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O HERÓI

O HERÓI
FLAVIO MPINTO

Outro dia fui assistir uma palestra sobre o Herói dirigida a um público juvenil
A primeira pergunta que foi feita pelo mediador já remeteu meu raciocínio para onde não queria: quem são os heróis de hoje no Brasil? Os jovens assistentes responderam das diversas formas, muito diferente do que eu imaginava, mas bem dentro do  raciocínio de grande parcela  da população brasileira nesta quadra histórica e  crucial da vida nacional, revelando um raciocínio maniqueísta e de pouca profundidade com relação a valores.
Surgiram dentre outros Roberto Jéferson, a seleção brasileira de futebol  e chegando a bandidagem assistencialista das pobres vilas cariocas e porto-alegrenses.
Não desejava ir rapidamente ao fundo, ou seja aos ditos heróis modernos: aqueles que preenchem lacunas á falta do Estado ou recebem 15 segundos de fama.
Gostaria de, antes da discussão propriamente dita, pelo menos imaginava, que o condutor abordasse aspectos decisivos dessa figura herói. Como identificá-lo, o que o caracteriza e etc etc...
Mas o calor e o rumo das intervenções não permitiram um desfecho linear e mais educativo como teria de ser para os jovens assistentes.
No rol das características principais existentes em um herói, na hora do fato, podemos citar a audácia, a coragem e a liderança. Outras podem ser relacionadas, mas de modo circunstancial. Estas são, a meu ver, as principais e estão presentes em todos os atos heróicos.

O país continua meio anestesiado com a derrota da seleção brasileira de futebol. Não é a primeira vez que isto acontece e a segunda que o garboso time de futebol se entrega sem lutar. Diz-se que o futebol é a Pátria de chuteiras, no linguajar da mídia futebolística, imediatista e profundamente calçada em valores que não os verdadeiros de um herói legitimo. Refiro-me aos valores do futebol brasileiro, esporte onde burlar e trapacear, para conseguir resultados são aceitos como normais. Basta ver as injustiças que são cometidas por árbitros, jogadores e chegando ao desatino das torcidas.
Passa-se á sociedade a cultura do falso herói, aquele que não pauta seus atos por virtudes reconhecidas e sim por falsas virtudes. Por isso caem mais rápido que sobem.

As três qualidades do herói que citei acima, são ciceroneadas pelo exemplo: é nele que a massa se mira e segue. Quanto mais correto mais a sua ação é eficaz. E é dos mais qualificados que se espera mais. Vale ainda lembrar o caso do futebol- é dos ditos melhores do mundo que se esperam melhor desempenho e que não se escondam na de se colocarem á disposição de uma liderança circunstancial. Não queiram comparar um general com um soldado nem um grande capitão de indústria com um simples metalúrgico. Um está exposto as grandes decisões que diretamente influenciam na vida do outro, embora o mais simples possa ser um herói circunstancial. Enquanto um vislumbra longe devido ao seu posto de observação,  o outro é curto e restrito. Cada um vê e decide na sua esfera de atribuições de acordo com sua posição.
Um dos exemplos marcantes foi a ação de Caxias na ponte de Itororó, no alto de seus quase 70 anos e sua inconteste liderança , com o célebre-“ Sigam-me os que forem brasileiros”  rompeu a defesa paraguaia arrastando os soldados com ele rumo á vitória.  Foi líder, exemplo, audaz e corajoso.
Contudo, a figura do herói está indelevelmente marcada pela morte e a guerra. Leônidas e a salvação de Atenas, a retirada de Laguna, Caxias/Itororó, podemos citar dentre outros fatos históricos marcantes e que forma de uma amplitude estratégica. Mas outros podem ser citados por sua pequena amplitude como o ato de um bombeiro ao arriscar sua vida para salvar alguém, embora seja essa sua parte na sociedade que integra. São , o que costumo afirmar, os heróis de circunstancias, mas são heróis, pois não abdicam de cumprir o seu dever ante a adversidade. A vida está repleta desses  tipos anônimos e muitos jamais recebem o reconhecimento que deveriam. É o herói do cotidiano.
Um herói é sempre um herói e um rei sempre será majestade, diz o dito popular. Ser  um recordista,  ou vencer uma prova difícil, basta para ter o reconhecimento público eterno em muitos países que valorizam os atos heróicos e valores tradicionalmente cultuados desde que o homem é gente, pois venceu suas limitações.
Em Indianápolis-EUA até hoje é mantido o piso original de tijolo em restrita faixa da pista da maior corrida de automóveis do mundo; o mesmo ritual de largada em homenagem a todos que a engrandeceram; a solenidade de premiação, o desfile dos pilotos e suas máquinas,tudo é encarado como um mito a ser mantido. O vencedor é eternamente reconhecido, que o diga Émerson Fittipaldi.
Assim devemos encarar o herói: um mito a ser cultuado e reverenciado dia a dia, segundo a segundo, minuto a minuto, em todos os cantos do país pelo que fez.
Um mito a ser seguido pela sua proeza, audácia, coragem, competência, liderança.
HERÓI- Exemplo a ser admirado!

FLAVIO MPINTO
Enviado por FLAVIO MPINTO em 03/07/2006
Código do texto: T186924

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Sobre o autor
FLAVIO MPINTO
Porto Alegre - Rio Grande do Sul - Brasil, 65 anos
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FLAVIO MPINTO