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Responsabilidade Social – Uma questão pessoal



Este tema tem ocupado um espaço considerável nas discussões empresariais, e está marcando presença através de projetos sociais ligados ao terceiro setor. Sem dúvida um passo importante para uma nova formatação social, que se insinua, naturalmente, por conta das mudanças constantes que o mundo sofre, e especialmente, as que marcam nossa época.  O comportamento que expressa as preocupações, prioridades, crenças e sentimentos do ser humano, enquanto vive seu cotidiano, imprime o feitio da sociedade em questão.
Quando mencionamos estas diferenciações, não estamos nos referindo ao passado como se tivéssemos buscando voltar no tempo e resgatar algo que consideramos valioso. O que estamos levando em consideração é mais sutil, diria que é o que move a sociedade de cada época, sua motivação e seus valores.
Parece ser necessário para que, efetivamente, ocorra mudança na dinâmica social, que se encontra descompassada com a realidade que vivemos, que haja a compreensão mais clara do que venha a ser realmente responsabilidade social e o que a tornou um parâmetro que pode nortear a acomodação da sociedade, de maneira a torná-la saudável, justa e produtiva.
Responsabilidade social refere-se ao comprometimento de cada indivíduo com o todo e do todo com cada indivíduo. Essa questão abrange muito mais do que simples doações financeiras ou materiais; esta longe de centrar-se nas atividades filantrópicas, que são adotadas com freqüência, tanto pelas empresas como pelas pessoas.
Trata-se, porém, de direito, de ações que promovam o exercício da cidadania, fortalecendo o envolvimento das pessoas em todos os grupos aos quais pertencem.
Há que se levar em conta que quando nos referirmos a sociedade, não estamos falando em um “ente” com vida própria, estranho a todos nós. Ao contrário, estamos falando exatamente de nós, uma vez que sociedade é o “apelido” que se dá para a reunião das pessoas. Sociedade implica convívio coletivo.
Neste sentido vamos percebendo que são as pessoas que devem mudar; que uma sociedade só irá alterar suas relações inter-pessoais, suas atividades e movimentação, quando as pessoas mudarem; e que são justamente essas relações que determinam o formato da sociedade que constroem.
Não há a menor possibilidade de se conquistar mudanças relevantes, que interfiram de modo direto na qualidade de vida das pessoas, deixando a tarefa exclusivamente para o governo. O governo, em última instância, retrata o desejo do povo, que escolhe seus governantes através de voto, uma ação pessoal, expressão individual. Não se pode deixar de refletir sobre este aspecto.
Uma nação que se organize, que invista na educação, tanto formal como a preparação para a cidadania, provocando, assim, a evolução de grande parte da população, estará avançando para novas maneiras de se comportar, estabelecendo novos valores que sustentem as relações da economia com o desenvolvimento. Só assim surgirá nova dinâmica social, mais justa, humana e eficiente, de tal sorte que produzirá uma sociedade pacífica, produtiva e feliz. Considerar utopia a conquista de uma sociedade nestas condições, é abrir mão de direitos inalienáveis à raça humana.
Portanto, responsabilidade social não está apenas ligada a grandes projetos e a empresas. Ela tem sua sustentação na consciência das pessoas. Quando a pessoa vai compreendendo que faz parte de um todo, que tudo que ela faz gera conseqüência para o grupo a que pertence, e que, do mesmo modo, tudo que acontece ao grupo vai atingir de alguma forma sua própria vida, então, só então, esta pessoa pode mudar sua conduta, e passa a comportar-se de maneira responsável, tornando-se um exemplo em sua comunidade.
Assim, embora possamos nos animar com esta preocupação que anda pairando sobre toda sociedade, é preciso que se atente bem às pessoas. Que cada um de nós, dentro de suas possibilidades, no cenário em que atua, em posse do conhecimento que possui, busque uma forma de interferir no próprio comportamento, tornando-se deliberadamente um multiplicador do exercício consciente da cidadania.
Nada de desânimo, nem de descrença; não há tempo para reclamações e revides. Precisamos preparar o mundo para as gerações que estão vindo, e não há mais possibilidade de sermos tutelados e fugirmos a responsabilidade que nos cabe.
É hora de agir, de nos apropriarmos de nossa vontade e exercer a liberdade, que é, sem dúvida, o lastro que garante a verdadeira democracia.






Priscila de Loureiro Coelho
Enviado por Priscila de Loureiro Coelho em 11/07/2006
Código do texto: T191571
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Sobre a autora
Priscila de Loureiro Coelho
Jacareí - São Paulo - Brasil, 65 anos
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Priscila de Loureiro Coelho