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A ginga de Deus

Ao tecer ualquer referência á cultura afro-brasileira, não podemos esquecer da presença da música e da dança.
Quando ainda era criança, ouvia comumente esta frase "não acredite num Deus que não dance". Na vida, nos cultos afros, em todos os rituais, há batuques acompanhados de expressões corporais, o que entendemos por "curimba", os mais velhos afirmam que a energia dos corpos se irradia como algo sagrado, é a sabedoria original, o patrimônio espiritual para o trato das coisas da vida.
Os atos como o nascimento, o batismo, a puberdade, o casamento, a morte, assim como os atos da semeadura, da colheita, adoença, a pesca, as invocações nas estiagens, os exconjuros dos espíritos tem a presença de rituais com musicas e danças fundamentalmente.
Nos cultos afros, as estrelas, o sol, os planetas, os satélites naturais, a sombra, o quente, o frio, os vegetais, os minerais possuem as tais forças ocultas. A Sagrada Tradição dos Orixás, são tidas como forças divinas que revelam ensinamentos para conhecermos e controlamos as potências naturais como o vento, o ráio, o fogo, a água doce, a água salgada, a chuva, o ar e a temperatura, obviamente com os nossos trabalhos para a sobrevivência. Cada Orixá, tem sua pedra fundamental, suas cores e danças, daí o espetáculo visual rituaístico, usaddo por artistas do canto afro, como Martinho da Vila, Geilberto Gil entre outros.
Geralmente, as festas dos negros tem um misto de lendas, religiosidade e muita espiritualidade. O exemplo disto é a comemoração do dia 25 de janeiro, quando os negros de Salvador lembra a Revolta Malês, numa mistura de cristianismo e islamismo, para perpetuar a maior revolta de escravos urbanos, já ocorrido na América Latina, mas que até hoje os pseudos historiadores brasileiros, foram na sua maioria incapazes, estupidamente castrados de cérebros e não conseguiram escrever isto nos livros didáticos, quando que temos uma lei como a 10639, que trata das questões da cultura afro e da africanidade nos ensinos fundamentais e medios.
Entendemos que o islã não constitui uma força religiosa hegemônica, representou um concorrente de peso, num ambiente cultural que também inclui os orixás,o vodum dos povos gegês, o espiritualismo dos angolanos que trouxeram o omoloco. E neste caldo de cultura está presente grupos como os filhos de Gandhi que vestem de branco nas sextas feiras, um costume dos adeptos do islamismo e que os negros umbandistas ou membros do candombléss, chamam de achofifum.Alem do mais os filhos de Gandhi fazem o rito-baru, que para os umbandistas são as guardas do caminho, comum nas saidas de desfiles, procissões e também no carnaval. Todos estes rituais são perfeitamente harmônicos.
Outro ponto interessante é que o Levante Malês traz uma citação do Alcorão (3:108) "Ala não quer injustiça contra as suas criaturas" E na própria história dizem que os rebeldes foram as ruas com roupas dos adptos do islão. E os que morreram traziam nos corpos amuletos e rezas além da passagem do Alcorão. Em 1835 os negros desejavam o fim da escravidão e a tomada do poder com a derrubada da monarquia.
Quando o poeta Gilberto Gil diz, 'que a felicidade do negro é a felicidade guerreira" ou quando o poeta Oswald de Andrade diz que "O carnaval é a maior festa religiosa', creio que entendo que o ser humano dança, conta a sua história suas lutas, seus amores, sua espiritualidade e daí Deus tem de mostrar a sua ginga, e a idéia de que devemos acreditar num "Deus que dance" é entendida. assim a Igreja Católica Apostólica Romana, passou a ter a compreensão da cultura afro, por meio do ecumenismo, graças a Pastoral Afro e a presença de padres negros, o que não existia anteriormente.
Com aginga é possivel entender que Deus está no meio de nós, pois todos gostam de dançar, do contrário estariamos abandonados por Deus, e que estivesse rezando dançando ou comemorando com toda a alegria teria o Criador alheio a tudo.




Manoel Messias Pereira
Enviado por Manoel Messias Pereira em 25/04/2006
Código do texto: T145296
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Sobre o autor
Manoel Messias Pereira
São José do Rio Preto - São Paulo - Brasil, 61 anos
84 textos (7175 leituras)
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