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O QUE É O HOMEM?

Homem – qualquer indivíduo da espécie animal que apresenta o maior grau de complexidade na escala evolutiva; o ser humano.

Diversas já foram às tentativas de definir o homem ao longo do tempo. Antropólogos, sociólogos, historiadores, filósofos, biólogos, a religião, os sistemas educacionais, todos estes talvez, não com intencionalidade, tiveram uma visão monista e parcial sobre a realidade humana e todos os aspectos e complexidades que o cercam. Todos estes investigaram sua origem, sua natureza, suas aspirações, suas misérias e grandezas. Todos procuraram defini-lo.
Seria uma tarefa mesmo impossível o de esgotar o elenco destas idéias fragmentárias sobre o homem. Sociologicamente falando, o homem é o único ser capaz de se ver como objeto de análise. Ele ao mesmo tempo em que é o observador, será também a “coisa” a ser analisada. Sendo que a análise das coisas inanimadas e não orgânicas, mesmo que a estas venhamos “antropomorfisar”, é de uma melhor e maior compreensão e assimilação por parte do homem.
Muitos foram os sociólogos que colocaram no centro de suas pesquisas o indivíduo, ou seja, fizeram deste o seu objeto de análise. O que os leva a postular a redução de toda e qualquer explicação da vida social aos indivíduos, deixando de lado e até negando a relevância de outros fatores?

Para aqueles que enfatizam o papel do indivíduo na vida social, as explicações da sociologia deveriam, ao fim e ao cabo, ser reduzidas ao seu comportamento. Esta é uma reivindicação dos “individualistas” como Max Weber (1864 – 1920). Segundo este o Estado não tem significado em si mesmo a não ser quando o indivíduo atribui a este o sentido. Os indivíduos são livres e donos de suas decisões. O comportamento humano e seus valores são determinados pelos cálculos dos prováveis efeitos e resultados que as suas ações podem ter para a satisfação de seus interesses.  (Teorias Sociológicas no Séc. XX, p.13; 2004)  [grifo meu]

A complexidade desta temática está exatamente no fato de sermos uma indefinição viva. Indefinição por diversificados fatores culturais, políticos, econômicos, geográficos, etc. Bem, a própria definição etimológica desta palavra seria variada nos inúmeros dicionários espalhados em todo o planeta.
A verdade é que o homem é o centro da ordem social. Mesmo antes, numa idéia medieval, onde o homem era visto como aquele ser que era colocado no mundo pela suprema e soberana vontade de Deus tendo um único objetivo, o de louvor e glorificação. O homem estava a todo tempo a serviço de Deus e de Deus vinham todas as respostas para as suas indagações e ansiedades.
“O pensamento moderno irá romper com esta concepção de homem-criatura, que na tradição judaico-cristã  o concebia como um ser inserido em uma comunidade e que se submete a vontade de Deus.”
Mesmo na Idade Média o homem já era visto como sendo a mais bela das criaturas. Mesmo ali o homem já ocupava a centralidade de toda a história, seja esta bíblica ou secular. A diferenciação estava exatamente na tomada de decisão, onde, toda ela era iniciada a partir da esfera espiritual e eclesiológica.
De uma maneira singela muitos dos citados acima formularam as suas definições com base nas suas experiências circunstanciais ou ainda como reação às idéias dominantes nas suas respectivas épocas. Citaremos aqui alguns poucos destes e suas teorias sobre o homem.
Começaremos por aquele que talvez seja o mais famoso dos iluministas, J. J. Rousseau, já que o pensamento moderno irá beber diretamente desta fonte; o iluminismo. Onde o homem passa a ter a noção de sua individualidade. Como resultado do renascimento, este movimento faz com que o homem venha deixar de ser a criatura e passará a ser o criador. Um ser racional, individualizado, que age por emoções e é orientado para a preservação de si próprio e para a maximização de seus interesses, Ou seja, o homem passa a ser proprietário dele mesmo, de suas posses e de suas capacidades. Sendo assim, os indivíduos necessariamente, chegariam em dado momento, a um acordo que fundariam a sociedade.. O século das luzes marca o fim da “teocracia” e estabelece o reinado do homem: a “antropocracia
Rousseau e também Locke, compartilhavam da idéia de que o homem é um ser naturalmente bom, mas a sociedade por ele próprio criada irá o corromper. O homem seria uma “tábua rasa”, bom, e a sociedade por vezes o tornam mal.
Já Hobbes, ao contrário via apenas a maldade do homem. O homem por natureza era um ser mau, sendo este o “próprio lobo do homem”.  Hobbes em sua obra  Leviathan, foi um dos primeiros a defender que o comportamento e os valores  humanos são determinados pelos cálculos dos prováveis efeitos e resultados que suas ações podem ter para a satisfação de seus próprios interesses. Os conflitos de interesses, a luta pelo poder e a tendência natural dos indivíduos à mútua destruição, a competição e desconfiança igualam todos em insegurança e em um “estado de constante guerra”. É neste exato momento que entra a sociedade. Para garantir que os homens não se matem e ainda preservem os seus direitos naturais e deveres.  Em Hobbes, o Estado surge como uma solução ao instável estado de natureza  em que viviam os homens, reconhecendo que a permanente e necessária compulsão para se desejar obter poder é uma das principais causas que inviabilizam a vida do homem no estado de natureza.
Aqui, a estipulação de um contrato existe para preservação e maximização não do direito baseado no individualismo, mas, na coletividade ou na “vontade geral” e no interesse comum.
A Revolução Francesa veio dizendo ao mundo que existia uma possibilidade de mesmo o mais simples do camponês ter os mesmos direitos que aqueles que ocupavam o primeiro e o segundo Estado. O homem seria um ser cívico, politizado, mesmo que este viesse da mais humilde ancestralidade. A Revolução tinha um objetivo, o de tornar acessível a todos os homens, os direitos políticos de igualdade e liberdade. Daí nasce o liberalismo, contrastando às idéias absolutistas da época, que negava ao homem comum a faculdade de ser cidadão, de concorrer a cargos públicos e de escolher a seus próprios representantes legais. Note-se, direitos e deveres. Entre os direitos do homem sobreleva o direito à liberdade, e é desse direito à liberdade que decorre toda a responsabilidade do homem pelos seus atos. E quanto maior a liberdade do homem, maior a sua responsabilidade.
Freud viu no homem somente a realidade do desejo sensual ou do desejo e da sensualidade. O homem seria então governado pelo princípio do prazer.  “O desejo jamais é satisfeito porque tem origem e sustentação da falta essencial que habita o ser humano, daquilo que jamais será preenchido e, por isso mesmo o faz sofrer, mas também o impulsiona para buscar realização – ou satisfação parcial – no mundo objetivo ou na sua própria subjetividade (sonhos, artes, projetos utópicos, fé no absoluto, etc). O que entendemos por sujeito é construído desse circuito onde a libido sempre tem um excesso que sustenta o movimento desejante.”
O pansexualismo teve grande influência doutrinária ao revelar os segredos do subconsciente, ao interpretar a conduta humana pelos dados até então irrevelados dos subterrâneos da alma. As ciências sociais, as próprias ciências biológicas e a terapêutica médica sofreram larga revisão por influencia das idéias de Freud.

Apesar de Hobbes já ter dito, séculos antes, que a sociedade só se viabilizara com o surgimento de uma entidade que fosse superior em poder a todos os poderes individuais, o Estado, e que a natureza humana era movida por uma busca compulsiva e incessante pelo poder, pois só assim um indivíduo poderia estar seguro de que não seria vítima de outro mais forte que ele, observa-se em Freud que esta compulsão diz respeito à realização do princípio do prazer que move o ser humano à vida. Em Freud, portanto, a civilização se impõe ao homem, projetando-o de estado de natureza para o estado de sociedade, à custa de restringir aquilo que é considerado o propósito da vida: a felicidade, conquistada através da tentativa de realização do princípio do prazer. As relações sociais são reguladas tendo como base a restrição às liberdades humanas individuais, as quais o indivíduo experimentara antes de viver em sociedade. [grifo meu]
(www.fundaj.gov.br/docs/inpso/cpoli/JRego/TextosCPolitica/Hobfreud/hbcap3.htm)
Falaremos agora um pouco sobre Nietzsche e o seu impulso “violento”, instinto, irracionalidade. A centralidade da vida humana residia nos impulsos e na força do irracional, criando assim o que veio a ser chamado de “super-homem” (uber mensch).  Super-homem, aquele que vive “para além do bem e do mal”. Nem fé, nem razão: sem dualismos. Segundo ele, tudo é apenas fluxo de forças e a razão é apenas um acaso, como acaso são todas as demais coisas. A vida não é boa e também não seria má, ela é simplesmente vida como impulsos, fluxo de forças presentes em toda parte. Criação e destruição é o que acontece na vida e este acontecer não necessariamente terá um fim objetivo.  O sujeito nada mais é que “vontade de potencia” em suas múltiplas relações de forças, que organizam-se de um modo aqui e de outro acolá, que se forma cá e se desfaz lá em algum ponto do que parece a todos como uma grande unidade, mas que não é outra coisa senão essa pluralidade de forças e que é denominado de universo. Sendo o homem instinto, força, luta, guerra, desejo, vontade, o filósofo, desferiria a sua língua venenosa contra aquilo que, segundo ele, matava este desejo de verdade: o cristianismo, baseado no Apóstolo da Mentira: Paulo, o anunciador de “desenvangelho”. A realidade é uma explosão de forças desordenadas; os fracos refugiam-se na religião.
Pois que todo esse mundo de ficções tem a sua origem no ódio contra o natural, contra a realidade! É a expressão de um profundo mal-estar perante o real... Mas eis que tudo se explica. Quem terá razões para fugir da realidade através da mentira? Só a quem ela fizer sofrer. Mas sofrer pela realidade significa que se é realmente falho...  (O Anticristo, p. 49; 2006)
Outros sublimaram a realidade dos gens, pretendendo explicar a conduta humana exclusivamente como fruto da herança genética. Estas foram as idéias de Gobineau, Gumplowicz, Houston, Chamberlain que iriam embasar mais tarde a teoria da superioridade da raça ariana, mito do nazismo, em nome da qual foram assassinados milhões de seres humanos e deflagrada a Segunda Guerra Mundial, com a invasão de outros países pela Alemanha a fim de que fossem governados pela chamada raça superior. Estas idéias que apenas parecem estarem mortas e ultrapassadas no novo século (XXI), mas de quando em quando alguém nos faz lembrar delas, nos dando a entender que as mesmas ainda estão vivas nas mentes de alguns.  Vejamos parte de uma reportagem retirada do endereço: http://oglobo.globo.com/ciencia/mat/2007/10/17/298197482.asp:

LONDRES - O prêmio Nobel de Medicina James Watson, pioneiro no trabalho de deciframento do genoma humano, causou espanto ao reacender com força total uma polêmica que parecia definitivamente superada pelos próprios geneticistas. O pesquisador americano, de 79 anos, declarou ao jornal "The Sunday Times" ser pessimista sobre a África porque as políticas ocidentais para os países africanos eram, erroneamente, baseadas na presunção de que os negros seriam tão inteligentes quanto os brancos quando, na verdade "testes" sugerem o contrário.
Watson não apresentou argumentos científicos para embasar suas idéias nem especificou que "testes" seriam esses. Afirmou apenas que os genes responsáveis pelas diferenças na inteligência humana devem ser descobertos dentro de dez a 15 anos. As suas constam em um livro que será publicado na semana que vem, e no qual Watson escreve que não há motivo algum para crer que "as capacidades intelectuais de povos separados em sua evolução tiveram que evoluir de modo idêntico".
" Porque todas as políticas sociais são baseadas no fato de que a inteligência deles é como a nossa, embora todos os testes digam que não é bem assim? "

"Não há nenhuma razão sólida para sustentar que as capacidades intelectuais de pessoas geograficamente separadas durante sua evolução tenham se desenvolvido de forma idêntica. Nossa vontade de preservar os poderes igualitários da razão como uma espécie de herança universal da Humanidade não é o suficiente para fazer com que isso ocorra", escreve ele.
A polêmica em torno dessas declarações lembra a criada em 1990 pelo livro "The Bell Curve", do analista político americano Charles Murrey, que sugeria que diferenças de QI seriam genéticas e discutia as implicações de uma divisão racial da inteligência. O livro foi duramente criticado no mundo todo, particularmente por cientistas que o classificaram de racista.
Watson chegou à Grã-Bretanha nesta quarta-feira e participa de uma série de palestras sobre o seu novo livro. A primeira delas, marcada para quinta-feira, no Museu da Ciência, está completamente lotada. Um intenso debate é esperado uma vez que os críticos do geneticista afirmaram estar preparando uma resposta de peso a suas polêmicas opiniões.
- É triste que um cientista que alcançou tanto em seu campo se rebaixe a fazer esse tipo de comentário, sem nenhuma fundamentação científica - disse o deputado trabalhista Keith Vaz, presidente da comissão para assuntos internos da Câmara dos Comuns. - Tenho certeza de que a comunidade científica repudiará o que parece não ser mais que um preconceito pessoal.
Steven Rose, professor de ciências biológicas da Open University e membro da Sociedade para Responsabilidade Social em Ciência, disse que a declaração de Watson é "vergonhosa".
" Watson está gagá ou quer aparecer "

Para o geneticista Sergio Pena, professor titular do Departamento de Bioquímica e Imunologia da UFMG, "Watson está gagá e/ou quer aparecer". Segundo o pesquisador, a genética tem mostrado nos últimos 20 anos que raças humanas não existem do ponto de vista científico. A variabilidade está concentrada dentro das populações continentais e não entre continentes.
Pena explica que há uma relação genealógica entre todas as populações do mundo, incluindo a européia, e a África. A Humanidade moderna emergiu na África há menos de 200 mil anos e só nos últimos 60 mil anos saiu deste continente para habitar os outros:
- Do ponto de vista evolucionário, somos todos africanos, vivendo na África ou em exílio recente de lá. Não faz sentido haver diferenças biológicas entre africanos e povos de outros continentes.
Na opinião do geneticista, nos últimos 500 anos a África tem sido vítima de um imperialismo europeu impiedoso e selvagem, que criou dissensões entre grupos étnicos e manteve o continente economicamente de joelhos.
- Até hoje a retirada de ouro, diamantes e petróleo na África é feita como pura exploração por multinacionais. Watson está fazendo uma confusão ridícula e elementar entre biologia por um lado e política e história do outro. A situação africana é preocupante, não por falta de capacidade genética intelectual, mas pela manutenção da pobreza e ignorância, que torna os países vítimas fáceis do imperialismo. Watson falou besteira, em uma área totalmente fora da sua - diz.
" Tenho certeza de que a comunidade científica repudiará o que parece não ser mais que um preconceito pessoal "

O cientista americano alcançou fama internacional quando, trabalhando na Universidade de Cambridge (Inglaterra), fez parte da equipe que descobriu a estrutura do DNA. Por seu trabalho, Watson foi premiado em 1962 com o Nobel de Medicina junto a seu colega britânico Francis Crick e ao neozelandês Maurice Wilkins.
Esta não é a primeira polêmica em que Watson se vê envolvido. Em 1997, o pesquisador declarou a um jornal britânico que uma mulher deveria ter o direito de abortar caso um teste pré-natal determinasse que o feto que levava em seu ventre seria homossexual, embora depois tenha dito que se tratava de uma escolha "hipotética".
Watson também sugeriu a existência de uma relação entre a cor da pele e o instinto sexual, superior nos negros. Segundo o jornal "The Independent", o pesquisador seria favorável à engenharia genética por considerar que um dia será possível "curar a estupidez".

Aguardem.... logo, logo, o homem segundo Descartes e K. Marx...

Pense Filoliveira...




filoliveira
Enviado por filoliveira em 01/11/2008
Reeditado em 27/11/2009
Código do texto: T1259586

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