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Juventude Mal Aproveitada

Liga-me um rapaz da Rede Globo,chamado Átila Moreno.Convida-me para ir ao jornal do meio dia, MGTV, para falar de adolescentes mal comportados.Pergunto se tem a ver como episódios no chamado Pátio Savassi, um shopping que foi idealizado para atender à classe alta da cidade.
O moço faz-me uma bateria de perguntas via telefone.Quer saber sobre comportamentos não esperados, atitudes paternas,o que fazer.Empenha-se seriamente em obter um número considerável de respostas.Mais tarde, liga duas ou três vezes,e,por fim ,diz-me que o gancho será mesmo a balbúrdia no Pátio Savassi.
Li ,quarta - feira, no Jornal hoje Em Dia, que há gangs se divertindo negativamente dentro do referido shopping:bebem, escolhem alguém para apanhar,a ponto do superintendente Weverton Luiz Jorge temer que até algum linchamento possa ocorrer...Chegam a levar seus cães...Um adulto compraria as bebidas.Se aparecer um comissário de menores, não poderá apontar para adolescente consumista que seja o comprador...
O cito superintendente,segundo a reportagem ,acaba de enviar uma carta às escolas particulares, que, sob o título “Ocorrências com jovens uniformizados”,relata-as, mesmo sendo,muitas, do lado de fora do shopping.Muita coisa ocorre na Praça de Alimentação.
Ângela Xavier Muniz, que coordena esses comissários da infância e da juventude,segundo consta, os tem enviado ao cito Pátio Savassi ,na tentativa muito justa de impedir que os jovens ali estejam em horário escolar e ainda para controlar a venda de bebidas...
Há tribos muito normais, fomadas para responder ao instinto gregário do adolescente.Gostam , na Síndrome Normal da adolescência, de andar em grupos,para fortalecer-se.É mesmo comum que saiam num grupo até formarem um par de ficantes .Brincam e zoam um tanto, mas nada grave.Podem usar roupas semelhantes, percings, tatuagens, mas nem sequer pensam em ferir alguém.São vistos nas praças dos shoppings rindo muito ou observando, "secando", na sua expressão, meninas, coisas assim.Muito diferentes das gangs.Como exemplo destas, temos os pichadores : sem que os pais sequer suspeitem, para serem testados, receberem drogas,picham casas, muros, sobem a locais aparentemente inacessíveis.Como nos ritos de passagem de povos primitivos, há que sofrerem e provarem sua força, sua coragem.Mas os adolescentes urbanóides não vão caçar na floresta, nem se lanham para provar estoicismo.Estão se tatuando aleatoriamente, furando as línguas e orelhas, supercílios e queixos no lugar de torinhas de madeira opu ossos,usam aço, acrílico.Sinal dos tempos? Modismo a ser compreendido?Talvez sim , desde que não leve a um comportamento desviado da conduta social esperada.
Onde estão os pais? Num País em crise sempiterna, trabalham.A criança é colocada em frente à Tv desde que nasce.Babás são caras para alguns,vovós também não param em casa.Alguns têm empregados e mais empregados,uma agenda cheíssima, na infância quando deveriam simplesmente brincar,freqüentando inglês, informática,cinema,esportes...Nada substituirá a legítima necessidade de um apoio familiar verdadeiro.Como psicóloga, soube de pais que levam os filhos à escola, quase num único espaço de tempo para estar com eles.Mal viram a esquina, os adolescentes saem da escola e vão fazer asneiras.Claro, sempre houve gazeteiros de aula.Bedel,disciplinário, para contê-los, vigiá-los.Mas agora trata-se de machucar os outros...Os pais ,estudam . Procuram emprego...
Claro, há pais excelentes com filhos de mau caráter.Há garotos de bom caráter contaminados qual laranja entre podres, necessitando de reorientar-se. Mas...O que será que realmente ocorre?
Na adolescência, contestar é preciso:assim, a própria personalidade se forma.Os pais temem enfrentamentos, quando deveriam discutir saudavelmente com os filhos, deixá-los mostrar sua idéias,contestá-las se necessário, por sua vez.Não uma briga de foices no escuro.Não uma ladainha cansativa de podes e não podes.Não um rol de acusações desgastadas.Apenas dialogar, e nunca unilateralmente.Não falo de de monólogos...Para que os filhos tenham todos os bens de consumo, as roupas de griffe, há pais que se endividam:o adolescente assim, tem afeto comprado,mantido sob custódia.É preciso dar o que os jovens querem porque alguém tem, porque o anúncio diz que o comprador ficará mais belo, mais forte.como nos antigos anúncios de cigarros ...
Por que os pais não aprendem a dizer saudáveis “nãos”? Quem vai se acabar porque não recebeu um tênis de quinhentos reais?Vai marcar ,aprender que a feição utilitária e estética valem mais que o valor pago?Artesãos costumam fazer peças únicas, ou quase e vender muito mais”em conta”...A beleza de uma bota ,sua durabilidade, tudo deve ser discutido...
Noutro dia, em um programa de Tv, desses que exploram o non sense,jovens diziam porque queriam peças “de marca”. Segundo um , assim as “minas” os preferiam:usando peças de estilistas.Uma jovenzinha afiançava que as roupas mais populares não duravam muito, tentando convencer a mãe que o melhor é se endividar para adquirir as peças que a filha desejar...O interessante é as mães eram trabalhadoras, como diaristas, cabeleireiras...E os filhos a provocar nelas , mil sentimentos de culpa...
Sem limiar de tolerância à frustração, esses jovens experenciam um vazio existencial.Trocam valores absolutos por relativos.Possuem games que pontuam quem derruba mais ...jornalistas ! Criam pittbulls dados pelos adultos.Que vão com eles às ruas para morder e ferir...
E pensar que a adolescência é uma fase maravilhosa,onde o potencial criativo é imenso, onde se forjam as pessoas adultas do futuro, com personalidade própria e bom senso...A violência,explícita na Mass Media, vivenciada em casa, está acontecendo quae naturlmente.Ainda na década de oitenta, eu via, no consultório, em filhos de amigos, um voltar-se para o social, para as causas humanitárias...O jovem tem potencial para mudar o status quo.Foram os cara-pintadas que foram às ruas fortalecer o desejo popular e um presidente brasileiro caiu.Mas a juventude está sendo potencializada para a violência, para a sexualidade banal, para a cultura inútil, bonecos que por dentro choram, gritam por diálogo,que substituem a falta da estrutura familiar por seus grupos de apoio negativo, onde atacar a gangue rival é a tônica, é o que mais lhes interessa, embora jamais meçam as conseqüências...É preciso dar limites e exigí-los.Ensinar o que é bom.Se preciso, procurar a ajuda de profissionais, da escola,da igreja...Aproximar-se dos filhos.permitir que amigos deles freqüentem a casa,sem ridicularizá-los.O aconchego do ninho, é insubstituível...Jamais um pai deixou de ser amado porque educou bem seus descendentes.
Estamos perdendo os jovens para as casas de correção, para a criminalidade, a violência nas ruas, inclusive a do trânsito...mas nada pior que a violência quando se instala no coração...
O moço entrevistador que vai anotando meus comentários, Átila Moreno,estabelece, do outro lado da linha, uma harmoniosa e progressiva conversa comigo, sobre tudo isso.Voz jovem, decerto há pouco tempo tendo passado pela adolescêencia.Mas lá está ele, preparando a entrevista de amanhã, apenas um jovem que vai dando certo, que está dentro de uma redação enquanto tantos se drogam,se matam.Um jovem trabalhador, a quem homenageio nesse espaço...

Clevane Pessoa de Araújo Lopes

Belo Horizonte,capital de Minas Gerais,enquanto no Pátio Savassi, fúrias se medem, esforços se anulam, pessoas muito jovens se embriagam e atiçam cães.E ou...Segundo o cito jorna(*) alguém levou um adolescente de treze anos apenas ao pronto socorro.Não, ele não foi mordido por um pittbull:estava em coma alcoólico...

(*)Jornal “Hoje em Dia, de Bh-MG,Br,de 30/03/2005,na reportagem de Celso Martins.
clevane pessoa de araújo lopes
Enviado por clevane pessoa de araújo lopes em 17/05/2005
Reeditado em 10/05/2007
Código do texto: T17566

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Sobre a autora
clevane pessoa de araújo lopes
Belo Horizonte - Minas Gerais - Brasil, 69 anos
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