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QUADRADO TRÁGICO

É quase impossível escrever sobre a campanha dos excursionistas brasileiros  na Copa do Mundo de Futebol de 2006,   sem primeiro, mentalmente, descarregar as vias mentais com uma série de impropérios e palavrões.
Vendo jogar Alemanha e Itália , jogo nem sempre bonito, mas de machos , fiquei indignado com as apresentações dos bambis  “merde-amarelos”  que, como colegiais em busca de medalhas particulares de honra ao mérito, sedentos por recordes individuais, esqueceram-se de jogar futebol, mesmo que fosse do mesmo nível do de várzea, e se renderam aos encantos dos franceses.
Seleção apátrida, tendo à frente humanas torres gêmeas, ladeadas por anciãos laterais, um matusalém jogador de marcação,   e um  escalador refém das orientações/ordens de poderosos patrocinadores, a camisa canarinho , de pentaglórias, mais parecia um exército de Brancaleone em busca do recorde do Cafu, de um gol para o filho do Cafu, da esperança de se levantar a taça em homenagem à mulher do Cafu, em apoio à ONG do Cafu, um Cafu com quadro de esquizofrenia, sofrendo de provável confusão ( mental ) maior do que a que tomou conta do time que acabava de perder da França, e achando que ainda estará defendendo a seleção brasileira em 2010, deixando claro que perdeu  o sentido de realidade,  estando incapaz de  distinguir a experiência real  da imaginária: triste fim de um grande jogador de futebol.
Pela primeira vez dormindo em quartos separados, bilhonários excêntricos, celebridades internacionais, capas de revistas, proprietários de empresas e fundações, sem suportarem conviver com cheiro de cueca ou roncos daqueles mortais iniciantes em assunto de seleção brasileira, também não conseguiram reconhecê-los nos gramados da Alemanha: era cada um por si e Deus contra todos , Macunaímas, heróis sem nenhum caráter: Ai, que preguiça !
Terminado o jogo em que foram mandados para casa, voltaram para casa, na Europa , é claro, confortavelmente instalados em seus helicópteros e jatinhos, contratos renovados em euros, curtindo férias em Nova Iorque, ou banqueteando-se em históricas capitais européias, ao som de pagode e hip-hop, fazendo malabarismos com a bola e rindo na nossa cara, com a certeza de que , como nosso presidente Lula, certos da falta de memória do povo, estarão novamente na Copa de 2010, titulares que são da panelinha vitalícia da CBF.
Dos vinte e três convocados, somente três ou quatro  choraram, aliás, o mesmo número de jogadores que se apresentaram com raça nas cinco partidas disputadas.
Penso que a única salvação para o nosso futebol será a formação de uma seleção nacional composta somente ( ou com pelo menos 50%) por jogadores que estiverem atuando  no Brasil, um ano antes da Copa, orientada por um técnico e treinador que não ceda às exigências de patrocinadores , e apoiado em suas decisões  por novos dirigentes da CBF.
Caso contrário, mesmo que novos valores surjam em uma provável e necessária renovação, serão batatas sadias colocadas em um saco de outras podres e malcheirosas.

ANTÔNIO CARLOS TÓRTORO
      PRESIDENTE DA ACADEMIA RIBEIRÃOPRETANA DE EDUCAÇÃO
Tórtoro
Enviado por Tórtoro em 10/07/2006
Código do texto: T191370
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Sobre o autor
Tórtoro
Ribeirão Preto - São Paulo - Brasil, 67 anos
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