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ASSÉDIO SEXUAL

Romeu Prisco
 
 
Este texto vem a propósito de uma excelente matéria  assinada por Mário Prata. Há muito pretendia escrever algo em torno deste tema. Coincidentemente, também desde o incidente ocorrido com Mike Tyson, que se viu processado e condenado, nas esferas civil e criminal, porque frustrou as expectativas de uma bela e inocente escurinha, que subiu ao seu quarto de hotel, às 02h30, apenas para jogar palitinho. Nunca entendi esse lance da rígida democracia norte-americana, onde todos deveriam ser mais iguais perante a lei, do que em outros países.
 
Contrariando o meu estilo, eis que igualmente gosto de usar de ironia e sátira nos meus textos, sem ser debochado, agora pretendo falar sério, mesmo porque vou deixar a graça por conta das histórias de assédio sexual, relatadas pelas novas e ingênuas "donzelas", curiosamente desprovidas de hímem, porém, dotadas de fértil imaginação.
 
Violência à parte, por menor que seja, se um homem quiser ofender uma mulher, com quem mantém alguma intimidade, basta não "atacá-la". Basta não demonstrar interesse numa aproximação física. Basta não cobiçá-la. Nos meus tempos de mocinho, sem nunca ter sido, exatamente, um galã, ou um conquistador, não podia me  queixar da sorte com as mulheres.

Pois bem, sempre que tentava avançar o sinal, até as mais liberais, costumavam dizer: "o que você pensa que sou ?". Eu tinha a resposta na ponta da língua: "uma mulher, aliás, muito atraente". Era tiro e queda. Ainda que o sinal se mantivesse fechado, a minha reação funcionava como autêntica massagem no ego feminino, embora a massagem por mim desejada fosse outra.
 
As mulheres que mais guardaram bronca de mim foram, precisamente, aquelas que, mesmo portadoras de belos e apetitosos dotes físicos, ou quiçá por isso mesmo, eu nunca "cantei", no sentido amplo do vocábulo. Tem uma, então, que, decorridos muitos anos, nas poucas vezes que cruzou comigo, mal conseguiu disfarçar o rancor no seu olhar, ainda que soubesse que eu nada "fiz" com ela, exclusivamente por culpa da inibição e da timidez. Todavia, nas ocasiões em que consegui superar estas terríveis barreiras internas, nos meus relacionamentos com as mulheres, e parti para o "ataque", se não fui bem sucedido, também não causei a menor mágoa. Disto tenho certeza e provas.
 
Todas as mulheres gostam de se produzir, de pôr à mostra e de realçar os seus atributos físicos. Porém, não o fazem só porque são vaidosas. Fazem porque também querem chamar a atenção do sexo oposto, quando não, provocar inveja nas suas rivais. Acho que esta colocação é válida inclusive para as mulheres casadas, que trabalham fora do lar conjugal, sem que o fato represente, necessariamente, um comportamento de infidelidade. Entretanto, para efeito desta "articrônica", fiquemos apenas com as descompromissadas.
 
Isso posto, acho que, para as mulheres, existem apenas três tipos de assédio sexual: (1) o desejado, ou seja, aquele que parte do homem certo. Neste caso, as mulheres preferem mais qualificá-lo como "galanteio", porque vem de alguém por elas considerado "charmoso".

(2) o indesejado, ou seja, aquele que, mesmo por elas provocado, parte do homem errado. Neste caso, o cara é um xarope, que não se olha no espelho e vive pegando no calcanhar das bonecas.

(3) o mal-intencionado, ou seja, aquele reiterada e deliberadamente por elas provocado no homem-vítima, com objetivos escusos, ou não verdadeiros. Neste caso, ora para dizer que deu um "rolê" com um craque de futebol, ou com um cantor famoso, embora horrorosos, ora para "embuchar" de um deles e resolver o seu problema financeiro, ora para progredir na carreira profissional e assim por diante.

Obviamente, qualquer desses exemplos pode virar escândalo na imprensa e ir parar nas barras dos tribunais, com conseqüências funestas, via de regra, para os "mike tysons" da vida.
 
Finalmente, pior do que não assediar sexualmente uma mulher, com quem se quer romper o relacionamento, sem que ela permita, só mesmo dizendo: "bem, você tem mau hálito". É um golpe baixo, mas, funciona.
Romeu Prisco
Enviado por Romeu Prisco em 20/06/2006
Reeditado em 20/06/2006
Código do texto: T178846

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Sobre o autor
Romeu Prisco
São Paulo - São Paulo - Brasil
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Romeu Prisco