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Discurso de formatura

   Agora que estou terminando meu Curso de Comunicação Social com Habilitação em Relações Públicas da UNEB (Universidade do Estado da Bahia), me sinto mais preparado e confiante para falar de inúmeros assuntos. O poder simbólico que um diploma de formatura ostenta é de assustar. Sei que não vou ser chamado de Doutor (ora, isso aqui é o Brasil e aqui Doutor é Médico e Advogado), mas vou ser chamado de que afinal? Comunicólogo? Relações Públicas? Báh! Que nada! Esses termos estão ainda muito longe de fazerem parte do vocabulário comum da imensa parcela da população desse imenso e glorioso (?) país. Palavras como essas são escutadas pelo povo pobre e logo assimiladas como mais alguma invenção só para atrapalhar o velho bebum do boteco que mal consegue pronunciar “Red Label”, mas é um expert na pronuncia da palavra “Caninha”. Talvez me chamem de alguma coisa asquerosa como “Jornalista” ou talvez não me chamem de nada. Tudo bem. É a vida de um pobre rapaz ingênuo e simples como eu.

   Vou falar agora de um assunto ainda mais polêmico e sério do que o nome que serei chamado. Vou falar agora sobre algo que nos traga algum prazer como mulheres que não usam calcinha em festas e crianças que nunca choram. Brincadeira. Falando sério, é preciso analisar a profundidade e a complexidade do impacto que essa formatura vai causar no meu cotidiano irrisório. Pra começar fico me imaginado com o “canudo” nas mãos e tendo que fazer algum tipo de discurso. Seria realmente uma péssima idéia. Não quero começar meu primeiro dia como “Public Relations” agüentando olhares falsamente admirados (pois no fundo são olhares de pena e desprezo por não conseguirem entender o novo ser que está a sua frente) e perguntas das mais esdrúxulas do tipo: - O que você vai fazer agora? Poupe-me. Se o pessoal do COPOM (Comitê de Política Monetária) não sabe o que vai fazer na sua próxima reunião imagine eu. Talvez eu passe o resto da minha prazerosa vida tentando não mentir para o povo brasileiro, contrariando assim tudo o que aprendi em anos de faculdade. Afinal, mentira e hipocrisia é o que não faltam (que o diga os viadinhos politizados que parecem uma praga nas Universidades Brasileiras, são os mesmo que daqui à uns anos vão estar pedindo seu voto e lembrando os ‘gloriosos tempos de luta na Universidade’).

   Com tudo isso fico a me perguntar se valeu a pena. Não é revolta. Nem descaso. É apenas uma sensibilidade exacerbada no que diz respeito aos rumos profissionais dos pobres profissionais dessa interessantíssima área. Que me perdoem os outros profissionais e estudantes de Comunicação, mas no que diz respeito à emoção, nós Relações Públicas (?) ganhamos de goleada. Pois a cada investida de alguém nos questionando o que é Relações Públicas, nós conseguíamos com muita criatividade e em meio a uma tensão enorme, nos livrar da “mala” que nos cutucava a ferida. Como diz Galvão Bueno, haja emoção. Entretanto, não foram somente esses aspectos que me chamaram a atenção na minha jornada universitária. Nunca esquecerei, por exemplo, das tardes matando aula no bar discutindo coisas bem mais interessantes do que os conceitos de um teórico e renomado homem da comunicação que provavelmente não come ninguém faz tempo. Nunca esquecerei da grande massa de professores chatos e que limitavam a criatividade dos alunos tanto quanto não esquecerei que existiram também sérios, visionários e excelentes professores. E principalmente não esquecerei as noites de sexta-feira regadas a cachaça e sexo de qualidade num AP bem maneiro junto da UNEB. Bons tempos que não voltam mais...
Luís Gusmão
Enviado por Luís Gusmão em 07/06/2006
Código do texto: T171054

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Sobre o autor
Luís Gusmão
Salvador - Bahia - Brasil, 33 anos
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Luís Gusmão