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Vida de Concurseiro I

Luiz Luna*

Há controvérsias, é verdade. No entanto, um enorme avanço para o serviço público foi a instituição do concurso público como requisito de seleção, depois da Constituição Cidadã de 1988. Quem se posiciona contrariamente, não há dúvidas de que não está preparado para vivenciar ares de democracia e tem outros interesses.
Não chegamos ainda no ponto ideal, pois há um excesso de cargos comissionados de livre nomeação do gestor, embora alguns órgãos públicos limitem essa farra com o dinheiro do povo. Sem contar que o nepotismo ainda não foi banido e, mais difícil ainda, será por fim ao paternalismo. Mas temos avançado. Aqui e acolá somos surpreendidos com boas iniciativas, que vão de encontro aqueles que insistem em atropelar os princípios que regem a administração pública: legalidade, impessoalidade, moralidade, publicidade, eficiência, entre outros. Embora haja crise nas três esferas do poder, com salários congelados, falta de estrutura e condições adequadas de trabalho, o sonho de muitos brasileiros é tornar-se servidor público. O principal atrativo é a estabilidade. Os que almejam ser aprovados em um concurso público esquecem até da burocracia, algo que impede que as coisas andem com passos semelhantes ao setor privado. O detalhe, como ensinam os mestres em direito administrativo, está em que enquanto nós podemos fazer tudo que não é ilegal, o gestor público pauta sua conduta pelo que está normatizado.
Enquanto a imprensa divulga que a economia prospera, a realidade do mercado de trabalho é cruel. Os índices de melhoria divulgados pelo Governo Federal contrastam com os observados por aqueles que estão em busca de emprego e não encontram êxito, independentemente de qualificação. Até para uma vaga de gari, oferecida por uma prefeitura de capital brasileira, as filas para inscrição dobram o quarteirão. Então, como driblar as dificuldades e vislumbrar o tão almejado emprego público? Existe fórmula para ser aprovado em concurso público?
Na verdade, tudo é uma questão de crença, de um lado, e amor, do outro. Por quê? Ora, o que designamos de vocação nada mais é do que gostarmos com afinco da tarefa com a qual estamos envolvidos. Munidos desses sentimentos, os resultados são extraordinários. E para passar em um concurso público é preciso amor, dedicação e muita crença. Lógico que vamos encontrar diversas histórias, mas com finais semelhantes. A minha é uma delas, sou o que se pode chamar de servidor público do acaso. Estudava Comunicação Social e era bem-sucedido no ramo da editoração eletrônica e das artes gráficas, até o dia em que uma amiga trouxe um edital e disse que eu me daria bem na função de Oficial de Justiça, profissão de seu esposo. Ao ser informado dos requisitos para investidura no cargo, salário e atributos funcionais, disse a Margareth que não tinha interesse. Mas ela, que também pertencia aos quadros do Judiciário Estadual, não desistiu.
Fui aprovado e isso já faz oito anos, cinco de exercício. Amo o que faço, costumo dizer que nasci para isso, mas não sou satisfeito com a estrutura oferecida. Então, faz dois anos que decidi ser aprovado em outro concurso público. Aí foi que descobri que a vida de concurseiro não é fácil. Sem contar que a aprovação não garante a vaga. Na continuação do texto, abordaremos outros exemplos e algumas dicas de quem almeja trilhar caminhos semelhantes.

* Jornalista e especialista em gestão de pessoas.
L L Jr
Enviado por L L Jr em 11/07/2006
Código do texto: T191980
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Sobre o autor
L L Jr
Recife - Pernambuco - Brasil
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