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O Lado Interessante das Línguas

“O ‘pobrema’ dessa língua é que ela é ‘tadinha’
Pois que nem quem a inventou bonitinha
Sabe escrevê-la como deve corretinha”

Trecho de Poema Regras de Linguagem e Escrita na Poesia – Licença Poética – Conclusão II
Luna Di Primo PRIMA LUA – Recanto das Letras

O trecho do poema acima me inspirou a escrever este artigo. Cito-o aqui só para contextualizar as idéias que pretendo compartilhar neste texto. Penso na evolução das línguas românicas e me dou conta que não faço idéia de como surgiu nossa Língua Portuguesa, digo: padrão de Portugal e o padrão do Brasil. No momento, estou cheia de coisas por fazer, de modo que me falta tempo para correr atrás de respostas a questões secundárias que me cruzam o caminho. Sou muito curiosa e isso às vezes me atrapalha. Um dia, como quem não quer nada, sempre me ocorre de eu topar com algum autor(a) que me esclarece...

Sim, voltando ao ponto da evolução das línguas românicas, alguns historiadores e lingüistas já me convenceram de que tais línguas evoluíram basicamente do Latim Vulgar - língua falada nas ruas, na época do império romano, mistura do Latim oficial (usado em escritos) com as diferentes línguas já faladas pelos povos conquistados.

No caso do Espanhol, por exemplo, foi longo o caminho percorrido dessa salada de línguas e dialetos até o estabelecimento de um padrão oficial. Primeiras tentativas de gramáticas são atribuídas a Antônio Nebrija, imortalizado pelo famoso conselho dado à rainha Isabel de Castilla, mais ou menos assim: “Que sepa su majestad que la lengua fue siempre la mejor compañera del imperio”, bem como ao trabalho de Juan de Valdés, que se opondo às propostas de Nebrija - que buscava o 'bom gosto' na Língua (o gosto da aristrocracia da época) - defendia a idéia de escrever como se fala (o que também não é sempre verdade). Essa constante tensão entre erudito e popular é interessantíssimo observar...

Uma coisa porém é certa: a História nos mostra que Língua e Política sempre andaram de mãos dadas. Observa-se um fenômeno que espelha um certo equilíbrio entre o quê determinam os donos de uma Língua – o povo que a usa – e quem detém, no momento das Reformas, o poder político. Isabel de Castilla... Castellano... Resumo da ópera: o Espanhol oficial (da Espanha) seguiu o Castellano, padrão dominante na época. Simples assim!

E esse cabo-de-guerra entre usuários autênticos da língua e as instituições que ditam as normas é um jogo interessante de se observar, principalmente aqui na Alemanha, onde já houve tantas reformas ortográficas que muita gente diz nem saber mais como escrever.

Ainda no caso do Espanhol, um fato muito importante para a consolidação do padrão oficial (da Espanha) foi a fundação da Real Academia Espanhola (RAE), em 1713, se não me engano. No caso do padrão oficial em América Latina, um fato curioso é que, embora autônomos, quase todos os paises começaram a seguir naturalmente as normas propostas pela RAE que, diferente de outras instituições pelo mundo afora, mostrou-se receptiva e flexível a mudanças oriundas da América Latina.

Até onde sei, tal reação se deveu muito ao trabalho de um senhor chamado Andrés Bello, que se não troco as bolas foi por longo tempo reitor da Universidade de Chile. Ah, a propósito: parece-me que as universidades mais antigas da América Latina foram fundadas em México, em 1553, e Lima, em 1577. Eu não sabia disto... Alguém aí pode por favor me dizer qual a universidade brasileira mais antiga? Perdoe a minha ignorância neste assunto, se bem que não se pode saber tudo! Eu não conheço ninguém que saiba... TUDO. Você conhece?

Pois é, daí que o poema da colega PRIMA me fez querer saber mais sobre as origens dessa nossa Língua Portuguesa. Se souber de alguma coisa não seja tímido, ilumine-nos com seu conhecimento sobre o assunto, sim? Eu, pelo menos, só tenho a lhe agradecer.


Ah, em tempo: recomendo duas autoras aqui no Recanto. Uma é ISOLDA HERCULANO, cujos textos acompanho há mais de seis meses e a outra é ZULEIKA DOS REIS, com quem cruzei por aqui na virada no ano. Sem interesses escusos, colegas, é só uma dica, sim? Recomendo-as simplesmente porque, até agora, gostei do que li em suas respectivas escrivaninhas. Um abraço fraterno e uma ótima semana!

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Lembrete: Caso ainda não o tenha feito, leia BIOGRAFIA EM 6 PALAVRAS e participe do desafio :-)
Helena Frenzel
Enviado por Helena Frenzel em 17/01/2010
Reeditado em 18/01/2010
Código do texto: T2034436
Classificação de conteúdo: seguro

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Sobre a autora
Helena Frenzel
Alemanha
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