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É SÓ NÃO BATER DE FRENTE ...


“Quando a gente fala em proibições, isso é algo um pouco maior do que a simples proibição de fazer isso ou aquilo, mas é a proibição que diz que, se lá fora você não vai poder fazer, não é aqui que você vai aprender a fazer “.
                             Içami Tiba

Em recente entrevista do psicoterapeuta Içami Tiba, publicada na Internet por Angelo Davanço, dentre diversos comentários sobre seu mais recente livro , “Disciplina, Limite na medida Certa ! “ , lançado pela Integrare Editora , ele diz :
“Na cidadania familiar, hoje, em termos de educação, proibição, limites, o parâmetro é muito simples : se o foco está em formar um cidadão, ele não pode fazer em casa o que como cidadão não poderá fazer fora de lá. Ele tem que começar a fazer em casa o que ele terá de fazer lá fora. Se tomarmos isso como foco, o filho já começa a respirar cidadania familiar, e aí ele vai para a escola, que é a seqüência deste sistema , na cidadania escolar, onde o aluno não poderá fazer na escola o que também não poderá fazer lá fora. Lá é um local de preparo para a vida, não para ensinar a fazer uma equação ou não, é ensinar a vida. A cidadania hoje, fazendo parte destas proibições, vai fazer com que os pais tenham uma organização mental, pois o filho não sabe — no dia em que o pai está de bom humor pode, no dia em que está de mau humor não pode ?  Não existe isso. Por isso eu falo, em relação a esta educação mais aprimorada, é que não é mais o cuidado exclusivo do conforto do filho, é fazer deste filho um cidadão, desde dentro de casa”.
Tenho ouvido de alguns pais, mais vezes do que gostaria, no meu trabalho de Orientador Educacional, a expressão : é fácil trabalhar com meu filho ... é só não bater de frente com  ele .
Ora, bater de frente é não concordar, é confrontar, é não ser conivente, é mostrar que não está correto.
Como então educar sem confrontar ?  Será que alguns pais ainda acham que é proibido proibir ?
Em 1968 ocorreu o ápice da ousadia de um  processo revolucionário secular de degradação humana. Assim, em maio daquele ano, estudantes da Sorbonne e da Naterre deram andamento a uma revolução doentia que não tinha qualquer programa, ou seja, contestava-se tudo sem nada propor explicitamente.: penso que os garotos de Maio de 68 envelheceram e não há mais ninguém decretando que é proibido proibir.
É preciso proibir, sim, impor limites e regras, sim, não permitir ao jovem que aja no colégio , como costuma agir em casa, sem represálias, simplesmente para não criar mais problemas aos seus  pais que não têm mais tempo para eles, envolvidos em problemas comuns do dia-a-dia de qualquer casal que tenha que sobreviver neste mundo competitivo em que vivemos.
É preciso que  a escola resista a esse tipo de colocação e, apesar de tudo, ou por tudo isso, insistir em formar cidadãos.

      ANTÔNIO CARLOS TÓRTORO
     PRESIDENTE DA ARE-ACADEMIA RIBEIRÃOPRETANA DE EDUCAÇÃO
                                              ancartor@yahoo.com
Tórtoro
Enviado por Tórtoro em 30/04/2006
Código do texto: T148061
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Sobre o autor
Tórtoro
Ribeirão Preto - São Paulo - Brasil, 67 anos
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