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O Bom Combate do Cotidiano



A rotina por vezes nos ilude, dando-nos a falsa idéia de que nossa vida é um repetir constante de dia após dia, sem que nada de novo aconteça. Isso provoca, com maior ou menor freqüência, um sentimento vago de desagrado ou abatimento,  que leva ao desejo de livrar-se dele. E esta sensação não é prerrogativa de algum povo, raça, ou de grupos religiosos e seitas, em verdade é um traço universal, que provavelmente faça parte do arquétipo da humanidade.
O que o ser humano busca, muitas vezes sem o saber, é o equilíbrio, a harmonia, um movimento que lhe propicie o estado de felicidade,  que embora não represente a ausência de conflitos ou desafios, oportuniza a relação com estes elementos de maneira proativa e saudável.
Por não compreender bem o processo a que se submete, tende a acreditar que a novidade por si lhe garante êxito e lhe provoca bem estar. Desse modo, passa a associar o bem estar ao gosto pela mudança constante. Uma mudança que esta relacionada mais a quantidade do que propriamente a qualidade.
Agindo assim, torna-se vez por outra, inconstante ou compulsivo em seu comportamento, sem perceber seu equívoco, que o leva cada vez mais para a sensação inicial de insatisfação, e até angústia, com que iniciou o processo.
Esta atitude é mais comum do que se pode imaginar, e é fruto, em grande parte, da modernidade, que invadiu o espaço do homem  de maneira tão vertiginosa que um razoável número de pessoas não teve tempo ou condições de adaptar-se a ela. A efemeridade que a caracteriza instiga, aos mais desavisados, uma dose adicional de insegurança, o que colabora para o desenvolvimento da violência, como forma de se proteger.
Em decorrência disso, hoje temos um contingente considerável de pessoas sofrendo depressão, ou dependentes de drogas, e aqui estamos considerando desde o tabaco até os remédios que se tornam necessários para a sobrevivência, além dos produtos químicos que acarretam alterações na consciência e atitude do usuário. Não se pode também registrar que há outras formas de fuga, que induz aos que delas se valem a excessos em qualquer tipo de atividade ou interesse.
 Esse comportamento tem sido observado em todas as faixas de idade, o que nos coloca em estado de alerta, se desejamos interferir na qualidade de vida do ser humano.
Deve haver um modo melhor e mais acertado de se transitar pelo cotidiano, de tal sorte que possamos usufruir o que de bom a vida nos oferece e saboreá-la em sua vertente mais profunda e verdadeira.
Parece que tudo se fundamenta na maneira como encaramos o nosso dia a dia. É certo que lidamos com situações que se encontram fora de nosso controle e que nem sempre se desenrolam conforme nossos desejos; a diversidade, multiplicidade de solicitações e compromissos; a necessidade de nos relacionar com pessoas, algumas que não são exatamente como apreciamos, que possuem desejos diferentes e metas contrárias as nossas, tudo isso exige respostas, que nem sempre são adequadas produzindo resultados conflitantes, o que a tudo se soma dando-nos a impressão que um círculo se fecha ao nosso redor.
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Se não nos colocarmos de maneira apropriada em meio a esta ambigüidade que compõe nosso dia a dia, podemos ou cair na apatia, deixando que se cristalizem idéias, conceitos e abrindo mão de  sonhos e potenciais que possuímos, ou sucumbindo ao tédio que uma rotina, no seu sentido mais perverso, pode provocar.
Viver é pois, a arte de descobrir. Conservar dentro de nosso coração o pulsar do entusiasmo,  é permitir que os desafios se tornem motivação, que as dificuldades sejam impulsos que despertam a vontade de vencer, que a adversidade atice nossa curiosidade, e a frustração seja um convite ao repensar.
Para isso não há que se permitir o desânimo. E é imperioso que tenhamos alguma noção da evolução da humanidade, do sentido mais subjetivo da vida. Não podemos perambular por nossos dias como se não tivéssemos compromisso algum com este planeta e estivéssemos nele a passeio.
A alegria é um elemento fantástico que deveria ser utilizado sem parcimônia por todas as pessoas. E, que não se caia no erro de pensar: uns nascem bem humorados e outros não. Isso é bobagem. O ser humano abriga dentro de si uma substancia única, divina eu diria, que é a centelha da vida, a energia vital que a tudo subjaz. Mas como todo potencial se não for trabalhado, não se desenvolve e nenhum benéfico produz.
Assim é a alegria, um expediente decisivo em nossa vida diária. O que se chama de luta, em verdade é o bom combate do cotidiano de todos nos, onde acontece nossa lida; onde  aprendemos, crescemos e evoluímos como seres humanos.
O prosseguir é o rumo da evolução, o desapego desta dimensão que nos permite transitar em outras esferas e assim expandir nossa consciência
O bom combate do cotidiano é pois, o caminhar sempre, exercendo com consciência nossa liberdade de pensar,  agir e sentir. E a sensibilidade é o que nos dá o sentido da vida, matiz que tinge nossa jornada  enquanto a percorremos, e que interfere de modo determinante em nossas escolhas.
Acreditar em nós mesmos é o que nos permite um bom combate diariamente,  e o que favorece o formato de nosso destino.
A vida e uma aventura que nos convida a combater dificuldades com as armas que encontramos no arsenal de nosso coração.


Priscila de Loureiro Coelho
Enviado por Priscila de Loureiro Coelho em 25/04/2005
Código do texto: T13007
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Sobre a autora
Priscila de Loureiro Coelho
Jacareí - São Paulo - Brasil, 65 anos
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Priscila de Loureiro Coelho