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A CADA ANO QUE PASSA...


“Se você viver cem anos, eu quero viver cem anos menos um dia: assim nunca terei de viver sem você “ .
            Winnie Pooh

Tenho um amigo que faz aniversário duas vezes no ano: o primeiro aniversário ele comemora no dia do seu nascimento, de acordo com as informações obtidas de sua mãe,  e o segundo aniversário  ele festeja no dia estabelecido em sua certidão de nascimento.
Como brasileiro é doido por uma festa, assim também poderíamos fazer com Ribeirão Preto, comemorando no dia 12 de abril seu primeiro aniversário, conforme documento de 1853, expedido pela Câmara Municipal de Casa Branca, e que se refere à nascente Capela da Barra do Retiro do Distrito de São Simão, de acordo com o arquiteto/historiador Ricardo Barros ,e, depois, em 19 de junho, já embalados pela primeira festa, comemoraríamos a segunda, como temos feito há alguns anos.
E, por falar em muitos aniversários, penso ser  importante mencionar o quanto Ribeirão Preto é criança, se comparada, por exemplo, à antiga Tiahuanaco, que se acredita tenha sido construída pelos antecessores dos Incas, há 2 mil anos, e que Posnansky, erudito boliviano, com a ajuda da astronomia, garante  que ela tem mais de 17 mil anos .
Como em festa de criança — e até de técnicos e jogadores de futebol — costumam ter a péssima mania de jogar ovos, pensei, contra minha vontade, que, se fossem jogar ovos sobre minha cidade, os ovos deveriam ser aqueles decorados por ucranianos, conhecidos como pysanka, talvez porque , como escritor, estaria comemorando com ovos que, pelo menos, seriam escritos   — pysanka é palavra que se originou do verbo ucraniano pee-sank-ee, pysaty, escrever em ovos — e que eram utilizados no início do cristianismo como objetos mágicos e fonte de vida.
E, por falar em vida, quanto à sua aparência atual, Ribeirão Preto, penso eu, realiza o sonho de Chaplin, expresso em um de seus belos textos, no qual fala em inverter a ordem da vida, nascer velho, e morrer onde tudo começa, num imenso e maravilhoso orgasmo. Digo isso porque acabo de participar de um estafante, mas magistral trabalho do Grupo Amigos da Fotografia que exigiu a observação de centenas de fotos antigas de nossa cidade, e do registro de mais um tanto de fotos, coloridas, da atual Ribeirão, e senti  que seu crescimento e beleza só poderão nos levar, no futuro, a um grandioso orgasmo de luzes e cores, por estar ela, a cada ano que passa, mais bonita, mais vibrante , pelo menos vista pelas lentes de Elza Rossato e seus amigos da fotografia que escrevem hoje, com luzes, a história recente da cidade mais linda do mundo, porque, assim como disse o poeta sobre o seu Tejo , ela é a minha cidade.
Sou ribeirãopretano nascido no finalzinho da década de quarenta, e nunca me ausentei daqui. Nessa terra abençoada comemoramos juntos 57 dos 150 anos dela, encontrei minha esposa, Lúcia, e tivemos  dois filhos , Rodrigo e Giovana, também ribeirãopretanos. Hoje me orgulho de ser cidadão emérito e de, há quase sessenta anos , estar servindo à educação e à cultura de minha cidade.
Feliz aniversário, Ribeirão Preto, tudo de bom para você e para aqueles que a amam  e que dedicam parte, ou toda uma vida, em favor de seu crescimento e progresso: que venham mais centenas de anos.

       Antônio Carlos Tórtoro
PRESIDENTE DA ACADEMIA RIBEIRÃOPRETANA DE EDUCAÇÃO



 

Tórtoro
Enviado por Tórtoro em 31/05/2006
Código do texto: T166920
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Sobre o autor
Tórtoro
Ribeirão Preto - São Paulo - Brasil, 67 anos
176 textos (27938 leituras)
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