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AS VIAS DA IRA



Disque Calçadas, Lixos e Buracos no 156. Difíceis vinhas têm aqueles responsáveis pelas calçadas do mundo. Se profissão não é a de pedreiro, lajoteiro, rejuntador, tampouco ceramista, por certo tem de ser a de artista para cuidar de tantos já rotos espaços de uma cidade como São Paulo.

Há vias Crúcis, Dolorosa, de execução, de regra, Sacra, férrea, Láctea, oral, parenteral, de fato, respiratória, venosa e outras. Mas a via da qual cuidamos aqui é a urbana. As vias públicas, nossas calçadas, vias dolorosas que hoje são um real instrumento de tortura para os que nelas se aventuram.

Numa locução própria e não menosprezando concepções outras e de sentidos figurados da palavra calçada, fixemo-nos somente nas acepções deste substantivo feminino que, mormente destina-se ao uso do povo, desde uma época em que eram chamadas de arrastador, atalho; auto-estrada, autopista, autovia, avenida, azinhaga, batida, beco, bengo, betesga, biriquete, boqueirão, breia, calçada, caleja, calejão, caminho, canada, canelha, cangosta, carraria, carreira, carreiro, carril, congosta, corredoura, corredouro, estrada, quelha, rodovia, rua, ruela, sendeiro, talinheira, tarrinheira, trilha, trilho, vereda, vereia, viela, vreia e até sendas, quando se podia apreciar a vista e vitrines sem a necessidade de esbarrar em carroças, caçambas, levar trombadas de vendedores ambulantes e dos próprios pedestres por total falta de espaço; correr riscos que vão desde pisar em fezes de cães até ser atropelado por carros dando ré em plena  calçada da Av. Paulista; mendigos acocorados e miseravelmente  revestidos de fedor de urina  que exala à distância; distribuidores de panfletos de propagandas que a maioria aceita só para conseguir ultrapassar a barreira que estes formam ao se postarem entre um telefone público e um vaso de cimento. Todos aqueles panfletos são imediatamente varejados nas calçadas, mesmo quando as lixeiras ainda estavam intactas; as ao redor ainda inteiras elas se entopem imediatamente com tantas propagandas desnecessárias nesta era de compra on-line.

 Logo ali na Av. Brigadeiro Luiz Antônio, quase esquina com a mais paulista das avenidas, junto à travessia de pedestres aglomeram-se buracos, vendedores, “panfleteiros”, cascas e restos. Passar por lá sem se ferir é puro milagre.

Para abrandar um pouco a ira, só pedindo aos que se locomovem em helicópteros que dêem mais ênfase à educação do cidadão.  Não aquela já tão alardeada, mas uma voltada para a educação que tenha início nas empresas e principalmente nas famílias, doutrinando mães para que ensinem a seus filhos como manter limpos primeiramente seus quartos, suas casas, suas escolas, nossas vias públicas – e o Mundo!  Higiene e boas maneiras não são questões só de governos.


Soaroir
Enviado por Soaroir em 12/06/2006
Código do texto: T174135
Classificação de conteúdo: seguro

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