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Pesquisa e Produção de Gêneros Acadêmicos: Análise Prototípica do Gênero Resumo

CONSIDERAÇÕES FINAIS

1.Conceituação do Gênero Resumo na NBR 6028:2003 da ABNT.

O resumo é denominado abstract, em inglês, resumen, em espanhol, résumé, em francês, riassunto, em italiano.
De acordo com a NBR 6028:2003 da ABNT definimos:
a) Resumo: apresentação concisa dos pontos relevantes de um documento.
b) Resumo crítico: resumo redigido por especialistas com análise crítica de um documento. Também chamado de resenha. Quando analisa apenas uma determinada edição entre várias, denomina-se recensão.
c) Resumo indicativo: indica apenas os pontos principais do documento, não apresentando dados qualitativos, quantitativos etc. De modo geral, não dispensa a consulta ao original.
d) Resumo informativo: informa ao leitor finalidades, metodologia, resultados e conclusões do documento, de tal forma que este possa, inclusive, dispensar a consulta ao original.

1.1. Conceito e Objetivos do Resumo no viés Acadêmico
Para Machado (2002, p. 150) são textos autônomos que, dentre outras características distintivas, fazem uma apresentação concisa dos conteúdos de outro texto, com uma organização que reproduz a organização do texto original, com o objetivo de informar o leitor sobre esses conteúdos e cujo enunciador é outro que não o autor do texto original, podem legitimamente ser considerados como exemplares do gênero resumo.
Para Motta-Roth (2006, p. 110), o resumo acadêmico objetiva sumarizar toda informação contida em textos mais longos, dando uma idéia geral e efetiva destes, bem como identificar a estrutura e conteúdo do texto que resumem, como facilitador do consumo de diferentes áreas de bibliografia científica. Na acepção de Marcuschi (2001) a elaboração de resumo é uma das propostas didáticas mais freqüentes do meio acadêmico. Ao transformar um texto em um outro, o resumo acadêmico, o aluno realiza uma retextualização, ou seja, empreende uma série de operações textual-discursivas na transformação de um texto em outro.
1.2. Conceito e Objetivos do Resumo no viés Escolar

Therezo (2001) enfatiza o resumo como um gênero escolar em sua conceituação, para Silva e Mata (2002) o conceito de resumo ultrapassa os limites das instituições acadêmicas. Considerando a finalidade discursiva presente nessa atividade, Silva e Mata (2002) afirmam que os resumos, admitidos como gêneros, são práticas de produção de linguagem, produzidas e utilizadas para atender a diversas necessidades sociocomunicativas. Essas autoras apresentam uma classificação na qual constam os principais tipos de resumos produzidos nas diferentes atividades do cotidiano (resumo de telenovela, resumo de filme, resumo jornalístico de texto, resumo literário) e tipos de resumos produzidos na vida acadêmica (resumo de tese ou dissertação, resumo para anais de congressos e o resumo escolar).
Para (ASSIS; MATA; PERINI-SANTOS, 2003, p. 4-5) uma vez assumido o fato de que os alunos ainda têm pouca vivência com a prática e a conceituação do gênero resumo, sobretudo porque a ação de resumir freqüentemente se associa, no contexto escolar da Educação Básica, a expedientes de “comprovação” de leitura, a tarefa que lhes foi proposta – conceituar resumo – pode ser considerada como árdua. Em outras palavras, estamos assumindo que, em razão de os alunos possuírem schemata  frágeis, intolerantes, pouco flexíveis (vamos chamar assim), foi-lhes demandada uma tarefa bastante difícil.
Se assumirmos o postulado de que aprendemos a partir daquilo que conhecemos, poderemos reconhecer nos primeiros movimentos conceituais sobre o gênero resumo traços do que eles sabem; o que sugere obviedade. Mas não é. Não é óbvio porque teremos que enfrentar outra questão: o que sabem os alunos, ou melhor, de que forma eles sabem alguma coisa? A resposta é: os alunos, em suas experiências escolares na Educação Básica, parecem ter tido contato com traços normatizadores do resumo, os quais, em conjunto, podem se empregar na definição dessa categoria; além disso, também experienciaram a ação de resumir como tarefa escolar.
Observamos que a maioria dos sujeitos da pesquisa define o resumo como síntese de idéias principais ou redução de informações/simplificação do texto-fonte, conforme se exemplifica a seguir: (1) “Resumo é você escrever em poucas linhas a idéia principal do texto. Colocar a essência do texto no papel.” (sujeito 10)
(2) “Resumo de um texto, é extrair as idéias principais dele. É poder colocar em poucas palavras o que foi dito sem “danificar” o texto.” (sujeito 11)
(3) “Resumir um texto é tirar de cada parágrafo a idéia principal, assim quando for estudar não vai precisar ler o texto todo.” (sujeito 13)
(4) “Reduzir o texto para facilitar a compreensão, forçando assim o desenvolvimento intelectual. Obs.: simplificar.” (sujeito 7)
(5) “Simplificação de textos, a função do resumo é escolher as partes mais importantes de um texto, usamos o resumo para enfocar os principais tópicos do tema. São características do resumo, a síntese de temas.” (sujeito 12)
(6) “Fazer um resumo não é copiar como está no texto e transcrever para folha. Resumir é simplificar a idéia do autor.” (sujeito 13)
(7) “O resumo é a simplificação de um texto, salientando a idéia principal, sem modificar o propósito do texto, dando ao leitor um entendimento prático do conteúdo original.” (sujeito 16).
1.3. Propriedades Funcionais de Metalinguagem no Resumo
Quanto à função, vemos que o resumo no contexto acadêmico serve tanto ao aluno, como eficiente instrumento de estudo dos inúmeros textos teóricos e científicos que tem que ler, quanto ao professor, como instrumento de avaliação que permite verificar a compreensão global do texto lido. Além disso, o resumo acadêmico pode ser considerado um gênero que proporciona ao aluno a inserção nas práticas acadêmicas.
Quanto ao funcionamento discursivo da linguagem, adaptando-o às considerações de Orlandi (1983), no contexto acadêmico, o estabelecimento da cientificidade no discurso pode ser observado em dois pontos: a) a metalinguagem; e b) a apropriação do cientista feita pelo aluno. Como a “metalinguagem tem um espaço para existir” (ORLANDI, 1983, p. 13), a expectativa no meio acadêmico é que o aluno-textualizador empregue as convenções estabelecidas para a linguagem em uso nesse contexto, ou seja, que reproduza com suas próprias palavras o saber legitimado pela instituição. A distância sócio-discursiva entre cientista, enunciador do texto-fonte, e textualizador não permite que esse se confunda com aquele. Por isso, acredito que a origem da voz veiculada no texto-fonte seja apontada pelo textualizador, através da referência bibliográfica e até mesmo do uso de citações, revelando assim para o professor-avaliador a origem do saber veiculado.
1.4. Classificação do Resumo no Contexto Escolar e Acadêmico

Conforme Lima (1994), os resumos dividem-se em dois grupos: a) resumos esquemáticos (sumário e esboço) e b) resumos não-esquemáticos (sinopse e síntese).
Os resumos esquemáticos são caracterizados por serem constituídos de tópicos hierarquizados e que segundo Lima (1994), exigem do leitor-resumidor a habilidade de nominalizar as formas discursivas do texto, seja na oração, período e parágrafo, presentes no texto-fonte. O sumário é elaborado pelo próprio autor após a conclusão do trabalho e nele aparecem a enumeração das principais divisões, seções, e capítulos de uma publicação, representando-se sempre a sua ordem de apresentação. O esboço ou esquema difere do sumário por não exigir paginação sua função é estabelecer uma visão de conjunto de determinado conteúdo. O esboço pode ser elaborado pelo autor do texto original ou não.
Os resumos não-esquemáticos, por sua vez, propiciam ao leitor-resumidor maior dificuldade de elaboração, visto que devem ter uma seqüência linear, solicitando do redator um certo domínio da expressão escrita na estruturação dos períodos e do texto como um todo. Esse tipo de resumo se apresenta sob a forma de sinopses (resumos indicativos) ou sínteses (resumos informativos).
A sinopse ou resumo indicativo acompanha um texto (artigo, ensaio, monografia, dissertação, tese, entre outros), sendo dispostos imediatamente depois de título ou após o termino do texto.  A síntese ou resumo informativo é definido como uma apresentação concisa e seletiva de um texto-fonte. A linguagem da síntese deve ser objetiva e livre de intervenções, ou seja, não apresenta comentários críticos, aprovações, elogios da parte de quem a escreve. A síntese também funciona como preparação para a elaboração de outros textos didáticos ou acadêmicos, ou ainda tem função preliminar ou inicial associada à atividade de leitura e escrita.

2. Regras Gerais de Apresentação (NBR 6028:2003 da ABNT).

2.1 O resumo deve ressaltar o objetivo, o método, os resultados e as conclusões do documento. A ordem e a extensão destes itens dependem do tipo de resumo (informativo ou indicativo) e do tratamento que cada item recebe no documento original.
2.2 Deve preceder ao texto e escrito na mesma língua deste. Para artigo científico indexado deverá conter um resumo em português e outro em uma língua estrangeira.
2.3 O resumo deve ser composto de uma seqüência de frases concisas, afirmativas e não de enumeração de tópicos. Recomenda-se o uso de parágrafo único, em entrelinhamento menor, sem recuo de parágrafo.
2.3.1 A primeira frase deve ser significativa, ficando explícito o tema principal do documento. A seguir, deve-se indicar a informação sobre a categoria do tratamento (memória, estudo de caso, análise da situação etc.) situando-o no tempo e no espaço.
2.3.2 Deve-se usar o verbo na voz ativa e na terceira pessoa do singular.
2.3.3 Evitar o uso de citações bibliográficas.
2.3.4 Palavra-chave: Palavra representativa do conteúdo do documento, escolhida, preferencialmente, em vocabulário controlado.
As palavras-chave devem figurar logo abaixo do resumo, antecedidas da expressão Palavras-chave, separadas entre si por ponto e finalizadas também por ponto.
2.3.5 Quanto a sua extensão os resumos devem ter:
a) de 150 a 500 palavras os de trabalhos acadêmicos (teses, dissertações e outros) e relatórios técnico-científicos;
b) de 100 a 250 palavras os de artigos de periódicos;
c) de 50 a 100 palavras os destinados a indicações breves.

3. Estrutura Retórica do Resumo Acadêmico

Os resumos de quase todas as áreas de estudo são escritos de uma maneira muito similar (Weissberg & Buker, 1990). Os tipos de informação incluídos e a ordem em que aparecem são muito convencionais, de modo que podem ser enunciados como modelos de resumo, que visam guiar o escritor na escolha do tipo de informação que deve ser incluída no resumo e da ordem que devem obedecer. Vários autores apresentam modelos de resumo. Embora cada autor tenha a sua forma de expressar o modelo, existe um consenso sobre os elementos típicos e sua ordem. Apresentamos o modelo de Weissberg & Buker (Quadro 1), por ser o mais detalhado e abranger também os outros modelos citados.

Quadro 1. Modelo de resumo típico (Weissberg & Buker, 1990).
__________________________________________________
1. Alguma informação de contextualização (background)
2. A principal atividade do estudo (seu propósito) e seu escopo
3. Alguma informação sobre a metodologia usada no estudo
4. Os resultados mais importantes do estudo
5. Uma informação de conclusão ou recomendação
__________________________________________________

Nota-se que os cinco elementos citados no modelo de Weissberg & Buker direcionam para a composição de um resumo informativo, onde todos os elementos principais do texto são citados. Esses elementos são semelhantes aos encontrados nas introduções, porém escritos de forma tão concisa quanto possível. Para situações de limite de palavras, um tipo mais curto de resumo pode ser escrito por meio da eliminação ou combinação de alguns dos elementos citados anteriormente - apenas dois ou três elementos dos cinco citados no modelo anterior, com a ênfase sendo colocada nos resultados do estudo. A informação de background nesse caso é retirada, sendo apresentados primeiramente os propósitos e a metodologia utilizada, combinadamente.

3. 1. Movimentos Retóricos do Resumo Acadêmico

Diante de todas essas considerações, defino como resumo acadêmico um texto que explicita de forma clara uma compreensão global do texto lido, produzido por um aluno-leitor que tem a função demonstrar ao professor-avaliador que leu e compreendeu o texto pedido, apropriando-se globalmente do saber institucionalmente valorizado nele contido e das normas as quais o gênero está sujeito. Nessa esfera de circulação, a função do resumo acadêmico é ser um texto autônomo, que recupera de forma concisa o conteúdo do texto lido numa espécie de equivalência informativa que conserva ou não a organização do texto original. (c.f Machado (2002); Matêncio (1997); Biasi-Rodrigues (1998); NBR 6028:2003 da ABNT.
Em atividades acadêmicas, o resumo deverá obedecer a uma organização retórica da informação contida no texto, observe:
___________________________________________________
MOVIMENTO 1 – SITUAR A PESQUISA
Sub-função 1A - Estabelecer interesse profissional no tópico ou
Sub-função 1B – Fazer generalizações do tópico                    e/ou
Sub-função 2A – Citar pesquisas prévias                                 ou
Sub-função 2B – Estender pesquisas prévias                          ou
Sub-função 2C – Contra-argumentar pesquisas prévias          ou
Sub-função 2D – Indicar lacunas em pesquisas prévias
MOVIMENTO 2 – APRESENTAR A PESQUISA
Sub-função 1A – Indicar as principais características              ou
Sub-função 1B – Apresentar os principais objetivos                e/ou
Sub-função 2 – Levantar hipóteses
MOVIMENTO 3 – DESCREVER A METODOLOGIA
MOVIMENTO 4 – SUMARIZAR OS RESULTADOS
MOVIMENTO 5– DISCUTIR A PESQUISA
Sub-função 1 – Elaborar conclusões                                        e/ou
Sub-função2 – Recomendar futuras pesquisas
__________________________________________________
Figura 1: Extensão do modelo de Santos (1996, p. 485) proposta por Motta-Roth e Hendges (1996, p. 68).

4. Modelos de Resumos Acadêmicos

Luzinete CARPIN – UFSC

Resumo: O presente estudo situa-se no domínio da Lingüística Aplicada, ensino-aprendizagem de língua materna, na área de produção textual escrita, a partir da noção de gêneros textuais, especificamente do gênero resenha acadêmica no ensino superior (situar a pesquisa). Para fundamentá-lo, buscamos sustentação nos estudos lingüísticos de linha enunciativo-discursiva. A justificativa para este estudo nasceu da constatação de que os alunos ao chegarem à universidade não reconhecem textos nos gêneros científico-acadêmicos, conseqüentemente, não conseguem escrevê-los. Nosso objetivo foi aplicar a teoria dialógica da linguagem, proposta por Bakhtin e Volochinov (1999), ao ensino-aprendizagem do gênero resenha acadêmica, bem como à análise e descrição interpretativa dos aspectos constitutivos do gênero – dimensão social e verbal – em vinte textos de alunos de primeira fase do curso de Pedagogia (Faculdade Municipal de Palhoça – grupo1) e em vinte textos de alunos de primeira fase do curso de Biblioteconomia (Universidade Federal de Santa Catarina – grupo 2) (apresentar a pesquisa). Seguindo essa vertente, elaboramos um projeto a partir dos pressupostos filosóficos bakhtinianos, e também nos apoiamos em conceitos propostos por Vygotsky (2000) no que diz respeito à concepção de ensino-aprendizagem, e o aplicamos apenas aos alunos do curso de Biblioteconomia (descrever a metodologia). A partir disso, a pesquisa se propôs a promover ações de intervenção em relação ao “domínio” do gênero pelos alunos, especialmente, nos aspectos constitutivos (conteúdo temático, organização composicional e estilo). Os resultados indicam que são perceptíveis as contribuições dessa abordagem à aprendizagem dos alunos do ensino superior, pois na análise de dados observamos um contraste significativo nos dois grupos de textos. O grupo 2, que experienciou o processo, conseguiu fazer uso das dimensões social e verbal, das relações dialógicas do gênero através de seus traços constitutivos, enquanto que o grupo 1, que não passou pelo processo, utilizou em menor número esses elementos e em menor percentagem de textos (sumarizar os resultados). Os resultados comprovam desconhecimento parcial do gênero por parte desses alunos e corrobora a relevância da pesquisa. No que diz respeito à necessidade de se promover o acesso de alunos a gêneros secundários, em nosso caso, resenha acadêmica, cabe à instituição fazê-lo (discutir a pesquisa).

Palavras-chave: Lingüística Aplicada; resenha acadêmica; ensino-aprendizagem.

ANÁLISE DE GÊNERO: INVESTIGAÇÃO DA ORGANIZAÇÃO RETÓRICA DE NOTÍCIAS DE POPULARIZAÇÃO DA CIÊNCIA EM LÍNGUA PORTUGUESA

Cristina dos Santos LOVATO (Mestranda – Profa. Dra. Désirée Motta-Roth)
Resumo: Neste trabalho, propomos analisar os movimentos retóricos de notícias de popularização da ciência (PC) em português, contribuindo para o projeto guarda-chuva Análise crítica de gêneros com foco em artigos de popularização da ciência (CNPq/PQ nº. 301962/2007-3) (situar/apresentar a pesquisa). Os movimentos são segmentos textuais com funções comunicativas específicas que corroboram a realização do objetivo principal do gênero (MOTTA-ROTH, 1995, p. 44). Partimos do estudo de Swales (1990, 2004) sobre a estrutura retórica e Nwogu (1991) sobre a versão jornalística de textos científicos para elaborar uma descrição esquemática das notícias de PC em português (apresentar/fundamentar a pesquisa). O corpus de 15 notícias de PC será extraído da revista eletrônica Ciência Hoje On-line, entre 2000 e 2008 (descrever metodologia). A análise em andamento de 15 notícias aponta a necessidade de uma descrição esquemática que dê conta de textos publicados recentemente na internet em português (sumarizar/discutir a pesquisa).

Palavras-chave: análise de gênero; notícia de popularização da ciência; organização retórica.

(Re)construindo a Identidade e a Estética da Pesquisa Acadêmica:
Concepções Prototípicas de Produção do Gênero Artigo Científico

Francisco Geimes de Oliveira SILVA
Graduando do Curso de Letras-Português-FAFIDAM/UECE e
Monitor da Disciplina de Produção de Gêneros Acadêmicos.

Resumo: Este trabalho pretende fazer uma análise prototípica do gênero textual: artigo científico, objetivando compreender os processos de produção desse gênero pelos graduandos de Letras-Português da Faculdade de Filosofia Dom Aureliano Matos. É nesse contexto que observaremos como o artigo científico é solicitado no espaço acadêmico por ser essencial na produção do discurso científico dessa comunidade por ter a finalidade central: divulgar a síntese analítica de estudos e resultados de pesquisas, formando; portanto, seção principal em periódicos (situar a pesquisa). Dessa forma, compreenderemos o artigo acadêmico de acordo com Swales (1990); Motta-Roth (2002), apud Bernardino (2007), sendo a atividade de redação acadêmica mais direcionada aos propósitos de investigação de um determinado assunto. Esse gênero textual é, retoricamente, classificado por Bernardino (2007) em sua pesquisa de doutoramento O metadiscurso interpessoal em artigos acadêmicos: espaço de negociações e construção de posicionamentos, em: artigo experimental, artigo teórico e artigo de revisão (apresentar a pesquisa). Buscou-se, a partir das concepções dos alunos de Letras da Faculdade de Filosofia Dom Aureliano Matos estabelecer os objetivos, as classificações, as estruturas retóricas dessas modalidades de artigos mencionados, bem como enumerar as divergências e as dificuldades metodológicas de produção, planejamento e organização desses gêneros acadêmicos em relação às orientações das Normatizações da Associação Brasileira de Normas Técnicas para Trabalhos Acadêmicos (NBRs) 6022/2003, 6023/2002 e 10520/2002 (descrever a metodologia). Conclui-se, a fortiori, que teremos por meio dessa pesquisa um corpus lingüístico favorável para percebermos que técnicas, métodos e procedimentos lingüístico-textuais são empregados pelos alunos para se produzir às modalidades de artigo acima de maneira mais proficiente e aproveitável (sumarizar/discutir a pesquisa).

Palavras-chave: Artigo Científico. Objetivos. Classificações. Estrutura Retórica.

FORMA E FUNÇÃO DOS DÊITICOS DISCURSIVOS EM TERMOS DE DEPOIMENTO E ACÓRDÃOS

Antônio Lailton Moraes DUARTE
PPgL/Universidade Federal do Ceará

Resumo: Esta investigação busca caracterizar as formas e as funções dos dêiticos discursivos nos gêneros jurídicos, Termos de depoimento e Acórdãos (situar a pesquisa). Para tal empreitada, partiremos da noção de dêixis discursiva como sendo as expressões referenciais que recuperam informações dentro do cotexto; marcam algum local do espaço geográfico do texto, ao tomar como ponto de partida o momento da formulação; e adquirem estatuto de referentes através de um processo de nomeação (ver Cavalcante, 2000) (situar/apresentar a pesquisa). Nossa pesquisa será desenvolvida com base numa amostra de 08 depoimentos jurídicos e 08 acórdãos, selecionados, aleatoriamente, do corpus escrito do projeto integrado Gêneros Textuais e Referenciação, em andamento na UFC (descrever a metodologia). A análise efetuada tem mostrado, até agora, que, nos dois gêneros jurídicos analisados, os dêiticos discursivos exercem um papel localizador-organizador à medida que orientam o leitor dentro do próprio texto (sumarizar a pesquisa). Já o papel argumentativo e a constituição sem elementos dêiticos demonstrativos e advérbios demonstrativos explícitos foram encontradas apenas nos Acórdãos. Nos dois gêneros jurídicos, o comportamento dos dêiticos discursivos é diferente, pois está atrelado à outras funções destes elementos nos gêneros em estudo (discutir a pesquisa).

Palavras-chave: Gêneros jurídicos; termos de depoimento; acórdãos; dêiticos discursivos.

Descrição do gênero carta de leitor

Ana Maria Pereira LIMA
PPgL/Universidade Federal do Ceará
 
Resumo: Este trabalho tem como objetivo descrever o gênero discursivo Carta de leitor. Analisamos 359 cartas publicadas nas revistas VEJA e ISTOÉ, no período correspondente ao primeiro trimestre de 1999, observando–se suas condições de produção (situar a pesquisa). A natureza dos debates travados na seção possibilitou a divisão em temas pertencentes à esfera pública e temas da esfera privada. Com base nesta divisão, pudemos classificar as estratégias argumentativas que se diferenciam de acordo com as esferas às quais as cartas encontram-se submetidas e exigem de seus autores posturas diferenciadas no trato com os temas (apresentar a pesquisa). Este fato foi constatado a partir da análise de um tema da esfera pública, o caso Itamar Franco e um tema da esfera privada, o relacionamento entre homens e mulheres. No caso Itamar Franco e do episódio de decretação da moratória da dívida do governo de Minas Gerais, foram selecionadas 51 cartas. Os principais atos de fala revelam críticas à atitude tomada pelo governador de Minas Gerais, Itamar Franco, e posicionam–se favoravelmente ao governo de Fernando Henrique (descrever a metodologia). Os autores/leitores imprimiram aos textos das cartas uma organização argumentativa com predomínio da 3a pessoa e do propósito de conseguirem de seus leitores a adesão para seus posicionamentos. Em relação à esfera privada, foram selecionadas 16 cartas que discutiam o relacionamento entre homens e mulheres no tocante a Casamento e Separação. O comportamento dos autores/leitores demonstra a exposição de valores da sociedade, pondo-os em julgamento e estabelecendo dentro da comunidade retórica um sentimento de simpatia, de conquista dos leitores, dando-lhes o papel de cúmplices. Prevalece na organização argumentativa do texto o uso da 1a pessoa (sumarizar a pesquisa). Como análise da interferência do veículo para a organização do gênero, as cartas enviadas via e-mail apresentam, como regularidade, aspectos relacionados ao tamanho do texto e o uso predominante de 1a pessoa, independentemente da esfera a qual o assunto discutido se submete (discutir a pesquisa).

Palavras-chave: Gênero do discurso, condições de produção, comunidades retóricas, esferas pública e privada.
               
Chat na web: um estudo de gênero hipertextual

Júlio César Rosa de ARAÚJO
PPgL/Universidade Federal do Ceará

Resumo: Esta pesquisa investiga as hipóteses de que o chat é um gênero do discurso formado pela transmutação do diálogo cotidiano para a Web e de que um grupo específico de internautas, que se autodenomina Tananans, constitui-se em uma comunidade discursiva (situar a pesquisa). As bases teóricas utilizadas para a verificação dessas hipóteses foram a teoria enunciativa de Bakhtin (1981; 1997) e a noção de comunidade discursiva de Swales (1990; 1992) (apresentar a pesquisa). O corpus é resultado de uma pesquisa de cunho etnográfico, realizada em uma sala específica de chat. Focalizou-se, primeiramente, a superposição de elementos semióticos, que confere ao chat marcas da esfera na qual o evento se insere, para, posteriormente, realizar a aplicação dos critérios de comunidade discursiva de Swales ao grupo Tananans (descrever a metodologia). O estudo mostra que o chat é o principal gênero que dá suporte verbal à comunicação entre os internautas estudados. Tal gênero é marcado por um jogo intenso de semioses que simulam gestos, sons e expressões próprias da interação oral, permitindo a conclusão de que a intersemiose som-imagem-escrita, por suprir as lacunas paralingüísticas, mostra-se como marca da transposição do diálogo cotidiano para a Web (sumarizar a pesquisa). Verificou-se, ainda, que embora a prática comunicativa dos Tananans tenha iniciado das interações via chat, esta se expande para outros mecanismos e gêneros apropriados pelo grupo, permitindo a validação da hipótese de que este grupo é uma comunidade discursiva no sentido que lhe dá Swales (discutir a pesquisa).

Palavras-chave: chat, gênero do discurso, comunidade discursiva.


A metátese da consoante vibrante [r] nos padrões silábicos CVC e CCV(C) no português falado em Russas/Ce: uma abordagem sócio-dialetal

Ana Gláucia Jerônimo de CASTRO
PPgL/Universidade Federal do Ceará

Resumo: Esta pesquisa tem como objeto de análise o fenômeno fonético da metátese da consoante vibrante /r/ nos padrões silábicos CVC e CCV(C) no português falado de Russas/CE (situar a pesquisa). Por metátese entende-se o deslocamento da vibrante /r/ que pode ocorrer na mesma sílaba (metátese intra-silábica), como em terçol [te?¶s?w] ~ [t§ey¶s?w], ou de uma sílaba para outra (metátese intersilábica), como em iogurte [io¶?u?t©i] ~ [io?¶?ut©i] (apresentar a pesquisa). A investigação se serviu de pressupostos teórico-metodológicos desenvolvidos pela Dialetologia e pela Sociolingüística. O corpus de análise é constituído por dezoito informantes naturais da localidade em estudo e selecionados mediante o critério de amostragem aleatória por sexo, faixa etária e escolaridade. Os dados foram obtidos mediante a aplicação de um questionário fonético-fonológico semi-dirigido com palavras que poderiam ou não atualizar o fenômeno da metátese do /r/. Com este instrumento, objetivou-se verificar se fatores sociais e/ou lingüísticos influenciam a variação em estudo (descrever a metodologia). A análise dos dados mostrou que a posição dos padrões silábicos CVC e CCV(C) na palavra constitui o fator lingüístico de maior relevância para a ocorrência da metátese, ou seja, em posição medial, os padrões citados favorecem a aplicação da metátese do /r/ (sumarizar a pesquisa). Quanto aos dados sociais controlados na pesquisa, a escolaridade é o fator mais significativo para a ocorrência do fenômeno uma vez que quanto mais baixo o nível de escolaridade, maior é a incidência da metátese (discutir a pesquisa).

Palavras-chave: falares regionais; variação; metátese; consoante vibrante.


GÊNEROS ACADÊMICOS: UMA ABORDAGEM SOBRE AS ORIENTAÇÕES DOS MANUAIS DE METODOLOGIA CIENTÍFICA

Lúcia Maria de Sousa Ribeiro – UECE/FAFIDAM

Resumo: Esta pesquisa tem por objetivo analisar as orientações apresentadas pelos manuais de metodologia científica sobre os gêneros resenha acadêmica e artigo acadêmico, comparando-os com a visão de lingüistas que tratam desses gêneros e com a Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT) (situar/apresentar a pesquisa). Para cumprirmos esse objetivo, investigamos um corpus composto por quatro manuais de metodologia científica, observando e comparando como eles fazem suas orientações sobre os dois gêneros supracitados (descrever a metodologia).


O METADISCURSO INTERPESSOAL EM ARTIGOS
ACADÊMICOS: ESPAÇO DE NEGOCIAÇÕES E CONSTRUÇÃO
DE POSICIONAMENTOS
                                                                         
Cibele Gadelha BERNARDINO – UECE

RESUMO: Esta tese investiga a construção do metadiscurso interpessoal em exemplares de artigos acadêmicos produzidos por autores(as) brasileiros(as), visando indagar como os marcadores metadiscursivos interpessoais (HYLAND, 2000) realizados por adjuntos modais (HALLIDAY, 1994) são utilizados pelos(as) autores(as) brasileiros(as) da área de lingüística em exemplares de artigos acadêmicos experimentais, teóricos e de revisão de literatura (SWALES, 2004) (situar a pesquisa). Para cumprir tal objetivo, investigamos um corpus composto por 10 exemplares de artigos experimentais, 10 exemplares de artigos de revisão de literatura e de 10 exemplares de artigos teóricos, compilados a partir de exemplares do periódico D.E.L.T.A. disponíveis no site http://www.scielo.br, e publicados no período compreendido entre os anos de 1997 e 2004 (apresentar a pesquisa). Para o levantamento e mapeamento dos adjuntos modais que funcionaram como marcadores interpessoais foi feita uma anotação manual do corpus que permitiu extrair dados quantitativos com o programa WordSmith Tools. No primeiro momento de análise, os advérbios que funcionaram como adjuntos modais foram manualmente anotados, depois fizemos uma classificação dos tipos de adjuntos segundo Halliday (1994) e Halliday & Matthiessen (2004) em diálogo com abordagens funcionais do português (NEVES, 2000). Em um terceiro momento, identificamos os adjuntos modais que funcionaram como marcadores interpessoais (HYLAND,1998/2000) (descrever a metodologia). Por fim, uma analise mais detalhada de cada tipo de artigo e de suas unidades retóricas foi realizada para examinar os marcadores interpessoais em seus co-textos. A análise dos dados apontou para os seguintes resultados: (a) nos três corpora o marcador metadiscursivo mais utilizado pelos(as) autores(as) foi o marcador atributivo realizado por adjuntos modais de validade, intensidade e usualidade; (b) Os marcadores metadiscursivos de ênfase foram realizados por adjuntos modais de suposição, persuasão, probabilidade, obviedade e intensidade e o numero de ocorrências desses marcadores foi muito próximo nas três categorias de artigos, sendo levemente maior em artigos teóricos (c) os marcadores metadiscursivos de atenuação foram realizados, nos três corpora, por adjuntos modais de probabilidade e suposição, com predomínio absoluto dos adjuntos de probabilidade O número de marcadores de atenuação foi bastante superior nos exemplares dos artigos experimentais se comparado ao numero desses marcadores em artigos teóricos e de revisão de literatura; e (d) os marcadores metadiscursivos atitudinais realizados pelos adjuntos modais de desejo, predição e intensidade foram os menos utilizados em todas as três categorias de artigos (sumarizar a pesquisa). E importante salientar que os(as) autores(as) de artigos experimentais utilizaram mais marcadores metadiscursivos que os(as) autores(as) de artigos teóricos e de revisão de literatura. Esta distinção deve-se, principalmente, as diferenças quanto ao uso dos marcadores metadiscursivos interpessoais de atenuação nos três corpora, uma vez que esse tipo de recurso metadiscursivo foi, preferencialmente, utilizado nos artigos experimentais. Este fato deve-se a presença marcante desses marcadores na unidade retórica Resultados e Discussão, que e típica dos artigos experimentais. Isto indica que em contraste com artigos teóricos e de revisão de literatura, em artigos experimentais, os(as) autores(as) parecem ter uma maior preocupação em atenuar a forca asseverativa de suas afirmações, assim como em apresentar-se como fonte de suas proposições, deixando um espaço de negociação mais amplamente aberto com seus pares da comunidade disciplinar (discutir a pesquisa).

CONSIDERAÇÕES FINAIS

Concluí-se, a fortiori, que na prática acadêmica a atividade de resumir é comumente solicitada pelos professores de ensino superior que propõem a produção de resumos de gêneros em circulação no contexto universitário. Esses gêneros caracterizam-se por possuírem um enunciador “autorizado” pelo meio científico a veicular conhecimentos advindos de estudos e pesquisas. Essa autorização, somada ao poder da escrita, pode criar para o leitor um efeito de verdade, situando o discurso científico num espaço do saber que encontra respaldo na ciência.
Compreende-se, portanto, que segundo Martins (2002), cujo texto é replicado ou citado por quase todos os manuais de redação, faz a seguinte explicação sobre o resumo, tratando-o como uma apresentação concisa de todos os pontos relevantes do trabalho. Visa a fornecer elementos capazes para permitir ao leitor decidir sobre a necessidade de consulta integral do texto.
O resumo deve ressaltar a problemática que se pretendeu solucionar e explicar; os objetivos; a abordagem metodológica empreendida; os resultados e as conclusões ou considerações finais. Os resultados devem evidenciar, conforme os achados da pesquisa: o surgimento de fatos novos, descobertas significativas, contradições com teorias anteriores, bem como relações e efeitos novos verificados.
O resumo deve ser composto de uma seqüência corrente de frases concisas, e não de uma enumeração de tópicos.

REFERÊNCIAIS

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MACHADO, A. R. Revisitando o conceito de resumos. In: DIONISIO, A. P; MACHADO, A. R.; BEZERRA, M. A. (Orgs.). Gêneros Textuais e Ensino. Rio de Janeiro: Lucerna, 2002, p. 138-150.

MARTINS, G.A. Manual para elaboração de monografias e dissertações. 3.ed. São Paulo: Atlas, 2002.

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SILVA, J. Q. G.; MATA, M. A. da. Proposta tipológica de resumos: um estudo exploratório das práticas de ensino da leitura e da produção de textos acadêmicos. Scripta, vol 6, nº 11. Belo Horizonte, 123-133, 2002.

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Geimes Oliveira
Enviado por Geimes Oliveira em 24/03/2009
Código do texto: T1503147

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Sobre o autor
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