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Hoje eu vi um caso no mínimo curioso que aconteceu em São Paulo; um empresário recebeu um DVD que continha cenas de alunas de sua academia nuas no vestiário da própria academia; também estavam entre as cenas de diversas garotas, mães, avós, enfim, das freqüentadoras daquele vestiário, cenas de um ato sexual no mesmo local.
 
No primeiro ato o empresário se viu surpreso com tudo aquilo e foi investigar de qual câmera haviam feito tais imagens, uma vez que ele não havia instalado nenhum equipamento de vigilância naquele local; viu que se tratava de um equipamento pequeno e que estava camuflado entre objetos. O empresário imaginou de plano que fosse alguma aluna que instalou a câmera para satisfazer seus hábitos sexuais, mas não era isso!
 
Uma carta anônima chegou em seguida pedindo R$ 15 mil para que os vídeos feitos em vários dias não fossem postados na internet; o chantagista queria dinheiro para não divulgar imagens das alunas da academia em cenas de nudez, o que arrasaria com a imagem da academia, além de é claro, gerar processos judiciais. Para finalizar, o criminoso foi preso quando ia receber a grana e isso só aconteceu por causa do serviço de inteligência policial que conseguiu identificá-lo após um e-mail também anônimo.
 
Em outro artigo eu já havia citado que um motel de Santa Catarina tinha câmeras em seus quartos e o material colhido dava horas e horas de filmes pornográficos, expondo nitidamente a vida íntima dos freqüentadores. Por muito pouco este material não foi parar nas páginas criminosas virtuais que lucram com a o espalhamento de vírus ou fazendo propagandas enganosas.
 
Há cerca de 10 anos, tudo era diferente; um espião quando queria flagrar alguém à distância com uma câmera fotográfica, teria que desembolsar mais de R$ 5 mil somente pela lente especial, hoje uma boa lente de uma boa máquina não custa mais do que R$ 2 mil; para filmar alguém sem ter o risco de perder um equipamento caro, era quase impossível. Uma câmera filmadora portátil, do tipo espiã, era coisa muito cara, hoje uma caneta espiã com capacidade de gravação superior a 4 horas com áudio não custa mais do que R$ 150 reais e está a venda em qualquer esquina nas feiras de produtos chineses.
 
Em minha casa há um equipamento de segurança que monitora todos os cômodos (menos sanitário) e através dele eu posso ver o que acontece em meu lar de qualquer lugar do planeta via internet, isso me custou menos de R$ 2 mil e a qualidade é de cinema. Gravadores de áudio e outros dispositivos que também utilizo em minha residência, por medidas de segurança, também estão espalhados sem que ninguém veja, sem que ninguém desconfie e seu preço foi ainda mais barato do que o sistema de vigilância por vídeo; em resumo, estamos cada vez mais próximos de sermos monitorados sem o menor esforço.
 
Na década de 90, quando a febre das câmeras filmadoras começou a invadir o Brasil eu também comprei uma Panasonic que pesava uns 5 quilos; aquele equipamento era tão caro e inacessível que um amigo pediu para trocá-la em seu Ford Landau 1981 sem volta de dinheiro; tudo isso nos serve para mostrar o quanto era difícil bisbilhotar alguém e como está tão banal e tão perigoso. Quem quiser pode instalar hoje uma câmera do tamanho de um botão de camisa, ele poderá ver e gravar tudo que está sendo captado a uma distância de até 500 metros e para tal, não desembolsará mais que R$ 500,00.
 
Nas ruas das cidades têm câmeras, nos elevadores, prédios, postes, viaturas, nos shoppings, hospitais, ônibus, cinemas, enfim, para onde você olhe, com certeza poderá ver uma plaquinha com um bonequinho amarelo sorrindo e dizendo: Sorria! Você está sendo filmado!
 
Acontece que nem todos utilizam estas imagens para a segurança própria ou coletiva; alguns estão se aproveitando desta banalidade para colherem imagens e filmagens que lhes satisfaçam a libido doentia; outros estão fazendo como o pilantra paulista; após estar com o material, chantageiam pessoas ameaçando-as postar tudo na internet.
 
É o alto preço que pagamos pela modernidade, pela globalização e acima de tudo, pela despreocupação que todos têm segurança pessoal. Salvo as pessoas que não possuem nenhum tipo de problema se aparecer desta ou daquela maneira mais íntima numa foto ou numa filmagem, todas as outras estão à mercê destes “olhos vivos” que estão espalhados; uma verdadeira armadilha para todos e pelo visto isso não vai mais parar!
 
Por enquanto o You Tube, maior exibidor de filmes amadores do mundo, exibe poucas produções do gênero pornográfico, mas a internet já está cheia de outros sites que mostra todo tipo de conteúdo; e para um vídeo se tornar popular não basta o site ser conhecido, basta cair no gosto de uma pessoa maldosa; depois de publicado num site cuja hospedagem é em outra nação, as chances de um vídeo ser retirado do “ar” é quase nenhuma.
 
Daniela Cicarelli, a ex-esposa de Ronaldinho que o diga; após um romance “caliente” com seu namorado numa praia, o vídeo apaixonado com as cenas de seu romance foi parar na internet; após uma ação judicial rápida eles conseguiram fazer com que o You Tube não exibisse, mas já era tarde; as cenas foram para também em centenas de outros sites do gênero e as imagens ganharam o mundo, chegando a ter mais de 1 milhão de acessos no Porno Tube, site que vive de apresentações eróticas do gênero caseiro, amador e doméstico.
 
Em Vitória da Conquista, Bahia, um rapaz que trabalhou numa loja do centro da cidade como Office boy começou um romance tórrido com uma colega de trabalho; não satisfeito com os beijos e carícias na porta de casa, ele armou um cenário nos fundos da loja com direito a câmera escondida; o rapaz gravou cenas picantes do namoro de ambos com direito a apresentação de posições de A a Z. O resultado da filmagem foi parar na internet e “bombou” de acessos devido a qualidade extraordinária do vídeo. A moça reclamou, deu queixa na polícia, mas o vídeo em que ela aparece continua sendo exibido a quem quer que queira vê-lo.
 
Nos últimos meses, no Brasil os casos mais alarmantes foram às fotos da jornalista nua, Rose Leonel, do Paraná, que o próprio namorado publicou na internet; depois o vídeo da garota de Joaçaba em Santa Catarina que bebeu com os colegas numa festinha particular e depois foi forçada a fazer sexo com eles; um deles gravou tudo e não achando pouco, publicou e tratou-o de difundi-lo mandando para todos os amigos. O último caso de descuido, que não chegou a alarmar, mas foi bem divulgado, ocorreu com uma radialista de São Paulo que tirou fotos despidas dela mesma e como um passe de mágica, todas as fotos foram parar na grande rede. Este último caso eu próprio acompanhei; cheguei a falar com a vítima por telefone e esta me disse nem imaginar como tais fotos foram publicadas na internet.
 
Em todos os casos citados a polícia foi acionada, mas ate agora, nada de concreto foi feito no sentido de retirar este material indesejado (pelas vítimas) da internet. As pessoas que tiveram suas imagens expostas de forma criminosa precisam continuar suas vidas, mas também têm que encarar as piadas, os olhares e os comentários de todos que convivem com elas.
 
Também esta semana apareceu no noticiário nacional à história de um renomado médico ginecologista de São Paulo; além de abusar sexualmente de suas pacientes após dopá-las, ele também filmava cenas íntimas das pacientes desfalecidas em seu consultório e guardava os DVDs para deleite pessoal após a rotina de trabalho; pelo menos foi o que apareceu em inúmeras denúncias que levaram o médico a responder processo criminal.
 
De agora em diante, cuidado onde você troca a roupa; cuidado com os locais onde você utiliza o sanitário; cuidado com quem você aceita o convite para uma saidinha ou uma noitada no motel; cuidado com a sua janela aberta; cuidado com tudo de extraordinário que você faz na rua; em algum lugar, sem que você sequer suspeite, pode haver uma câmera apontada para você; pode ser uma simples diversão de algum observador mais excitado em enxergar aquilo que não lhe é comum, mas também pode ser a ação de alguém interessado em lhe chantagear, ou ainda, alguém que apenas queira vê-la exposta na internet.
 
Paranóias a parte, confiança é algo que se adquire com o tempo, portanto, selecione melhor suas companhias; escolha com cuidado o local aonde seu computador irá para a manutenção e aja com civilidade em locais públicos. Se você não gosta de ser vista despida, que tal fechar a janela após o banho? São com atitudes simples e cuidadosas que podemos minimizar as cenas eróticas e pornográficas que tanto “rolam” nos sites criminosos.
 
Ao menor sinal de irregularidade, não pense muito: acione a polícia! Gravar imagens íntimas sem a sua autorização é um delito e publicá-las em qualquer local constitui crime; se as imagens pertencerem a pessoas menores de 18 anos a coisa pode gerar ações judiciais ainda mais pesadas. Não tenha medo, denuncie e insista!
 
 
Carlos Henrique Mascarenhas Pires
www.irregular.com.br
 
Imperador Dom Henrique I
Enviado por Imperador Dom Henrique I em 14/08/2009
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