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Como fazer uma crítica

TODO MUNDO acredita que criticar é apenas falar bem ou mal de alguma coisa. Certo, eu exagero ao usar o termo todo mundo. Dizendo que boa parte das pessoas comete o erro abissal de pensar que falar “eu gosto” é uma crítica, pior é quando não sabem diferenciar a mesma de uma opinião sincera ou mesmo um certo peleguismo.

O que vou mostrar nesse texto é como funciona, de fato, uma crítica bem estruturada e diferenciar a mesma de outras formas de textos com função opinativa e informativa. Ou, na medida do possível, expor algo que não seja meramente um ponto de vista.

Comecemos por definir uma crítica. Ela se pauta em uma coisa chamada FATOS. Soa estranho isso? Sim, mas pensemos numa coisa. Eu, como pretendente a crítico, não posso colocar minhas opiniões acerca daquilo que estou a criticar. Se o fizer, não terei mais uma crítica, mas sim uma opinião ou um julgamento de valor, que são duas coisas totalmente diferentes de uma crítica.

Como conceituá-la?

Essa é a grande dúvida. Em termos mais gerais eu poderia dizer que uma crítica se pauta em dois pontos. O primeiro é uma análise acerca do material a ser criticado. A segunda é a exposição dessa mesma análise, mostrando-a em forma de fatos, que podem ser comprovados pela pessoa que ler essa crítica (ou ouvi-la de sua boca). Numa crítica nunca deve acontecer algum comentário onde o autor se coloque, uma vez que a mesma vai perder o seu sentido. Expor todos os pontos presentes na obra, sejam eles positivos ou negativos e levar a pessoa a uma reflexão e, com isso, tirar suas conclusões, faz a crítica ter o seu papel fundamental e básico, que é a simples exposição dos aspectos, sem a colocação subjetiva.

Contudo as pessoas confundem juízo de valor e opinião com crítica. O primeiro vai se basear em conceitos como bom e ruim. É possível usar esse juízo de valor para reforçar ou mesmo corroborar uma crítica, desde que tenha alguns critérios para o mesmo. O critério sobre o que é bom e, por conseguinte, o que é ruim, é fundamental para atribuir um juízo de valor. Esses valores, com os devidos critérios, podem ajudar a crítica a exercer o seu papel, desde que nesse ponto não se coloque um valor subjetivo. Assim como um cantor erudito vai ser avaliado como bom ou ruim por se adequar a um senso estético de belo, pautado em conhecimento, estudo e prática, um escritor vai ser avaliado pelo seu uso de linguagem, discurso e estilo. Todos, evidentemente,  com algum critério estabelecido.

Só que as pessoas preferem ver a crítica como uma opinião. Achismos de tudo quanto é tipo permeiam a falsa noção da crítica, uma vez que a pessoa coloca valores pessoais e os toma como fatos. E nem todos são obrigados a aceitar um fato pessoal como um fato argumental. Não existe nenhuma crítica onde a pessoa opine a respeito. Essa opinião pode e deve ser contestada, uma vez que ela vai ser, quase sempre, unilateral.

Como que se faz uma crítica, afinal?

Precisa-se primeiro conhecer o assunto. Você pode não ser um artista, mas tem que estudar tanto ou até mais que o mesmo para validar sua crítica. É através do conhecimento que você pode ter algum pré-requisito para fundamentar aquilo que fala e para poder analisar alguma coisa. Se existe o desejo de criticar literatura, estude-a com afinco. Conheça as formas, as teorias e os pensamentos para, assim, ter bagagem e conhecimento. Isso funciona com todas as áreas possíveis e imagináveis dos campos do conhecimento humano.

Por isso, se há um desejo de se tornar um crítico, é importante criticar e não opinar.
Fabio Melo
Enviado por Fabio Melo em 26/09/2008
Código do texto: T1198697

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Sobre o autor
Fabio Melo
Santo André - São Paulo - Brasil, 29 anos
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