Capa
Cadastro
Textos
Áudios
Autores
Mural
Escrivaninha
Ajuda
Textos
Texto

Bandos, Bandidos Bandoleiros

BANDOS, BANDIDOS BANDOLEIROS

Vejo desde a infância o quanto prevalece a covardia dos bandos de fracos. Falo dos vis, dos baixos espíritos covardes, pois é próprio dos tais covardes agirem em bandos, pois quando sós, tremem enquanto que o forte, sendo avesso aos bandos, anda só, briga só e não teme nem treme.

Assim pois vi tombarem tantos amigos que amei, como ví tombarem meus pais, todos fortes, pois é  o cerco dos bandos de fracos que derruba o forte. Mas o forte mesmo sob o véu da morte mantém digna a fronte e calmas as cruzadas mãos,  são lindas as mãos dos fortes, mesmo após a morte são severas e serenas...

Nunca temi os bandos, mas para eles sempre perdí e sei, sempre perderei, porém temê-los jamais. Só um medo tenho eu, um único terror em relação aos bandos e afins: é o de que cerquem os que a mim restaram  nesta vida, aos que tanto amo e venero, meus filhos, sem eles não viveria.

Não os eduquei nem educo com mimos, não lhes dei o que não fizeram por merecer, nunca me sacrifiquei para seus caprichos obedecer, criei-os para serem homens briosos e íntegros, ensinei-lhes que a honra e a dignidade não são meras qualidades e sim parte integrante do ser, e que o caráter de um homem se toma pelas condutas vida afora. Apesar da alcunha de carrasca, apesar das diferenças, tenho imenso orgulho destes meus dois filhos que são homens  altaneiros, batalhadores e fortes.
 
Eis que aconteceu o mais por mim temido, meu filho que não é melhor nem pior que todos os filhos para todas as mães, foi cercado por um bando de fracas hienas famintas e loucas e preso foi levado, e muito foi espancado, meu filho que só queria receber seu suado salário ganho em madrugas frias ou quentes, meu filho que quis fazer valer seu direito de cidadão ao tentar receber o que lhe era de direito, o que foi calculado pelo sindicato da categoria, não recebeu o quantum lhe pertencia e, muito ao contrário foi aviltado, ameaçado de não mais poder laborar em qualquer local compatível com sua profissão, caso não concordasse em assinar sua rescisão dentro dos ditames e termos do Patrão.  Não aceitou, não suportou a pressão.   Num átimo de desespero jogou no chão a impressora do patrão malandrão. Meu filho errou, caiu no jogo da guerra de nervos.

Era só o que o espertalhão queria para chamar a polícia e, dentro das dependências da  Empresa , MEU FILHO FOI ESPANCADO, FOI JOGADO DENTRO DE UM CAMBURÃO  E EM TODA A TRAJETÓRIA ATÉ A DELEGACIA CONTINUOU SENDO ESPANCADO, ESTANDO O TEMPO TODO ALGEMADO, TAPAS NO ROSTO, CASSETETE NAS COSTAS, DENTRO DA DELEGACIA MEU FILHO CONTINUOU SENDO ESPANCADO E QUANDO CHOROU FOI  HUMILHADO EM SUA DIGNIDADE E DIREITO DE CHORAR, FOI COLOCADO EM UMA CELA A ESPERAR O DELEGADO CHEGAR. E MEU FILHO SÓ QUERIA RECEBER O FRUTO DE SEU TRABALHO .

Ante todo o exposto nós os pais sabedores que nosso filho, assim como qualquer preso tem o sagrado direito à sua integridade física e moral, vamos tomar as devidas e cabíveis providências em relação aos policiais-feras assim como em relação ao caloteiro patrão, que fez das dependências de sua Empresa,  LOCAL DE TORTURA para espancamento de nosso filho. Não descansaremos, não desistiremos  enquanto as autoridades competentes não tomarem as medidas necessárias para o caso em pauta ou seja, o afastamento imediato dos insanos que comprovaram ser esta costumeira forma de agir no exercício de suas funções, sendo fato que os mesmos não possuem a mínima condição sob qualquer prisma para que permaneçam nos quadros da Polícia Militar ou qualquer outra função que exija a presença dos mesmos transitando no seio da sociedade.
De toda sorte, é bom que se tenha em mente um fato: enquanto pessoas que acreditam que o Poder Público lhes delegou poderes para aplicar pena de castigo corporal (poder que o Estado não tem, diga-se de passagem) àquele que tenha a desdita de cair em suas garras continuarem integrando a Instituição Policial (pouco importa se polícia judiciária ou polícia militar), escudando-se em um distintivo ou em uma farda ou ainda no altamente convincente argumento do “trezoitão” engatilhado na cabeça da vítima, o cidadão (aquele que paga os salários dos coronéis, delegados, praças...), continuará a caminhar no fio da navalha, ora esquivando-se dos bandidos que roubam, sequestram, estupram, enfim, dos marginais que pelo menos assumem às escâncaras esta condição de bandidos, ora desviando-se dos homens que institucionalmente estão ali para protegê-lo, pois nunca terá a certeza de que, sob uma farda ou em uma delegacia não encontrará um algoz, um bandido que não tendo hombridade bastante para assumir sua essência marginal, prefere ocultar-se à sombra de uma digna e essencial função estatal desempenhada por agentes do poder público que têm delineado, na Constituição Federal, suas atribuições e o exato e tolerável limite de sua atuação. (Const. Fed. art. 144, parág. 4o. e 5o.).
Não vou generalizar, tampouco achar que a Polícia Militar ou Civil não presta, é isto ou aquilo, pois sei que muitos tombam no correto cumprimento de suas funções, também muitos estão ali fazendo um belo trabalho em troca de um ridículo salário, porém tem sua banda podre (como de resto toda categoria profissional tem), e o que faz alguém ou alguns podre ou podres não é a farda, profissão, credo etc., tais seres já nascem com predisposição para o mal, já nascem podres e assim morrem e, quando mortos, suas mãos mais parecem garras horripilantes.
Por último, um conselho àqueles que, como meu filho, foram vítimas dos desmandos e desvarios de pessoas despreparadas para exercer qualquer função pública: não se calem, não sintam vergonha da impotência diante da agressão covarde, pois a vergonha, em verdade, é toda ela dos covardes agressores e esses chacais somente agridem, vilipendiam os mais elementares direitos constitucionais do cidadão apostando que a vítima terá vergonha de seus hematomas e se calará, como a dizer que Cristo deveria ter vergonha de suas chagas!

DOROTHY
                                             
Dorothy Carvalho
Enviado por Dorothy Carvalho em 28/05/2006
Reeditado em 25/08/2007
Código do texto: T164714
Classificação de conteúdo: seguro

Esta obra está licenciada sob uma Licença Creative Commons. Você pode copiar, distribuir, exibir, executar, desde que seja dado crédito ao autor original (Dorothy Carvalho www.dorothycarvalho.recantodasletras.com.br). Você não pode fazer uso comercial desta obra. Você não pode criar obras derivadas.
Enviar por e-mail
Denunciar

Comentários

Sobre a autora
Dorothy Carvalho
Rubiataba - Goiás - Brasil
351 textos (53934 leituras)
1 e-livros (85 leituras)
(estatísticas atualizadas diariamente - última atualização em 05/12/16 10:47)
Dorothy Carvalho