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A escolha é sua (?!)

Temos o direito de escolha? Existe esse direito?
Não falo da escolha de um sapato novo, da cor do carro, de sair ou não na chuva. Falo de escolhas profundas. Escolhas da vida.
Quantas vezes deixamos de escolher o que é melhor pra nós mesmos, apenas por achar - ou ter certeza, de que o vizinho, a tia, o patrão, não vai concordar com nossa decisão ou atitude.
Bom, pra começar, voltemos no tempo. Concentre-se na cena que ocorreu no dia de seu batizado. Imagine seu pai, mãe, padrinhos, o padre ou padreco (nem sei mais quem é quem). Agora me responda: você escolheu seu nome? Pronto! Eu tenho certeza de que não foi você que tomou a decisão sobre se chamar José, João, ou qualquer outro nome que lhe deram. Aliás, não lhe deram: impuseram. Tá bom, concordo em partes com o que você, caro leitor, deve estar pensando. Pode parecer sim, paranóia, maluquice, ou qualquer outro 'adjetivo' que se enquadre. Mas é apenas um exemplo de que as escolhas mais importantes de nossa vida, quase nunca, ou definitivamente nunca, é feita por nós mesmos.
Você pediu uma religião? Aposto que não. Mas desde cedo lhe mostraram o caminho de alguma doutrina a ser seguida. Não é culpa dos pais. Muito provavelmente aconteceu o mesmo com eles. Estão apenas dando continuidade ao árduo trabalho de lhe impor as coisas. Nos impõe tudo: crença, credo, conceitos, valores, direitos, deveres. E raramente lhe perguntam se está feliz. Se é isso mesmo o que deseja. É ou não é? Não questiono para obter respostas, até mesmo porque nem mesmo eu as tenho. Questiono para causar a reflexão. O pensamento sobre o que é ou não melhor pra você. Muitas vezes nos sujeitamos a cargos, funções, deveres, simplesmente por não ter opção. Opção esta chamada 'direito de escolha'. Não é fácil tomar decisões. Não mesmo. Mas torna-se muito mais difícil - ou quase impossível, quando sempre, desde quando usávamos fralda e babador, tuas decisões não foram tomadas por você. Quando não foi você quem escolheu ser católico ou ateu. Chamar-se Cláudio ou Carlos. Beatriz ou Mariana. Quando não foi você quem escolheu em qual colégio estudar, que carreira seguir, que esporte gostar, que bebida beber, que cigarro fumar. Quando foi lhe tirado o direito até mesmo de decidir se queria nascer homem ou mulher. Avalie sua vida, sua estadia no mundo dos disciplinados - ou dos desordeiros e veja quão complexo é o assunto. Quem te influenciou? E este alguém foi influenciado por quem? E até mesmo as decisões e escolhas mais comuns, do dia-a-dia, do cotidiano - este também imposto por alguém. Você escolhe seus horários? E seu salário? Você escolher qual imposto pagar - quando, como a bruta maioria dos brasileiros não concordam com um terço dessas taxas, cujo destino muitas vezes é malas e cuecas, em vez de saúde e educação. E por falar nisso, quem te deu o direito de optar se queria ser educado da forma que foi? Quem te deixou escolher entre a saúde forte ou frágil? Sítio ou cidade? Rua ou avenida? Moto ou carro? Terno ou bermuda? Sim! É muito estranho e complicado. E pensando sobre tudo isso, chego à conclusão de que trata-se de uma questão espiritual, e não física ou moral. E pensando mais ainda, convenço-me de que é bem melhor que 'eles' façam as escolhas de nossas vidas, tomem nossas decisões e formem nosso destino como se monta um quebra-cabeça. Seria muito trabalho fazermos tudo isso por nós mesmos.
E isso inspira-me a avaliar outra questão: você faz o que gosta? Não quero dizer que o trabalho não é importante. O sistema capitalista nos torna altamente - e indiscutivelmente dependentes do dinheiro. Mas e seu lazer? Você se diverte? Tem tempo para sua família, seu filhos, seu cão, sua vida? Trabalha com o que gostaria de trabalhar? Recebe o que realmente merece? Dá pra pagar as contas? É respeitado como cidadão? Muitas perguntas, poucas respostas. O fato é que devemos sim, sair às ruas, reclamar, questionar, brigar, fazer valer nossos direitos, e enfim sermos tratados com dignidade e respeito. Sermos enfim, seres humanos. Pois somos todos capazes. Você vai à luta? Briga pelo que quer? Ou apenas ouve o que não é pra ouvir, abaixa a cabeça e continua levando sua vidinha sem direito a escolha por uma vida mais decente. Os temas deste texto se misturam. Talvez tenha se tornado até mesmo um pouco confuso. Ou muito confuso - depende de você escolher sua opção, e decidir. Até quando ficaremos vendo escândalos na TV e nos jornais, corrupção, violência, abusos, injustiças, sem tomarmos a decisão correta, imposta apenas pelo coração, sob influência de nossos ideais? É assim que a vida passa. De bobeira, ligeiramente, sem graça, com sofrimento. E então, morremos. Sem ao menos escolher o motivo, hora, dia e local.

F.Pinéccio
Itapira/SP
23/02/2006

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Até Quando? - Gabriel O Pensador/Tiago Mocotó/Itaal Shur
Não adianta olhar por céu, com muita fé e pouca luta.
Levanta aí que você tem muito protesto pra fazer e muita greve, você pode, você deve, pode crer.
Não adianta olhar pro chão, virar a cara pra não ver.
Se liga aí que te botaram numa cruz e só porque Jesus sofreu não quer dizer que você tenha que sofrer.
Até quando você vai ficar usando rédea?
Rindo da própria tragédia?
Até quando você vai ficar usando rédea? (Pobre, rico, ou classe média).
Até quando você vai levar cascudo mudo?
Muda, muda essa postura.
Até quando você vai ficando mudo?
Muda que o medo é um modo de fazer censura.

Até quando você vai levando?
(Porrada! Porrada!)

Você tenta ser feliz, não vê que é deprimente, seu filho sem escola, seu velho tá sem dente.
Cê tenta ser contente e não vê que é revoltante, você tá sem emprego e a sua filha tá gestante.
Você se faz de surdo, não vê que é absurdo, você que é inocente foi preso em flagrante!
É tudo flagrante! É tudo flagrante!

A polícia matou o estudante, falou que era bandido, chamou de traficante.
A justiça prendeu o pé-rapado, soltou o deputado... e absolveu os PMs de vigário!

A polícia só existe pra manter você na lei, lei do silêncio, lei do mais fraco: ou aceita ser um saco de pancada ou vai pro saco.
A programação existe pra manter você na frente, na frente da TV, que é pra te entreter, que é pra você não ver que o porgramado é você.
Acordo, não tenho trabalho, procuro trabalho, quero trabalhar.
O cara me pede o diploma, não tenho diploma, não pude estudar.
E querem que eu seja educado, que eu ande arrumado, que eu saiba falar.
Aquilo que o mundo me pede não é o que o mundo me dá.
Consigo um emprego, começa o emprego, me mato de tanto ralar.
Acordo bem cedo, não tenho sossego nem tempo pra raciocinar.
Não peço arrego, mas onde que eu chego se eu fico no mesmo lugar?
Brinquedo que o filho me pede, não tenho dinheiro pra dar.
Escola, esmola!
Favela, cadeia!
Sem terra, enterra!
Sem renda, se renda!
Não! Não!

Muda, que quando a gente muda o mundo muda com a gente.
A gente muda o mundo na mudança da mente.
E quando a mente muda a gente anda pra frente.
E quando a gente manda ninguém manda na gente.
Na mudança de atitude não há mal que não se mude nem doença sem cura.
Na mudança de postura a gente fica mais seguro, na mudança do presente a gente molda o futuro!
Até quando você vai ficar levando porrada, até quando vai ficar sem fazer nada?
Até quando você vai ficar de saco de pancada?
Até quando você vai levando?

Pinnas
Enviado por Pinnas em 24/02/2006
Código do texto: T115526

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Sobre o autor
Pinnas
São Paulo - São Paulo - Brasil, 34 anos
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