perder o emprego, responder processo, deixar família desamparada. Tudo por causa de um irresponsável que só sabe dizer "que se dane..."
Olha, não vem com lição de moral, ouviu? Cuida de você. Eu já estou cheio de todo mundo e não me importo de morrer. A vida não vale a pena.
Você acredita que pensar desse jeito é solução? Você está cheio do mundo, mas há pessoas que querem viver. Gostam da vida e realizam sempre alguma coisa. Olha o conforto que você tem. Está vestido porque alguém fez essa roupa. Está calçado, porque alguém fez seu sapato. Enxerga melhor, porque alguém criou os óculos. Não sente dor no dentista porque foi descoberta, por alguém, a anestesia.
E não é só isso. Você tem condução para ir pra casa e pro trabalho, porque alguém criou o motor, o pneu. Se todo mundo fosse como você que só fala "que se dane", que se dane", como pensa que o mundo estaria? Se você diz que está ruim com tanta gente de boa vontade criando recursos para melhorar a vida, imagine se ninguém se preocupasse. Aí é que você iria mesmo se danar. E olhe, você tem saúde, emprego, estuda. Até uma namorada que te agüenta. Você é feliz e não sabe. Olha o ônibus! De novo, meu! Quase que ele bate em você. – Que se da... Desculpe. Valeu. Vou tomar mais cuidado, porque seu eu morrer, enterra e pronto. Mas seu eu ficar numa cadeira de rodas, aí a situação fica difícil. Vou dar trabalho para os outros e, além disso, não posso garantir que eles vão ter paciência de me ajudar e compreender a minha situação. Você me convenceu. Toca aqui. Prometo nunca mais dizer "que se dane..." – Agora você falou como gente..."


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      O texto acima foi escrito pelo Octávio Caúmo, de João Pessoa-PB. Trago-o nesta semana para convidar o leitor a não pensar "que se dane" para um caso comovente, aqui mesmo em Dois Córregos. Há uma jovem enferma, autista, cujos medicamentos, muito caros, não estão dentro das possibilidades da família.

      Conheço o caso, pessoalmente. Além da enfermidade mental grave, a jovem está cega e ainda agride-se físicamente, sendo grande a aflição dos pais. Não podemos ficar indiferentes, no estilo "que se dane..."

      Se o leitor puder ajudar de alguma forma, inclusive com pequena doação que ajude na aquisição dos medicamentos, use o telefone 0 xx 14 652 4328 e fale com Sonia. Agradeço, em nome da família, sua valiosa atenção e solidariedade de quem entende a importância de viver...
Orson
Enviado por Orson em 17/02/2006
Código do texto: T113040
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Sobre o autor
Orson
Matão - São Paulo - Brasil, 56 anos
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