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COM MEDO DE DEUS

O  medo é uma manifestação natural em todo ser vivo. Tem origem instintiva, adicionada à cultura e formação educacional de cada indivíduo. A ausência absoluta dele nos torna insanos, com muitas possibilidades de precipitação nas decisões tomadas.

Entretanto, é necessário fazer a diferença do medo resultante do instinto de auto-preservação daquele que nos acompanha, tendo por trás, crendices, fruto do convívio sócio-cultural de cada um de nós.

Os cuidados provocados pelo instinto nato de auto-preservação parecem medo, mas se observados do ponto de vista psicológico, logo se percebe a diferença existente entre aquele que é preventivo daqueles temores que nos apanham, na maioria das vezes, sem uma razão lógica de ser.

Enquanto o instinto de auto-preservação nos adverte de forma segura e racional dos perigos ao nosso redor, o medo provocado pelas informações externas, fruto de crendices, nos causa pavor, susto, receio e temor.

Todavia, o medo assim provocado possui grandes variações nas suas manifestações. Pois além do nível cultural, cada pessoa é constituída de sentimentos e emoções em graus diferentes, umas das outras.

Vivemos num mundo material e espiritual ao mesmo tempo. Diferente dos irracionais temos uma alma que vive oscilante em suas ações, sem se adaptar com segurança dentro dessa dupla convivência.

Todavia, quando falo dessa oscilação, não me refiro à cegueira espiritual absoluta, pois não seria justo não haver por trás desse labirinto insondável alguém superior com vontade de se revelar.

Porém, não seria sensato se essa revelação ocorresse nos nossos moldes, porque não seria confiável. Quem por mais sábio que seja, poderia falar do desconhecido? Se o fizesse, não passaria de especulação.

Creio na existência de uma ordem superior. Não posso compreendê-la, porque vive fora dos meus limites e é múltipla nas suas ações. A chamo de Deus por não ter outro nome melhor para chamá-la, mas vivo com Ele um eterno conflito de ajustes, pois nunca consigo encontrá-lo nos meus caminhos, nem nos meus projetos como gostaria de encontrar.

Ensinaram-me alguns modelos de adoração. São tantos que por um longo período os julguei únicos e capazes de trazer Deus ao meu encontro. Mas descobri depois que Ele não se enquadra num modelo prescrito por nós, mas somente nos seus, e nem sempre, pois se for de sua conveniência, Ele muda as regras, abrindo exceções e fazendo o que lhe apraz sem aceitar questionamentos.

Querer questioná-lo é estultice. Sua vontade é soberana. Diante dele tremem todas as coisas visíveis e invisíveis num sussurrar indagativo sobre  quem é "Ele? Onde Ele está? Por que não posso vê-lo?" Sem respostas, tudo volta ao silêncio inicial, numa espera inevitável.

Quando penso que Ele não vai abrir a cortina, fico triste. Recolho-me como que desiludido por me sentir incapaz de alcançá-lo. Choro e lamento porque nasci humano. Gostaria de ser divino. Aí   sim, eu entraria no Seu repouso e aprenderia algumas coisas que não sei, mesmo que Ele não me deixasse perguntar. Mas sei que por enquanto, isso não me é possível.

 

 
João Gomes da Silva
Enviado por João Gomes da Silva em 16/07/2006
Código do texto: T195356
Classificação de conteúdo: seguro
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Sobre o autor
João Gomes da Silva
Gurupi - Tocantins - Brasil, 57 anos
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João Gomes da Silva