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Texto

Jacques Lacan,  um psicanalista francês, dizia que não poderíamos suportar nossas vidas, se não tivéssemos a certeza de que, um dia, essa história (o mundo) vai acabar.
 
E ele afirma que é a angústia  o nosso sentimento mais real, e mais verdadeiro.
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Nos angustiamos porque sabemos da nossa finitude.
Saber disto nos faz pensar em transitoriedade, e não queremos isto, nosso ser aspira por permanência, por solidez, e pelo infinito.

Então idealizamos demais nossas vidas, embora saibamos que entre o que de fato é o ideal e o que é possível, há uma distancia grande, e que é nesta “equação” - (diferença entre o ideal e o possível) que moramos de verdade.
Só que a realidade desta matemática nos é por demais assustadoras em muitos momentos.
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Nosso Ego tem que aprender a morrer das ilusões que cria pra conseguir viver “nessa angústia” constante.

Vamos amadurecendo e percebendo que verdades não existem que o que temos da vida são frestas no tempo, e que se não as percebemos nas versões dos instantes, tudo pode se perder. 
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Nossas ilusões formam entulhos imaginários do tempo perdido, e impedem a passagem do nosso presente.
Ao invés de fluir (como um rio) formamos diques, que, ou ficam presos transbordando pelas bordas em insatisfações, ou uma euforia desmedida se instala – a busca pelo prazer a qualquer preço. 
O perigo é justamente quando o dique se rompe e se transforma em tragédia.
São quando nossas  premissas não se transformam em certezas, afinal os rios recebem interferência em suas margens, como nós, não somos tão livres como imaginamos e queremos ser, fatores externos a nós se juntam a nossa jornada, e cabe a nós administrarmos o nosso “rio” que se derrama nos nossos entornos.
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Nosso inconsciente durante os sonhos busca no nosso cotidiano as imagens que “captamos” daquilo que vivemos, sonhamos, escutamos, vemos, cheiramos e tudo o que nossos sentidos conseguem perceber.
 
Atualmente uma avalanche de tragédias vem acontecendo, desmoronamentos de terra, inundações, tsunamis e terremotos.
E estas imagens nos chocam muito, o que é natural.
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Sonhar que o mundo está se acabando; com terremotos, ataques nucleares, céu que cai sobre nossas cabeças, sol que explode, meteoros que atingem a terra etc. falam das nossas catarses internas.
Ex: Um terremoto (ou tsunami) acontece para que as camadas do fundo da terra se assentem equilibradamente- e por mais desumano que possa ser  - é a natureza se ajustando.
 
Do mesmo jeito somos nós e nosso psiquismo:
Não se pode fugir do equilíbrio; a tendência do nosso inconsciente é "providenciar" um fato que promova a homeostase da vida. (muitas vezes este "tufão" é uma paixão avassaladora que nos faz voar para longe, nos arranca de uma inércia ou apatia pela vida).

Sonhos desta magnitude nos alertam pra que prestemos atenção nas nossas transformações internas e externas, ou na desorganização psíquica na construção da nossa jornada.
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O que preocupa de fato, - além das mortes  – em toda tragédia, é o destino de quem sobreviveu.
E o que conforta nestes casos é saber que existe a lei dos contrários, pois a própria natureza mostra que sempre que há desordem, há uma lei máxima que nos rege, o principio da enantiodromia  da existência - e que é a lei necessária para que o mundo continue mundo,  de uma forma melhorada.
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Importante que ao acordar de um sonho desses, possamos encontrar um sentido nas imagens oníricas caóticas, contextualizando-as na nossa experiência diária.
Perceber se o sonho não aconteceu justamente para que se coloque um ponto final em situações desgastantes, ou de ciclos que devem ser encerrados, para que a vida possa ser recriada, redesenhada;
ou quem sabe os ajustes que devem ser feitos, para que a “terra” dos nossos caminhos fique mais transitável, entendendo que de todo caos sempre segue a ordem posteriormente.
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Termino o artigo com um verso do nosso amigo Jacó Filho (aqui do recanto) quando ele traduz em uma poesia (catártica) seu sentimento pelos últimos acontecimentos:
 
 “Milhares de vidas, custou à agonia
Decorrente dos ajustes, a se fazer
E que o terremoto, fará acontecer!”
 
Ne. poesia 18.01.2010 
 


 
Este artigo tem como constructo teórico a Psicologia de Carl Gustav Jung – Psiquiatra Suíço e fundador da Psicologia Analítica Junguiana.
O estudo sistemático dos sonhos, de seus pacientes e dos seus próprios sonhos, bem como dos conceitos Junguianos, encontram-se descritos numa extensa bibliografia deixada como herança deste grande curador de almas, como também dos seus inúmeros discípulos (Marie-Louise Von Franz, por exemplo) que nomeá-los aqui como referencias a lista seria extensa demais.
 
O livro O Homem e Seus Símbolos quem sabe seja - para mim - uma referência maior.
Nele Jung pontua que o homem só se realiza através do conhecimento e aceitação incondicional do seu inconsciente — conhecimento este que ele busca e toma para si, através da análise dos seus sonhos.
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Links de outros artigos. (Para abrir pausar o mouse no título e clicar).

 

Sonhar com traição – o que significa? 
 

Sonhar com sangue - o que significa? 
 

Enantiodromia e as catarses da vida.

 

Maria Poesia
Enviado por Maria Poesia em 18/01/2010
Reeditado em 23/07/2012
Código do texto: T2037048
Classificação de conteúdo: seguro

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Sobre a autora
Maria Poesia
Florianópolis - Santa Catarina - Brasil
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