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Qual a finalidade da existência?

Todos os dias a mesma coisa:
De casa para o trabalho, do trabalho para casa. Estava cansado dessa monotonia, se ao menos lhe sobrasse algum no fim do mês, mas que nada, a grana sempre curta lhe impedia de gozar os prazeres da vida, segundo ele mesmo dizia.

Reclamava com a mãe:

 - Estou farto dessa vida, nunca nada de novo, nunca sobra dinheiro, estou farto, gostaria de ser rico, muito rico para poder me divertir.

A mãe, senhora serena e experiente, sabendo das tendências de seu filho, aconselhava-o:

 - Geraldo, agradeça pelo pouco que temos, esse pouco para nós é muito para alguns que nada tem para viver. Se mesmo trabalhando e lutando para progredir, se mesmo tentando de todas as formas melhorar , algo não decola, tenhamos paciência, não somos acomodados a esperar as coisas caírem do céu, estamos fazendo o nosso papel, continuemos a trabalhar, porém, aprendamos a nos resignar.

 - Ah mãe, se ganhássemos na mega sena tudo estaria resolvido, muito dinheiro, vida boa, muitas festas, não mais preocupações com água, luz, prestação de casa... Já imaginou, estaríamos no céu...

 - É meu filho, estaríamos no céu – suspirou a senhora um tanto preocupada com os devaneios do filho.

E certo dia a sorte bateu a porta de Geraldo, de tanto tentar acabou por ganhar na mega sena, e o que é melhor, sozinho. Milhões o esperavam. A primeira coisa que fez foi mandar o trabalho que até então tinha sido seu abençoado ganha pão, as favas. Após, organizou enorme festa para amigos, comprou carro novo, gastou mini fortuna em roupas de grife.

A mãe, a tudo observava preocupada e cabisbaixa, Geraldo havia mudado muito, o dinheiro, o poder, mexera com sua cabeça, de nada adiantava seus conselhos para que o filho fosse prudente, ele sequer lhe dava atenção.

E o dinheiro fácil e farto, abriu as comportas das tendências infelizes de Geraldo, o rapaz, até então comedido com a bebida, passou a embriagar-se todos os dias. Mulheres lhe rodeavam, colegas lhe bajulavam e cada dia mais e mais, Geraldo sentia-se o dono do mundo.

A fortuna ia aos galopes em noites e noites de festança desregrada. Geraldo, inexperiente nas questões econômicas, não sabia como administrar aquele patrimônio que ia se dilapidando gradativamente.

O dinheiro de Geraldo estava acabando,  e o desespero lhe visitando, viciado que estava em jogos, passou a tentar ininterruptamente salvar a fortuna em cassinos... Foi paulatinamente se chafurdando...

A mãe, em vão lhe tentava chamar a razão.

Infelizmente já era tarde, Geraldo estava envolvido de todas as formas com o vicio do jogo, a sensação anestesiante da bebida e o efêmero prazer da sensualidade sem o compromisso com o sentimento.

O rapaz que julgava que a fortuna lhe traria o céu, foi obrigado a amargar o inferno moral por causa dela.

Acabou suicidando-se pelo motivo de não mais conseguir voltar a viver a vida simples de outrora.

Pois sim amigo leitor, nem sempre o que queremos é o que precisamos.

Muitas vezes queremos fortuna, beleza, glamour.

Tentamos de todas as formas mudar os rumos da vida, e não conformamo-nos com a simplicidade da mesma.
Entendamos bem, não sejamos conformados, é justo que lutemos pelo progresso material, contudo, sejamos prudentes quando dele nos apoderarmos.

O poder, o dinheiro, coloca-nos um mundo de novidades, e não nos iludamos com elas, porque se iludirmo-nos considerando que a finalidade exclusiva de nossa peregrinação nessa abobada celeste é o progresso material, certamente, encontraremos dores e aflição, angustia e desesperança.

A finalidade de nossa existência é sem duvida o progresso como seres humanos, que nos fará criaturas melhores, mais conscientes,  e isso, independe da classe social que estamos inseridos.

Pensemos nisso!


Wellington Balbo
Enviado por Wellington Balbo em 12/07/2006
Código do texto: T192538
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Sobre o autor
Wellington Balbo
Bauru - São Paulo - Brasil, 41 anos
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Wellington Balbo