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Hipnose midiática.

                                         
Segundo o Grande Dicionário Enciclopédico Brasileiro a hipnose é o estado particular que se caracteriza pelo sono nervoso sugestionado por meios artificiais externos. Alguns estudiosos afirmam que Adolf Hitler, em seus discursos, causava uma espécie de pseudo-hipnose em seus interlocutores. Com isto ele difundiu a ideologia eugênica Nazista. Hoje não há um alemão digno que não se envergonhe deste fato.
Contudo, o estado hipnótico ainda hoje se faz presente. Se antes o discurso  era passado por um orador em um palanque, hoje é ele transmitido via satélite por uma telinha mágica que contém toda a sabedoria e a solução para os problemas das pessoas. Este quadradinho mágico diz o que você deve vestir, qual a margarina deve usar no café da manhã, esta telinha diz também que você é um fracassado se não trocar seu carro de seis em seis meses; diz que você deve ser magro (a), mas se caso tiver um bom dinheiro o problema de sensualidade está resolvido. Esta tela diz também que você deve cuidar da saúde; “use camisinha” e trepe à vontade, pois fidelidade e amor não estão com nada. Você deve encher a cara com a Boa, a Nova ou a Redonda, se atropelar alguém no trânsito azar da pessoa. Você deve enriquecer a Souza Cruz, mas não esqueça: “O ministério da saúde adverte...” Você deve comer lanches rápidos em fast food’s, pois tempo é dinheiro e esta história de problemas cardíacos é pura bobagem. Esta verborrágica telinha mágica diz ainda que você deve ser novo (a), bonito (a) e rico (a). Apesar de alguns esforços publicitários que vão de encontro com estas idéias, a telinha diz que você deve ser branco! Engraçado, este texto falou sobre eugenia algumas linhas atrás, não é?
Pois bem, Sigmund Freud ficaria atônito ao perceber quantas pessoas estão hipnotizadas no mundo hoje. Hipnose esta a favor da garantia do sistema econômico vigente. Sistema este que se valida pela confusão do consumo x consumismo. Pois o ser humano na ânsia de dominar a natureza, acaba se tornando artificial a ela, o individuo que se torna hostil ao próprio individuo inventa necessidades que degradam excessivamente os recursos naturais, trazendo conseqüências atrozes para o futuro ecológico do meio ambiente.
Certa vez Charlie Chaplin disse: “A máquina que produz abundância, tem-nos deixado em penúria. Nossos conhecimentos fizeram-nos empedernidos e cruéis. Pensamos em demasia e sentimos bem pouco. Mais do que máquinas, precisamos de humanidade. Sem isso a vida será de violência e tudo será perdido.”
Será que a empresa que produz a novela que você  assiste, a roupa que você veste, o carro que você anda, a comida que você come, o computador que você usa, o ferro você passa, a tolha que lhe seca, etc, etc e etc pensa desta maneira?
Como diz Guimarães Rosa: “... e os anos passam no devagar depressa do tempo”. Quem sabe um dia, em um futuro próspero, o ser humano olhe para trás e lamente profundamente a vergonha de permitir a segregação racial, a fome, a má distribuição de renda, a violência, a poluição, o desrespeito ao indivíduo etc, etc e etc. Pois bem! Chega de conversa fiada, pois é hora de aprender mandarin.
 


Hermison Frazzon da Cunha
Enviado por Hermison Frazzon da Cunha em 26/07/2006
Reeditado em 20/09/2012
Código do texto: T202447
Classificação de conteúdo: seguro

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Sobre o autor
Hermison Frazzon da Cunha
São Leopoldo - Rio Grande do Sul - Brasil, 37 anos
103 textos (26992 leituras)
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Hermison Frazzon da Cunha