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Reação já


Trecho de artigo “Reação já” de Alselmo Cordeiro, de março de 2006.

De modo geral, o povo nunca teve grandes simpatias pelo PT. Prova disso é que, na eleição para Governadores, o partido conseguiu eleger apenas 3 Governadores. Contudo, Lula foi eleito, mas o PT não conseguiu ter maioria no Congresso. Os cardeais petistas trataram então de resolver esse problema, pelo caminho mais fácil: comprando consciências mortas; ou seja, aliando-se a políticos de péssimos antecedentes, para pôr em prática o plano de ter maioria na Casa do Povo. Por aí,    tivemos os jatenes, os severinos, os bispos do Diabo, os robertos jeffersons e outros tantos da ralé política imunda, a comprarem apoio de mais bandidos, ou recebendo e oferecendo propinas para mudanças de partido, visando aumentar a base governista no Congresso. Só assim, a cúpula poderia aprovar os seus projetos básicos para manter-se no Poder infinitamente, como aconteceu com o PRI mexicano. Uma vez alcançada a maioria no Congresso, viria o amordaçamento da Imprensa, tal como tentaram, mesmo sem aquela maioria na Câmara dos Deputados. Não deu certo, porque a pressa, aí, foi a inimiga principal. Com a Imprensa amordaçada, o resto seria fácil, e se isso acontecesse, eu não estaria, agora, na Internet, a defender o meu direito constitucional à livre expressão da  opinião e pensamento, pois que em país comunista algum a Internet é livre. Em conjunto com essa trama, veio o assalto aos cofres públicos, por todos os meios possíveis: meteram a mão nos fundos de pensão; "pagaram" por serviços contratados que não foram feitos; desviaram dinheiro público, via maletas e cuecas recheadas de dinheiro, que eram entregues a presidentes de partidos ou, diretamente, a políticos canalhas; quantias astronômicas foram depositadas em contas no Exterior para, de lá, abastecerem os cofres do PT. Querem que a gente acredite, imbecilmente, que um simples tesoureiro de partido (Delúbio) e um obscuro empresário publicitário (Marcos Valério) são os únicos culpados dessa enchente de dinheiro que passou a irrigar a horta, onde se plantava a erva daninha do Poder pelo Poder: a eternização do PT no Governo. Quando se fala em cassação de mandatos, querem provas. E que provas querem, além das numerosas já apresentadas? Devem estar querendo a confissão assinada dos bandidos. As substanciais e avassaladoras provas circunstanciais estão no relatório final da CPI dos Correios, que, nas suas 1.800 páginas, é uma radiografia completa dos principais lances dessa trama obscena.

    Voltando um pouco à ordem cronológica dos fatos, e mantida a tese de que todo bandido é estúpido, a burrice acabou acontecendo, quando a cúpula, chefiada por Zé Dirceu, negou-se a dar a Roberto Jefferson, que também era do bando, mais do que havia sido combinado. Jefferson queria bem mais que os 4 milhões. Queria 20 milhões, tal como narrou logo no seu primeiro depoimento. Ora! O que eram 20 milhões, diante daquela enxurrada de dinheiro que já vazava dos cofres públicos? Se o bom senso - se é que é possível haver bom senso no crime - e a inteligência falassem mais alto, Dirceu teria dado os 20 milhões, e o plano criminoso prosseguiria de vento em popa. Mas a burrice falou mais alto, e Dirceu se negou a dar mais. Jefferson insistiu, insinuando que poderia virar a mesa: foi ao Lula para se queixar, numa encenação grotesca, como se o fantoche não soubesse de nada (O Governador de Goiás já tinha alertado o Presidente sobre o mensalão que vinha acontecendo, e Miro Teixeira, um ano antes, já havia denunciado o esquema em entrevista ao Jornal do Brasil); queixou-se a Ministros, mas de nada adiantaram as suas choramingas. O máximo que Roberto Jefferson conseguiu foi um voto de confiança do Lula, que, em depoimento público, declarou que a consideração que tinha por ele, Jefferson, era tamanha, que seria capaz de lhe dar um cheque em branco. Ali, vimos bandido afagando bandido.

    O entrevero poderia ter parado por aí, mas a burrice da cúpula foi mais além, quando, certamente pelas mãos do Zé Dirceu, mandou montar aquele flagrante de corrupção do Marinho, recebendo aqueles míseros 3 mil Reais nos Correios. Marinho era um dos apadrinhados do Jefferson - que, fazendo parte da quadrilha, tinha o direito de indicar gente para ocupar postos-chaves - e chegou a citar o nome do padrinho no episódio do suborno. A intenção da cúpula petista no flagrante era bem clara: dar um golpe de misericórdia em Jefferson, espécie de corretivo exemplar, para ele nunca mais se rebelar contra as decisões da cúpula que estava no Poder.  O raciocínio era elementar: se Jefferson denunciasse o esquema, ele cairia junto, e os cardeais petistas achavam que ele não seria louco de fazer isso. Mas foi aí que quebraram a cara, porque depreciaram a capacidade de reação de Jefferson. O inconformado Jefferson lançou, então, um petardo dentro do covil, mesmo sabendo que sucumbiria junto; e só não fez pior - quando poderia colocar o fantoche Lula no fogaréu - por mera retribuição àquele voto de confiança declarado em público por Lula. O esquema, então, desabou, e o que estamos assistindo hoje é só a tentativa de remover os escombros desse desastre inédito acontecido na República brasileira. Se esse trabalho de limpeza for bem sucedido, veremos, sob o último escombro, um Lula, dizendo: "De nada sei", e só aí, concluiremos que o  Brasil votou, não num homem de caráter, não num político compromissado com os anseios da população, não num homem que honra as suas promessas de transparência e ética. Concluiremos que o Brasil votou num ausente, num omisso, num aproveitador de circunstâncias, num fanfarrão inconseqüente, num boquirroto, senão num criminoso.
 
    Dia 9 de abril, às 09:00, no Posto 9, na Praia de Ipanema, teremos a primeira manifestação do povo, contra esse governo que virou um valhacouto a abrigar essa corja de malfeitores, que vem cometendo um consumado assalto aos cofres da Nação, amparados por uma máxima indecente: a do fim, que é a eternização do PT no poder, que justifica os meios, configurados nessa roubalheira desenfreada, nos mensalões, no envolvimento de petistas em crime de morte - vide o caso Celso Daniel - no apadrinhamento de mais de 20 mil militantes, ocupando cargos "de confiança", portanto, sem concurso e por simples canetada, para servirem de lastro à roubalheira impune... Enfim, todos esses meios imorais, aos quais, atônitos, estamos assistindo diariamente.
 
    Mas, por agora, não contem com os militares nesta reação que começa no dia 9 próximo, porque estes só virão, quando o caos completo estiver estabelecido. Estão todos com o ânimo severamente abatido, passando privações e vexames, por conta de salários reduzidos e aumentos concedidos, mas não pagos, senão em parcelas diminutas e espaçadas, como se os seus vencimentos, já tão comprometidos em prestações de seguidos empréstimos emergenciais,   fossem esmolas. Não; não contem com os nossos soldados, marinheiros e aviadores militares, porque, tão desacreditados estão, que até na ração diária do quartel estão sendo sacrificados. Os aviões voam, com peças aproveitadas; os navios param por falta de peças e manutenção adequada; o armamento deteriora-se; projetos importantes, que poderiam colocar o país na liderança do cone sul, como o do submarino atômico, cuja tecnologia poucos países do mundo detém, foram engavetados.  Não temos mais com quem contar, senão com o povo e com uns poucos políticos que honram o mandato que receberam, mas que quase nada podem fazer em nossa defesa na Câmara dos Deputados e no Senado Federal, se nós, do povo, não dermos a eles o apoio de que precisam. E o apoio que devemos dar é indo às ruas, para protestar, para clamar pela decência, para exigir a rigorosa punição dessa corja maldita, que nos abate e nos envergonha diante do mundo.

    Compareça a esse evento do dia 9 ou a qualquer outro de protesto, porque ainda temos quem nos defenda no Congresso e, em lá comparecendo, estaremos dando a estes honrados políticos a força de que precisam. É chegada a hora de você, brasileiro, justificar as suas comemorações pelas vitórias que obtemos no cenário mundial, seja no campo esportivo, seja no campo tecnológico, e que são muitas. Compareça, porque, lá, na manifestação pública, você poderá mostrar que esse seu coração que pulsa forte ao som do nosso Hino Nacional, pode fazer muito mais pelo seu País, do que, apenas, fazer você sentir que, ainda O ama.
 
    ANSELMO CORDEIRO.



Complemento:
Supostamente por estarmos no outono, não perderemos a praia para comparecer ao evento. Aproveite e leve seus filhos e netos para que eles comecem a perceber o verdadeiro sentido da força que um povo pode ter se possuir capacidade de unir-se deixando de lado vaidades e interesses pessoais em troca da melhoria na qualidade de vida, que mais à frente trará benefícios a cada um de nós. E quem puder, envie nota aos seus contatos da mídia. E como os argentinos, levem objetos metálicos que façam bastante ruído. E fique atento às futuras manifestações populares que devem pipocar pelo território. Alguma será no seu município, que certamente está tão abandonado quanto qualquer outro que você resolva sortear entre os mais de 5.000 existentes. Nós que trabalhamos 4 meses apenas para pagar impostos para cobrir os rombos que as parasitas (em todos os escalões) provocam nos cofres públicos, temos o total direito de reclamar com veemência por uma transformação deste desumano sistema que aniquila nossas esperanças de busca pela real independência.
 
Haroldo - Vila Isabel / RJ

Haroldo
Enviado por Haroldo em 01/04/2006
Código do texto: T131978
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Sobre o autor
Haroldo
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