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O direcionamento errado

O direcionamento errado

Observamos com tristeza as palavras ásperas, improdutivas, pungentes, estéreis na matéria “estamos vivendo a barbárie”, do senhor Jonas Luís da Silva. Merecem um reeducacionamento e hemos de discordar com remissão, pois quem age assim com tanto rancor, demonstra que a senectude começa a fluir na introspecção encefálica de um ser humano que denota a sua fragilidade diante de um orbe lucilente, onde existem lugares para redentores e iníquos. Sua canga nos leva a acreditar que, Jonas Luís jamais pensou em Deus e no livre-arbítrio e acrescentou ao seu pensamento estereótipos que nos levarão a atitudes estocantes e ególatras. Prezado, o seu direcionamento foge aos critérios diamantizados por Deus, seu pensamento tem um cunho cheio de egolatria, e prefere que o mal seja combatido com o mal. Citas nomes de pessoas que se destacaram na história, como Paulo de Tarso, Napoleão, Hypatie (a) e Jean-Claude Guillerbaud, Constantino, mas sempre no pensamento esfacelado de uma mente doentia e atéia.
Vale ressaltar que “Evangelho eterno”, só conhecido gradativamente à medida que for sendo decifrado o Evangelho histórico; a presença, paralelamente, misteriosa e reveladora do Logos na Bíblia, o que desencadeia a necessidade de uma interpretação e a definição de gnose no seu tríplice sentido: somático, psíquico e espiritual; o significado, quase sacramental, da escuta da Palavra que, no seu sentido espiritual mais profundo, é modeladora existencial de uma ética no horizonte de uma mística de luz. O Logos é o princípio de inteligibilidade; a razão e segundo Heráclito, o princípio supremo de unificação, portador do ritmo, da justiça e da harmonia que regem o Universo. Segundo Platão, o princípio de ordem, mediador entre o mundo sensível e o inteligível. O exemplo de Synesius, neoplatônico, nos mostra o que foram essas espécies de cristãos.
 Qual o sábio que ignora ou nega o fato de que o discípulo devotado e favorito de Hypatia - a virgem filósofa e mártir, vítima da infâmia de Cirilo de Alexandria - nem mesmo tinha sido batizado quando os Bispos do Egito lhe ofereceram o arcebispado de Ptolomáida? Todo estudante sabe que, depois de ter aceitado a proposta sem refletir, mas somente dando o seu consentimento real por escrito, depois de suas condições aceitas, e seus futuros privilégios garantidos, é que finalmente foi batizado. Dentre essas condições, havia uma, a principal, que era realmente curiosa: que lhe fosse permitido “sine qua non” a abstenção de professar as doutrinas cristãs nas quais ele, o novo Bispo, não acreditava. Assim, mesmo batizado e ordenado nos dogmas do diaconato, do sacerdócio e do episcopado, ele jamais se separou de sua mulher, jamais abandonou a filosofia platônica, e tampouco seus divertimentos esportivos, tão estritamente interditos a outros Bispos. Isso aconteceu no fim do século V. O cristianismo é feérico em sua história e o nosso amigo Jonas revela fatos que pouca gente conhece, mas não é com esses exemplos que iremos melhorar a vida hominal no orbe terrestre.
Falar em barbárie nos faz pensar e repensar em uma viagem no tempo. Nos tornam aguilhões retratados, mas nem por isso devemos combater o mal com o mal. Se assim o fosse para que serviria o bem? Olhemos ao nosso redor. A realidade que nos cerca expressa a barbárie e está prenhe de fatores, que apontam para o risco da regressão. O mundo globalizado impele as pessoas em direção ao xenofobismo, à intolerância diante do outro, à idéia de que há uma inevitabilidade histórica, ao consumismo e ao individualismo desenfreado. Naturalizam-se as mazelas e misérias da condição humana, em nome de um determinismo amparado num viés tecnicista e nas necessidades da concorrência internacional, isto é, da predominância do mercado. Vivemos num mundo de provas e expiações onde a imperfeição predomina de maneira cruel e desumana. Será isso que queremos? Claro que não. Se fossemos analisar com extasia o homem de bem também está sujeito ao erro. Temos que nos ater as grandes autoridades brasileiras que na sua maioria são corruptas, e essa corrupção direciona a população a fome, a miséria, a exclusão social, e ao analfabetismo. É, isso que eles querem; um povo sem educação, para que continuem pintando e bordando. A condição humana continua a ser aviltada em situações que antes horrorizavam os bem-pensantes membros da classe média intelectualizada. Basta ver as notícias sobre as torturas nas cadeias deste nosso imenso país. As vítimas em geral são negras e pobres. E o trabalho infantil, a prostituição de crianças e o trabalho escravo, são denunciados na grande imprensa.
O que têm feito nossas autoridades para reverter escabrosa situação? Nada. Simplesmente nada. O pai que não sabe criar seus filhos, não pode ser chamado de pai. Vive-se cercado de grades, preso em nossas próprias casas, também não posso afirmar com convicção que este mundo não é nosso! É sim. O que nos falta é reclamar, visto que somos acomodados por natureza. Bandido é bandido, cidadão é cidadão e daí? Ninguém tem o direito de tirar a vida de ninguém. No limiar da criação do mundo um irmão mata outro.O merecimento do crédito fica a critério de cada um. O senhor está nesse rol, não é problema meu, mas está  escrito na Bíblia que é o livro mais lido no mundo. Não devemos temer a Deus e sim amá-lo. Voltar a barbárie é retrogradar e isso não é progresso, é desordem social. Que barbaridade meu Deus, uma pessoa que se julga culta fazer afirmações com frases tão geênicas: “Se nenhuma religião nos basta, se matar não é mais pecado, se amar o próximo como a nós mesmo não vale nada, só nos resta, em nome do cidadão de bem, voltar a barbárie”, chamo essa indagação de subtração de neurônios. “Está na hora do povo odiar o seu inimigo como se inimigo fosse. Bandido é bandido, cidadão é cidadão, portanto, parafraseando o rei, (que rei) que bandido vá direto para o inferno e deixe o cidadão em paz”. Sr. Jonas pecado não existe, inferno também, são dogmas criados pela igreja.
Um conselho não incentive mais a violência, pois V. Senhoria estará incorrendo em crime. Enquanto o homem não atingir a perfeição jamais a violência nos deixará em paz. Enquanto o homem não se conscientizar que Deus existe, estará com calceta em seu pensamento. O remédio mesmo que paliativo, ainda é a fraternidade, a irmandade, a bondade e a caridade aliadas a educação. Estimado professor pense com o coração que sua mente será conviva de alegrias e endógena de bons atributos.

ANTONIO PAIVA RODRIGUES-ESTUDANTE DE JORNALISMO DA FACULDADE INTEGRADA DA GRANDE FORTALEZA (FGF).
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Enviado por Paivinhajornalista em 31/05/2006
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Sobre o autor
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Fortaleza - Ceará - Brasil
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