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Massificação das artes

Desde muito tempo, parte da arte em geral tem sido constantemente utilizada para fins além da memória do povo. Mesmo após a implantação da lei que proíbe o jabá, modismos passageiros sem profundidade lírica ainda ditam as paradas de sucesso nas rádios. As novelas ainda tomam conta do horário nobre das emissoras da TV. Muitas instalações expostas em museus se tornam inacessíveis, em todos os sentidos.

Como mudar essa situação? Boicotando as grandes gravadoras? Fazendo campanhas como um abaixo assinado para mudar a programação da TV aberta? Só assistir filmes nacionais de vanguarda e europeus? A questão é mais complexa...

O acesso à educação, a livros e à cultura ainda é restrito. A educação também sofre com uma crise que envolve não só a própria educação, mas também a falta de investimentos. É possível encontrar, no Brasil, analfabetos que estão há um bom tempo na escola.

Os grandes meios de Comunicação de massa acabam, muitas vezes, se aproveitando da situação e manipulam “implicitamente” o povo, ditando o que é bom e ruim em termos de valores sociais, culturais e ideológicos.

Aprendi em Arte e Estética, uma matéria interessante da faculdade, a importância do valor cultural de um povo. A partir desse conceito, acredito que, mesmo em meio às manipulações, a arte ainda pode fazer revoluções e transformar a sociedade.

A arte em geral - que é reflexo e concretização (em forma sólida e idealizada) dos valores culturais, sociais e ideológicos de uma sociedade -, pode ser massificada de duas formas: democraticamente ou imposta pelos meios de comunicação em massa.

De fato, a massificação é necessária como forma de inclusão do povo à arte, ou da arte ao povo. Porém, o problema é a forma em que é massificada e não o fato de sê-la.

A interpretação causada sobre a arte quando adquirida (recebida) pelo povo (espectador) se torna inacessível ou limitada para um grande número de pessoas, que são excluídas da cultura e da educação, fatores fundamentais para compreendê-la, apreciá-la e vivê-la.

Além de restrita muitas vezes como sendo arte o que a mídia impõe, essa interpretação por parte do povo se torna tendenciosa e auto-exclusora pelos valores impostos pela elite. Ficamos sempre com a impressão de que o que vem de fora é sempre mais valorizado ou que devemos apreciar apenas filmes "hollywoodianos".

O Brasil é um país reconhecido internacionalmente por uma cultura popular rica e abrangente. O valor cultural do povo brasileiro é maior do que o próprio povo reconhece. Faltam educação e inclusão social e cultural para perceber e valorizar tal qualidade.
Rafael Saraiva
Enviado por Rafael Saraiva em 01/06/2009
Código do texto: T1627278

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Sobre o autor
Rafael Saraiva
Niterói - Rio de Janeiro - Brasil, 27 anos
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