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Capaz de fechar o comércio

Que poder tem a Copa do Mundo! Ela é capaz de fechar o comércio e colocar quase a totalidade da população defronte ao aparelho de TV. É impressionante como consegue cativar, prender a atenção e mesmo trazer clima de euforia. A grande festa do futebol mundial tem vários aspectos positivos. Deixemos de lado os bastidores, nem sempre agradáveis e benéficos, e destaquemos o lado positivo do grande evento que se repete a cada quatro anos.
A confraternização entre os povos, a alegria espontânea, o intercâmbio cultural, o patriotismo – pelo menos nessa hora –, o destaque de personalidades ilustres que fazem e fizeram a alegria de muitos povos estão entre diversos outros pontos positivos. Diga-se de passagem que mesmo a economia é movimentada; há geração de empregos, diretos e indiretos, e considere-se a expressiva quantidade de famílias inteiras que vivem do futebol, dentro e fora dos campos. Apesar dos exageros nos salários, das especulações que poderiam ser dispensadas, das manipulações da mídia, entre outros fatores, ainda assim é um belo espetáculo.
As ruas das cidades brasileiras ficam coloridas, as pessoas buscam o lazer daquele momento com euforia e durante os 90 minutos de uma partida não estão envolvidas com outros aspectos que poderiam trazer enormes prejuízos, como os vícios, brigas, pensamentos negativos, preocupações desnecessárias, traições, manipulações de bastidores nas mais diversas áreas, assaltos, violência no trânsito, seqüestros, entre outras questões.
Apesar da ilusão de ficar vendo 22 homens correndo atrás de uma bola, a competição tem seu aspecto muito positivo. Esporte consagrado, traz consigo todo um elenco de fatores, dentre os quais alguns enumeramos acima. Há mais, porém: Pelé, o nosso rei do futebol, é o brasileiro mais conhecido do planeta. Negro, poderia sofrer toda série de preconceitos, mas seu talento no futebol quebrou essas barreiras e mostrou ao mundo que o preconceito de cor é uma bobagem sem tamanho. Somos todos iguais e não é a cor que nos define, mas sim o empenho com que nos dedicamos à área que escolhemos atuar. Por outro lado, vários atletas famosos direcionaram suas atenções para fundações que hoje amparam projetos sociais de grande alcance. Esses dois aspectos por si só já fazem valer a magia do futebol.
Ideal será que usemos o exemplo que o futebol traz para os aspectos mais verdadeiramente importantes da vida humana. Que usemos o exemplo para exercitar mais a fraternidade; que meditemos sobre a importância de valorizarmos mais nossos próprios talentos pessoais (todas as pessoas possuem talentos!), ao invés de nos entregarmos à acomodação, à tristeza ou à sensação de incapacidade.
O espírito de luta, de sobrepor obstáculos, de garra, do sentido de equipe, da união de grupo, são alguns dos exemplos que podemos usar na vida pessoal, familiar e social. Por que não?  Não é bonito, ao mesmo tempo, ver uma multidão reunida, alegre, vibrante? Ora, o sentido da vida não é buscar a alegria, a felicidade? Por quê, então, a tristeza, a guerra, o desentendimento?  É verdade que o futebol também traz esses aspectos, mas sempre como fruto da deslealdade nas jogadas. Ora, o mesmo princípio ocorre na vida social.
Então, a fraternidade entre os países, destacada pelos países, apesar da competição – própria do esporte –, é o grande “x” da questão, a nos chamar a atenção para igualmente construirmos esse detalhe interiormente e na vivência social.
Ganhar ou perder são detalhes. Faz parte da vida, onde há momentos de perda e de ganhos. Viver, no entanto, lutar, empenhar-se, dedicar-se, superar limites, sempre em nós, nunca nos outros, é o exemplo maior trazido pelo futebol.
O esporte traz perdedores e vencedores. A vida, porém, não é competição. É construção de aprendizado e felicidade. Não é preciso fechar o comércio para isso, mas é preciso sim, sem dúvida, um balanço interior de auto-análise corajosa para verificarmos, com honestidade, o que precisamos alterar em nós mesmos... E, quem sabe, somar esforços e atenções – como fazemos com o futebol – para trazer mais dignidade à vida humana...


Orson
Enviado por Orson em 27/06/2006
Código do texto: T183298
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Sobre o autor
Orson
Matão - São Paulo - Brasil, 56 anos
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