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Poder e Jornalismo

Quem exerce cargo público conquista admiradores, seguidores e defensores; atrai observadores, adversários e inquiridores. Quem faz, não fica sem julgamento. Principalmente com holofotes voltados para si. O jornalista, então, faz, como sempre, a sua parte...

Figura pública é como obra de arte. Todos os detalhes são observados. Há quem olhe tudo e não veja nada; quem olhe pouco e veja muito! Claro que a interpretação é passível de distorção e muito propício à cultura inútil.

Quem exerce cargo público não está livre, portanto, de julgamento - muito pelo contrário. Conquista admiradores, seguidores e defensores; atrai observadores, adversários e inquiridores. É próprio do ser humano. Uns buscam o poder, outros a sua interpretação e, na medida do possível, seu controle. Para isso existe o Executivo e o Legislativo.

Uns buscam holofotes, outros obscuridade. Uns são discretos, outros espalhafatosos. Uns constroem para outros se darem bem, outros se arranjam na vida sem esforço aparente. Mas é apenas impressão, ninguém conquista algo sem esforço algum. Tudo é construção.

Quem faz, no entanto, não fica sem julgamento. Principalmente se tiver os holofotes voltados para si. Quem faz, se destaca; quem vê, analisa. Quem analisa, interpreta; quem interpreta, forma opinião. Se vai externá-la, e como vai fazê-lo, depende dos fatores que o motivam, do seu tempo disponível, dos personagens que quer envolver e como os quer envolvidos.

Às vezes um artigo aparentemente incompleto, mas com perguntas pertinentes, é a “deixa” para outros atores entrarem em cena. Isso, no entanto, exige interpretação e ativação dos neurônios para desencadear a contracenação. Porém os atores convocados nem sempre estão atentos à chamada e, na maioria da vezes, despreparados para o papel. Nesta etapa entra em cena, então, a platéia. Para os aplausos ou vaias - que recaem, geralmente, sobre os atores convocados.

A crítica profissional recai, inevitavelmente, sobre o diretor. Cada diretor, no entanto, tem seu estilo, mas não liberdade para criar personagens. O texto é interpretação da ação dos próprios personagens que interagem com a espontaneidade relativa que lhes é peculiar. Da iniciativa de um, resulta a resposta do outro.

Há quem critique o enredo, mas não há como mudá-lo. Nele há interpretação, análise e opinião, porque elas estão entrelaçadas.  Alguns o compreendem e até valorizam na forma e conteúdo. Até porque o texto não foi feito para passar na prova. Foi feito para ser a prova. Prova de que tudo é relativo. Até mesmo a própria opinião!

Difícil agradar gregos e troianos e impossível contentar quem se julga dono da verdade! Principalmente quem usa tapa-orelhas... A realidade, porém, é única; não muda com a interpretação. Pelo menos quanto aos fatos consumados...
Lourenço Oliveira
Enviado por Lourenço Oliveira em 27/02/2006
Reeditado em 13/03/2006
Código do texto: T116589
Classificação de conteúdo: seguro
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Sobre o autor
Lourenço Oliveira
Salesópolis - São Paulo - Brasil
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Lourenço Oliveira