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Religiosidade e cultura dos haitianos com os mortos

PORTO PRÍNCIPE, Haiti —  Terremoto de 12 de janeiro. Autoridades haitianas anteciparam  um balanço superior a 150 mil mortos, mais as milhares de pessoas que continuam sob os escombros.
A tragédio do Haíti abalou o mundo. Foram milhares de moros e milhares de familias e lares desfeitos diante da furia da natureza. Ninguem é culpado de nada, não há pecadores a serem condenados e não é castigo divino. A causa é geologica. Segundo os pesquisadores:
“É um movimento constante na região e até um certo momento que é o que acontece terremotos, vão acumulando energia e chega um momento em que essa energia é liberada e foi liberada exatamente na região do Haiti”, diz George Sands, sismólogo da Universidade De Brasília (UnB).
Após a tragedia fica o problema dos corpos em decomposição. Não ha como resolver esse problema em pouco tempo. De acordo com a Agência Brasil, foram abertas valas com 20 metros de extensão e dois metros de largura. Em cada cova, os militares colocaram 20 corpos. Antes do enterro, os corpos foram fotografados para possível identificação posterior. Muitos nem poderão ser identificados. Para o ministro da Defesa, Nelson Jobim, os brasileiros desaparecidos podem ser considerados mortos.
"A expressão desaparecidos é uma expressão técnica. Significa corpo não encontrado", afirmou a jornalistas no Rio de Janeiro, após retornar de visita ao Haiti.
Os corpos dos militares mortos devem começar a ser liberados no domingo, informou o general Eduardo Segundo Liberali Wizniewsky, comandante da 2a Região Militar.
Eles foram embalsamados e colocados em um caixão lacrado. A ONU está a cargo dos procedimentos burocráticos para que eles possam ser enviados ao Brasil.
Caminhões de entulho do governo têm colocado corpos em valas desde sexta-feira. Ninguém contabiliza, registra imagens ou procura por nomes. Em alguns lugares, pernas e braços de estranhos se trançam em uma dança paralisada, mas aqui o chão foi coberto por uma terra que apaga todo e qualquer sinal de vida.
Junto com tudo o que foi roubado pelo terremoto da semana passada, os haitianos têm que somar outra perda: a habilidade de identificar e enterrar seus mortos. Os rituais funerários estão entre as cerimônias mais sagradas para os haitianos, que são conhecidos por gastar mais dinheiro nos seus túmulos do que em suas próprias casas.
Existe uma importancia cultural grande para os ritos cerimoniais. Isto é fonte da religiosidade local e de tradições, que agora quebradas podem gerar desconforto psicologicos aos sobreviventes. "Manter uma relação com os mortos é o que permite que os haitianos se unam diretamente, através de laços sanguíneos, com um passado pré-escravo", disse Ira Lowenthal, antropólogo que morou no Haiti durante 38 anos. Ele acrescentou que com tantos corpos enterrados fora dos túmulos familiares, onde muitos rituais acontecem, incontáveis conexões espirituais serão cortadas. "Isso é uma violação de tudo o que estas pessoas valorizam", Lowenthal disse. "Por outro lado, as pessoas sabem que não têm escolha." A situação de calamidade publica gerou a necessidade de enterrar urgênte os corpos, assim evitando situações mais graves de saúde publica, pois a falta de alimento e agua ja é um problema serio no pais. Dentro e fora de Porto Príncipe, o geralmente alto padrão cerimonial foi abandonado. As ruas têm menos corpos agora, mas o necrotério está superlotado e casas funerárias têm mais corpos do que podem embalsamar.  Existe a falta de varios recursos no pais, inclusive materia prima para produtos funerarios.
Os caixões de madeira vistos nos primeiros dias depois do terremoto, carregados sobre caminhões, também são mais difíceis de se encontrar. Nas ruas estreitas atrás do cemitério nacional, onde a maioria deles é construída, os carpinteiros afirmam não ter madeira e eletricidade para dar continuidade à produção. Esse conflito de cultura e realidade catastrofica ira marcar as vidas de todos os haitianos, mas com o tempo as coisas podem ser melhoradas e a situação amenizada para o conforto desse povo sofrido.
necropsista
Enviado por necropsista em 26/01/2010
Código do texto: T2051726

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Sobre o autor
necropsista
São Paulo - São Paulo - Brasil, 44 anos
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