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Paixão e apego cegam...

Convenhamos, com lucidez, que ninguém é dono de nada, nem de ninguém. A posse de bens materiais é temporária, fugaz. Da mesma forma a convivência com alguém querido também é muito passageira. Num instante, estamos separados por motivos de origem variada.

            Aliás, cada um de nós terá que construir, individualmente – embora no aprendizado da convivência comum e coletiva –, a própria segurança interior. A vida é sábia e coloca-nos neste patamar de aprendizado e aprimoramento. Mas não somos donos de nada. Tudo que julgamos possuir, na verdade, nos é cedido por um determinado tempo.

            Esta visão abrangente deveria livrar-nos dos prejuízos decorrentes da paixão e do apego. Ambos costumam nos causar cegueira diante das situações. Mas face à fragilidade que todos carregamos, somada na maioria das vezes pela imaturidade emocional ou psicológica, e pela alta dose de egoísmo que ainda caracteriza o comportamento humano, vamos dando nossas “trombadas” que causam sofrimentos, inclusive em terceiros (e, pior: na maioria das vezes, em pessoas queridas).

            Referido sentimento, o egoísmo, ilude-nos a consciência. Passamos a nos sentir donos de bens materiais e de pessoas, como se pudéssemos dominar alguém. É óbvio que em muitas situações e circunstâncias, até exercemos algum domínio sobre pessoas. Mas isso será sempre ilusório e prejudicial, pois que a liberdade é atributo inviolável de qualquer pessoa e cedo ou tarde, toda imposição redundará em graves e severos prejuízos.

            Basta consultar a história. De pessoas, grupos, famílias e até nações inteiras. Quantos sofrimentos causados pelo desejo e tentativas de posse, domínio, imposição? E mais interessante: quando nos comportamos assim, não percebemos... Estamos cegos, iludidos pelo orgulho, com visão embaçada pelo egoísmo. Que pena! Lamentável que nos permitamos tais comportamentos.

            A paixão é um amor enfermo, com foco desviado. O apego é ilusão. Onde vão parar? Só podem causar sofrimentos.

            É, mas algo a ponderar: somos seres humanos! Estes, pela própria condição humana – admitamos – falhamos! Claro, óbvio, somos criaturas em aprendizado. Estamos ainda em caminho.

            Porém, para amenizar tudo isso, prefiramos distribuir amizade, esperança, alegria.

            Será melhor, muito melhor, para nossa felicidade e para felicidade geral.

            Prefiramos respeitar, entendendo que cada pessoa tem o direito de escolher o próprio caminho, ainda que este caminho seja equivocado. É a única maneira, todavia, de aprender. É errando, pois, que se aprende.

            Ora, o ser humano é razão maior da vida! Quem somos para impor, dominar? Que autoridade temos para isso?

            O amor liberta! O amor compreende! O amor... Ah! o amor! O amor... sacrifica-se, mas jamais sacrifica. O amor nunca impõe. O amor aceita, não cria apegos, nem domina...

            O amor é a essência da vida. O amor, sem paixão doentia, é o que está nos faltando viver.
Orson
Enviado por Orson em 07/07/2006
Código do texto: T189285
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Sobre o autor
Orson
Matão - São Paulo - Brasil, 56 anos
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