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O PRECONCEITO LINGUÍSTICO


Na semana passada, li o livro "O Preconceito Lingüístico", do escritor Marcos Bagna, e me chamou a atenção os pontos enfocados na obra, quanto à variedade das formas de expressão na fala e a riqueza que a língua portuguesa consagra em si.

O autor, com muita propriedade, aborda que em cada lugar deste nosso imenso país, existe uma forma diferenciada de falar traduzida na diversidade cultural de cada região, razão pela qual o português não fica cingido à gramática tradicional dos bancos escolares. A questão é mais profunda do que parece, pois nosso idioma é tão rico que poderíamos falar em uma língua genuinamente brasileira, por certo, bem diferente daquela de Camões ou de Fernando Pessoa.

Se de um lado existe a gramática da língua portuguesa, com seus verbos e regras fixas, do outro, existe a riqueza da linguagem, um corpo variável e tão flexível quanto são os costumes de seu povo, a ponto de novas palavras e gírias a serem agregadas, dia a dia, no nosso vocabulário.

 O português do gaúcho é, por certo, bem diferente do nordestino, sem que se possa dizer que a forma de falar de um seja mais correta do que a do outro. As palavras de um poeta, principalmente se utilizadas dentro de uma linguagem metafórica, são diferentes da linguagem do jornalista ou do cientista.

A discussão avança no sentido do preconceito lingüístico, pois as pessoas, não raras vezes são julgadas pela forma de falar e expressar uma idéia, dentro de uma concepção unívoca da realidade. O julgamento do outro, em termos absolutos e sem excludentes, é algo perigoso, pois acabamos por nos restringir e esquecemos que cada um de nós tem um modo diferente de se expressar, ainda que de maneira divorciada da gramática tradicional, o que não pode implicar, por si só, em um “falar” errado.

Vale lembrar que algumas pessoas, por exemplo, tem um sotaque mais acentuado, outras trocam o português convencional pela gíria ou por expressões idiomáticas e algumas vezes, chegam até a suprimir um “s” no final da frase, o que para muitos causa perplexidade e indignação. A verdade é que ninguém utiliza o português de forma absolutamente correta, seja falando ou escrevendo, por isso que a nossa língua não pode servir como um instrumento de exclusão social. A riqueza cultural de um povo é também medida de acordo com os seus costumes, com a fala, com a religiosidade e com a forma como celebram a vida e a morte.

O assunto é tão rico que foi inaugurado um Museu da Língua Portuguesa, na estação da luz, em São Paulo, por certo um convite à reflexão para que os povos de língua portuguesa se conheçam mais entre si e mesmo nós, brasileiros, geograficamente tão distantes uns dos outros. O próprio Hino Nacional, em uma propaganda da televisão está sendo cantado de forma original por cada região do país sem que com isso se perca a grandeza da nossa música maior.

A conclusão que se chega é que não devemos pré-julgar o comportamento alheio expresso na maneira de falar, vestir ou de posicionar-se frente à realidade social, por que não existe uma padronização de condutas, pois o que realmente interessam são a essência e o caráter de cada um.
 
pássaro poeta
Enviado por pássaro poeta em 29/03/2006
Código do texto: T130689

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Sobre o autor
pássaro poeta
Porto Alegre - Rio Grande do Sul - Brasil
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