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EDUCAÇÃO SUSTENTÁVEL POSSÍVEL

Quando se fala de desenvolvimento sustentável se pensa na possibilidade de negar um sistema adotado há pelo menos quinhentos anos aqui no Brasil, onde as nossas riquezas minerais, naturais e humanas foram, em muito, exploradas e nossa ingenuidade fazia-nos acreditar que estávamos sendo gentis e valorizados por nossos atos simples, mas sinceros.
Mas é chegada a hora de se falar em mudar para o que se é bom em nossa sociedade brasileira e isso acontecerá através da educação e aculturamento do povo desta nação. Reconhecer que temos uma cultura vasta; uma gastronomia belíssima que mistura sabor ao calor e colorido de nosso tempero; que o gingado, ritmo e som nas faz singular diante esse imenso planeta.
Certamente através dessas informações culturais, educacionais e históricas façamo-nos sustentáveis frente as idéias tecnológicas.
Outro aspecto importante nessa discussão é a urgente necessidade de repensarmos as questões que envolvem os aspectos éticos, morais e educacionais, pois percebemos em nosso cotidiano escolar a grande ausência do mítico na vida dos elementos que compõem a base sólida desse processo educativo, os princípios morais e éticos que constituíam a família desapareceram com a noção de globalização, onde as mulheres, em especial, tiveram que se ausentar de seus lares em função dos seus trabalhos para contribuir na renda familiar ou em muitos casos sustentá-lo, tendo em vista o desemprego do cônjuge por ser mão-de-obra não-qualificada, principalmente numa época em que tudo depende da informática, pois vivemos a era da digital, como se propaga de ponta a ponta desse planeta.
Hoje temos uma escola que se difundiu no Brasil, após os anos quarenta, onde se viveu e instalou-se o período mais crítico da educação, após a era da industrialização, logo não há mais a necessidade de cultivar os modelos antes instalados, pois já não há  espaço para os técnicos, constituímos a idéia que os profissionais, saídos de nossas escolas precisam de uma visão generalista do mercado de trabalho, necessitamos ainda, que este seja conhecedor de idiomas e das ciências que envolvam a computação. Apesar de tantas mudanças e transformações sociais a escola ainda não mudou. Portanto, precisamos mudar e passas a falar em valores sociais, familiares e pessoais, Ter projetos pessoais, profissionais e para a vida.
Precisamos também, reconhecer que a nossa escola, para uma grande maioria de pessoas, ainda é a principal e única oportunidade de relacionar-se e buscar através de amigos e educadores um modelo ético e digno.
Ainda assim, nos esquivamos, pois a escola clama por socorro, além disso, se fala na falência da escola, logo passamos a culpar a família, nos desentrosamos, dessintonizamos  e perdemos o bonde da história, inclusive as contradições da escola para com a realidade do educando.
Ora, se temos problemas com a aprendizagem e com a comunidade é porque tanto a escola quanto à comunidade não se entendem  e não se percebem numa construção conjunta na formação social, ética e moral do educando e dos envolvidos no processo educativo. Certamente, essa é a hora de depurar as relações entre escola-comunidade, professor-aluno, pois é extremamente necessário que busquemos os conhecimentos populares e sociais e os tragamos para a escola, sem sistematizá-los Na verdade, devemos trabalhar para que a comunidade por si só sistematize tal conhecimento  cultural para apropriar-se cientificamente desse conhecimento organizado e sistematizado pelos órgãos “competentes”.
Se aplicarmos na escola apenas os conhecimentos obtidos nas universidades, veremos que tudo isso não corresponde ao contexto atual da comunidade e certamente não é entendido pela comunidade e seu valor ou importância muito menos, senão para aprovação a série posterior.
Daí então, nos damos conta de que seria muito mais interessante buscar dentre nossos educandos os pequenos saberes daquela comunidade; perceber que os conhecimentos de uma simples artesã quando repassados aos colegas de turma são mais interessantes e produtivos.  Isto não é Arte, História e Linguagem? Por que não utilizá-lo e conduzi-los a compreensão sistematizada desse saber? Por que  não colocamos todos agentes aprendizes desse conhecimento? Por que não socializar-los?
Logo, pensaria que não precisamos conhecer quando tudo o que conhecemos no e do mundo nos contradiz a cada novo instante. Porém a decisão política de nosso saber só tomará tal proporção se nos utilizarmos criticamente deles e diante deles.
E para que pensemos de forma similar basta vermos o que a escola faz: transformou os saberes em um único saber, que certamente é aplicado de ponta a ponta em nosso País, sem levar em consideração os aspectos econômicos, sociais e geográficos deste imenso Brasil.
Educadores, se não dialogarmos e questionarmos esse saber geral com o saber diário, popular e comum, certamente não surtirá efeito algum em nós ou em nossos educandos. O ponto de partida? O estudo continuado e a discussão no ambiente local, para que venhamos traçar um projeto de vida escolar, da comunidade  e conseqüentemente dos educandos. Essa idéia de projeto de vida é caracterizada pela compreensão da escola como sendo uma célula solidificadora do processo e que a partir dela podemos garantir de forma sistematizada o aprendizado e o saber do educando de forma também sustentável.
JOSÉ FLÁVIO DA PAZ
Enviado por JOSÉ FLÁVIO DA PAZ em 20/05/2005
Código do texto: T18224
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Sobre o autor
JOSÉ FLÁVIO DA PAZ
São Paulo - São Paulo - Brasil, 45 anos
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JOSÉ FLÁVIO DA PAZ