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USO DA VÍRGULA - Uma contribuição

A virgulação tem base sintática, não auditiva ou física (parar para respirar); portanto, não se separa o que é sintaticamente ligado, isto é, sujeito do verbo e verbo de seus complementos. Essa é a regra básica do uso da vírgula.

Ex.: A bela filha do comerciante italiano disse ao seu vizinho do terceiro andar que iria passar as férias de verão no mais lindo recanto das cidades do estado catarinense.
O homem que nos deu a informação reside nas imediações da praia que fica no lado norte da ilha. (trata-se de sequências sintáticas, para que vírgulas? – muita vírgula atrapalha a fluência do texto)

Nada de escrever:
A bela filha do comerciante italiano, disse...
A bela filha do comerciante italiano disse ao seu vizinho, do terceiro andar, que iria passar as férias de verão no mais lindo recanto, das cidades do estado catarinense
A bela filha do comerciante italiano disse, ao seu vizinho, do terceiro andar, que, iria passar as férias de verão, no mais lindo recanto das cidades, do estado catarinense.
Notaram como o fluxo fica “empacado”?

Obs.: A vírgula contribui para a clareza do texto, interrompendo o fluxo onde não existe ligação direta entre palavras ou frases.
Um exemplo, desvinculando dois termos pertencentes a orações diversas, isto é, que não formam uma sequencia:
Poetas comparam as ondas a serras e a vales as depressões entre elas. (errado)
Poetas comparam as ondas a serras, e a vales as depressões entre elas. (correto)

ALGUNS MITOS SOBRE O USO DA VÍRGULA

 - Não se usa vírgula antes do "e" nas sequências de palavras ou expressões.
   
Incorreto. Com a separação por vírgula, o termo posterior ao e abrange todos os itens.
a) João comeu brócolis, comeu jiló, comeu beterraba, comeu chuchu, e gostou. (gostou de todos os itens)
b) João comeu brócolis, comeu jiló, comeu beterraba, comeu chuchu e gostou. (gostou somente do chuchu)
c) João ficou irritado, possesso, indignado, e saiu.  (correto)
d) João ficou indignado e saiu. (correto)
e) Ler é passar por experiências trágicas ou alegres, é ter a sensação de estar no meio de uma batalha medieval, num barco que afunda, num avião que cai, num vilarejo na Cochinchina, sem sair da poltrona de casa. (aqui é nítido: se tirarmos a vírgula antes do e, a conclusão só é válida para o último item - ...num vilarejo da Cochinchina sem sair de casa).
Os comerciários, vendedores, operários, e outros sacrificados, que me perdoem.
 (nessa última frase, com a eliminação da vírgula, os sacrificados serão apenas os operários).
 Isso é um detalhe sutil. Num texto remetido para jornal, certamente o revisor vai tirar as vírgulas.

O mesmo caso acontece com o "que": (vale também o exemplo acima)
Diante de portas cerradas, vitrines, mostruários, placas, que refletem apenas os raios solares (sem a vírgula, o reflexo será somente atribuído às placas).

- Não se usa vírgula antes de etc.

   Incorreto. O significado latino “e outras coisas” perdeu-se no tempo. ETC virou um termo autônomo. Como no caso anterior, depois de vírgula o etc. abrange todos os itens.
a) Frutas, doces, pães, geleias, etc. (a vírgula antes do etc. significa que essa expressão abarca todos os itens citados.

Pode-se eliminar a vírgula nos raros casos em que a expressão se refira somente ao último item. Pesquisa citada no livro de Celso Luft
(A vírgula, Edit. Ática, 2002) concluiu que a maioria dos escritores utiliza a vírgula. Mas há os que não a utilizam.

- A conjunção mas é sempre seguida de vírgula.

  Incorreto. A conjunção mas liga-se diretamente ao termo que ela rege, portanto não requer vírgula, a não ser quando há intercalações entre eles.
Não escreva: Mas, agora eu vou...  nem: Mas agora, eu vou para casa. (o mas rege eu vou...)

Soluções: Mas, agora, eu vou...   ou  Mas agora eu vou... (por ser agora termo de curta extensão, a virgulação é opcional, dependendo do fluxo que se quer dar à frase)

Fui lá, mas, ele não estava em casa. (errado)
Fui lá, mas ele não estava em casa.  (correto)
Fui lá, mas, naquele momento, ele não estava em casa. (correto)
(vírgula após o mas, somente quando há intercalação de termos).
Obs.: no caso acima, o mas não está como conjunção e sim como substantivo.

Obs.: Estilisticamente, quando se deseja marcar uma pausa, admite-se vírgula após o mas: Mas, você ainda mora em Joinville?

Outro caso semelhante (pois):

Não saí de casa, pois, estava chovendo. (errado)
Não saí de casa, pois estava chovendo (correto)
Não saí de casa, pois, naquele momento, estava chovendo (correto)
Obs.: pode-se eliminar ambas as vírgulas que circundam “naquele momento; incorreto será deixar uma delas.
Usa-se entre vírgulas: Não sabia, pois, onde encontrar os amigos (pois = portanto)..

Uso de todavia

Fui lá, todavia, ele não estava em casa. (errado - o termo fica boiando entre as duas orações)
Fui lá; todavia, ele não estava em casa. (correto - aqui há uma separação nítida, para isso serve o ponto e vírgula)
Fui lá, todavia ele não estava em casa. (correto)
Fui, todavia, encaminhado ao salão. (correto, o sentido aqui é diferente)

Obs.: o mesmo acontece com porém, portanto e assemelhados.

Vírgula e orações relativas (introduzidas por que, o qual,etc.)

O dinheiro ficava com os associados do clube que não abriam mão disso. (=alguns associados, sem vírgula)
O dinheiro ficava com os associados do clube, que não abriam mão disso. ( = todos os associados, com vírgula)
É um modo de aproximação do sujeito ao objeto que se encontra à disposição do leitor.
É um modo de aproximação do sujeito ao objeto, que se encontra à disposição do leitor.

Obs.: veja a diferença de sentido entre as frases, produzida pelo uso da vírgula.

Vírgula e aposto

a) O escritor brasileiro Jorge Amado nasceu na Bahia.  (correto)
b) O escritor brasileiro, Jorge Amado, nasceu na Bahia. (errado)
c) O criador de Gabriela, Jorge Amado, nasceu na Bahia. (correto)
Obs.: o aposto, que vai entre vírgulas, é de certo modo uma repetição do termo anterior. Como o nome já diz, é apenas um aposto, uma reiteração. Pode ser eliminado sem prejuízo do sentido.
Veja: criador de Gabriela = Jorge Amado.
No primeiro caso: escritor brasileiro  = não necessariamente Jorge Amado.

Uso de talvez

Talvez eu vá ao cinema.  (anteposto ao verbo, talvez rege o modo subjuntivo)
Eu vou, talvez, ao cinema. (aqui dá impressão que a pessoa não se resolveu se vai ao cinema ou a outra local)

Outros usos da vírgula

Vou falar, brevemente, com o Presidente. (em breve)
Vou falar brevemente com o Presidente. (poucos minutos)
Aqui a vírgula serve para desfazer ambiguidade.

Advérbios ou locuções intercaladas ou ficam entre vírgulas ou sem vírgula nenhuma:

Tudo, naquele instante, ficou escuro. (correto)
Tudo naquele instante ficou escuro. (correto)
Tudo, naquele instante ficou escuro. (errado)
Tudo naquele instante, ficou escuro. (errado)

Todos, agora, querem escrever. (correto)
Todos agora querem escrever. (correto)
Todos, agora querem escrever. (errado)
Todos agora, querem escrever. (errado)

Obs.: prefiro utilizar sem as vírgulas, dá mais fluência à frase.


Uso de sim (confirmação)

a) A Academia defende não a vaidade e, sim, o trabalho. (errado)
b) A Academia defende não a vaidade e sim o trabalho. (correto - e sim equivale às adversativas mas, porém).
Os termos colocados entre vírgulas significam intercalações, adendos, podem ser eliminados sem prejuízo do sentido. Isso não acontece com a frase acima, pois, se eliminarmos o sim, perde seu sentido.

Confronte com:

As crianças vão, sim, ao cinema hoje. (esse sim é um reforço, uma intercalação, podendo ser eliminado sem alterar o sentido, e aí, sim, pode ser virgulado).


Hilton Gorresen
Enviado por Hilton Gorresen em 07/08/2009
Reeditado em 08/08/2009
Código do texto: T1742472

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Sobre o autor
Hilton Gorresen
Joinville - Santa Catarina - Brasil
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