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Responsabilidade Pessoal e Felicidade

Nos últimos anos temos visto crescer a idéia da responsabilidade social. Com a globalização, a degradação do meio ambiente, os altos níveis de pobreza e analfabetismo, que atingem a maior parte da população mundial, cresce a preocupação com a qualidade de vida das pessoas. Muitas empresas e a sociedade civil organizada estão empenhadas em contribuir com essa questão, desenvolvendo projetos sociais e ambientais, sempre no sentido de se posicionarem frente ao mundo de modo mais participativo e responsável.
O fato é que essa mudança de comportamento trouxe resultados satisfatórios já num curto espaço de tempo. As pessoas têm tido oportunidade de tomar consciência de sua responsabilidade pela criação de um mundo melhor, e com isso, têm podido usufruir de melhor qualidade de vida. A longo prazo, ainda, essa nova postura trará muito mais benefícios às gerações futuras.
Essa tomada de consciência, para com as questões mundiais, pode ser estendida, também, para o nível particular da vida das pessoas. Estaremos falando, então, da responsabilidade pessoal. Nesse âmbito privado, assim como no caso da responsabilidade social, é somente quando tomamos consciência de que nós somos os responsáveis pela qualidade de nossas vidas e por nossa felicidade, que as coisas podem começar a melhorar.
Uma pessoa, por exemplo, só pode ter uma vida saudável, se decide se responsabilizar por sua alimentação, pelas horas de sono, pela prática de exercícios, pela busca por prazer no seu trabalho, pela busca de lazer e melhores relacionamentos conjugais, familiares, de amizade e sociais.
O que percebemos é que há uma tendência muito forte de as pessoas procurarem não se responsabilizar pelas próprias vidas e pelo que a elas acontece.
As pessoas querem ser felizes, mas não querem se responsabilizar por isso. Então, culpam o destino, o outro, a educação, os pais, a escola, o governo, ou quem quer que sirva para se encaixar nesse papel. O velho e bom papel de vítima cai muito bem para a maioria.
O que as pessoas muitas vezes não sabem, é que esse papel de vítima, na mesma medida em que parece livrá-las da responsabilidade pelos acontecimentos bons ou ruins de suas vidas, em verdade, as aprisiona. No momento em que uma pessoa responsabiliza alguém ou alguma coisa pelo que acontece a si mesma, ela está entregando, nas mãos dessa pessoa ou dessa coisa, a solução para seus problemas e, conseqüentemente, a sua felicidade.
Pensemos, por exemplo, no caso de alguém que acredite que somente será feliz quando conseguir namorar ou se casar com determinada pessoa. Nesse momento, ela entregou a sua própria felicidade ao controle de alguém que está fora dela, que não é ela. Se essa outra tiver o mesmo desejo que a primeira, teremos um problema a menos aí. Mas se essa outra pessoa, nem de longe, tiver o desejo de namorá-la, a situação poderá ser muito mais delicada.
Diante desses fatos, à primeira caberá duas opções: ou ela desiste desse desejo e parte para outra; ou ela não abre mão dessa escolha e então, poderá passar o resto de sua vida sentindo-se amargurada e culpando o destino ou essa outra pessoa por sua infelicidade. Mas quem decidiu investir eternamente em uma possibilidade de um relacionamento que de cara mostrou-se fracassado, foi ela.
O que provavelmente faltou, para essa pessoa em questão, foi usar de reflexão e conscientização da escolha que estava fazendo, e entender que ela é responsável por sua felicidade e, como tal, deve tomar para si as decisões sobre os rumos de sua vida.
Todos nós somos dotados de livre-arbítrio. Temos poder de decidir, pelo menos em alguns níveis, sobre o que queremos fazer ou não de nossas vidas. Somos responsáveis pelas nossas escolhas e opções, e temos sempre de arcar com as conseqüências, boas ou ruins, que advêm destas.
Manter uma postura essencialmente responsável, com melhores escolhas nos dá maior poder e autonomia para gerir nossas vidas. E as melhores escolhas serão sempre aquelas, que, antes de qualquer outra coisa, estão em consonância com nosso interior.
A coerência com nosso interior é respeitada quando buscamos realizar aquilo que sentimos ser verdadeiramente importante para nós. Mas, não é só isso que torna uma escolha acertada. Além de respeitar nossos sentimentos, precisamos lembrar de examinar a realidade, para ver se nosso desejo nela se encaixa. Quando essas condições, interna e externa, são respeitadas, pode-se alcançar um estado de harmonia interior, que nos permite sentir prazer e bem estar nas pequenas conquistas do dia-a-dia.
E não há outro modo de se chegar a isso a não ser pela reflexão que leva à tomada de consciência. Daí, ser tão importante refletir sobre quem somos, o que queremos, no que efetivamente acreditamos, quais as escolhas que estamos fazendo. E, mais, nos permitir decidir de modo diferente e mudar a direção da história no caso de termos nos equivocado.
Aquela que age sempre como vítima das circunstâncias de vida ou das outras pessoas, passa a vida amargurada e presa aos acontecimentos ruins. Como a personagem Bela Adormecida, permanece de olhos fechados, alheia à realidade em volta, e esperando alguém que a livre daquele peso que ela mesmo escolheu carregar. Neste caso, ela escolheu abrir mão de seu poder de escolha.
  De outro lado, quem se entende, pelo menos em parte, responsável por aquilo que acontece em sua vida, traz o poder de mudança e de decisão para si. E é esse poder de decidir sobre o próprio destino que faz a diferença entre ser feliz ou infeliz.

*Ana Claudia Ferreira de Oliveira é Psicóloga Clínica e Advogada na cidade de São Paulo. E-mail: contato@anaclaudia.psc.br. Consultório: (11) 3589-6615.
Ana Claudia Ferreira de Oliveira
Enviado por Ana Claudia Ferreira de Oliveira em 31/05/2006
Reeditado em 29/03/2007
Código do texto: T166614

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Sobre a autora
Ana Claudia Ferreira de Oliveira
São Paulo - São Paulo - Brasil
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Ana Claudia Ferreira de Oliveira