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Relembrando um fato trágico!

Viagem (s)em “Retorno”

O amanhecer estava pesado como se algo de muito triste pairasse no ar. Foi difícil juntar ânimo para levantar-me, mas como o tempo é precioso, o trabalho esmeril da cultura e principalmente da sobrevivência, segui afoita para as tarefas que tinha a cumprir.
Nove horas da manhã, tudo certo, já estava mais concentrada no trabalho e o pensamento fugiu daquela sombra angustiante... Dez, treze horas  e continuava tudo se encaminhando naturalmente. Mas não imaginava que desde as cinco horas da manhã a tragédia havia se manifestado tão longe, em um outro Estado, precisamente no Paraná, proximidade da cidade de Curitiba, porém, com pessoas de nosso convívio diário. Amigos, colegas, conhecidos e autoridades, que numa viagem de férias rumo à praia, viram-se jogadas em um precipício, onde suas vidas se esvaíram em sangue até a morte sem socorro pois, o ônibus em que se encontravam, por falta de freios, caiu num vale há mais de cem metros de profundidade em capotamento, sendo encontrado somente oito horas depois de ocorrido o fato.
Quando deparamos com essa verdade, foi muito difícil conter a emoção e o desespero a cada nome que surgia dentre os mortos. De um coletivo com cinqüenta e um passageiros apenas dezesseis se encontravam em hospitais daquela região, logo deduzimos, a fatalidade estava comprovada com trinta e seis mortos. Famílias inteiras de amigos e colegas, moças que receberam de presente pela formatura a maravilhosa viagem, autoridades da cidade, casais, irmãos, namorados, enfim, pessoas trabalhadoras que pagaram a viagem o ano todo para desfrutá-la nas férias, todos mortos. Dois dias de carreatas fúnebres rumo aos cemitérios foi o movimento da cidade e a indignação popular. Três dias de luto oficial, tristeza geral e o resto da vida de cada um de nós para viver a saudade dos amigos e a lembrança desta funesta viagem. E daí ficou a pergunta: - quem iria pagar por tantas vidas tiradas?
Vale o sacrifício de sermos honestos, cumprir as leis, pagar todos os impostos, as exigências que nos impõem se em um segundo tudo se transforma e nossas vidas passam a valer zero?
Com a falta de responsabilidade das autoridades e empresas que colocam nas estradas veículos coletivos sem as vistorias necessárias e com pessoas incompetentes ao volante, quem paga por todas essas vidas?
É valido pensarmos muito antes de aceitar planos de viagens com preços acessíveis e muito convidativos... Por trás de tantas vantagens pode haver uma armadilha de danos irreparáveis!

                                                                                                        Nina_1992/10/15
Nina
Enviado por Nina em 26/02/2006
Reeditado em 20/04/2007
Código do texto: T116196

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Sobre a autora
Nina
Tupã - São Paulo - Brasil
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