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Marcas da Eternidade ( Por Raquel de Queiroz)

(Desabafo por Raquel, registros descritos e inscritos no coração do mundo.)



Tem gente que não morre, nem deixa de existir, mesmo depois que o corpo pára.
Tem gente que fica na memória do povo e retrata tão fielmente a realidade, que suas palavras permanecem para todo e sempre.
São ícones da nossa cultura que fazem a diferença, tanta, que enquanto houver palavras, ali estará a presença dela.
Primeira mulher a ingressar na ABL, presa política em 37 por participar de ações de esquerda, inserida no modernismo, prosa regionalista, enxuta e viva , retratava, não só o coronelismo e o flagelo da seca, mas a peculiar característica do povo nordestino,que, pressionado por forças atávicas, aceita fatalisticamente seu destino.
Sua cadeira na academia jamais estará vazia, é uma história construída e constituída por quase um século, em total fidelidade às raízes nacionais, representando, sem dúvida nenhuma, um marco na história da cultura brasileira.
Muito poucos conjugaram com tanta harmonia, o político – social e o psicológico, tendo atingido em Três Marias, o máximo, e valorizando,efetivamente, em Caminho de Pedras, mas já em 1930, a preocupação explícita com essas características literárias estavam inscritas em, O Quinze e João Miguel.
Dos folhetins da revista O Cruzeiro, que publicava O Galo de Ouro em 1950 , à brilhante adaptação para minissérie Memorial de Maria Moura , na TV Globo em 1992, todos viram por que caminhos tão realistas passavam a ficção em forma de romance, impecável, imperdível, jamais esquecidos ou empoeirados em prateleiras meramente decorativas.
Como desacostumar? Foram décadas e décadas com surpresas
deliciosas que encantavam leitores de todas as idades.
Como cronista, deixou marcas inesquecíveis :
A Donzela e a Moura Torta, Cem Crônicas Escolhidas, O Brasileiro Perplexo, O Caçador de Tatu e Outras Crônicas, As Menininhas e Outras Crônicas, O Jogador de Sinuca e mais Historinhas, além de obras imortais para o teatro, como: Lampião, A Beata Maria do Egito e A Sereia Voadora.
Onde está O Menino Mágico? Será que ele renasceria a
nossa Fortaleza, que carregava em sua forma de ser, o jeito singular que leva o nome de sua cidade natal?
Além deste, Cafuti & Pena de Prata também marcou sua passagem pela Literatura Infantil.
Merecedora e ganhadora de vários prêmios de literatura, certamente, ao descansar na eternidade, não deixa sentimentos de perda, porque, além da saudade enorme , ficam marcas eternizadas no povo brasileiro.
Vai, descansa em paz, sua missão está cumprida, sua memória, certamente encorajará a outros, mergulharem tão fundo na palavra, que retrata a realidade de uma nação.
Não, não vamos nos despedir, você eternizou.
Inevitavelmente o céu chorou nesse 4 de Novembro de 2003
em forma de chuva, mas, certamente foi de emoção, pois bem sabe ...
É tão verdadeiramente insubstituível que irá sim, pedindo licença, apenas ao tempo, que nunca se rende...
Mas, ficará conosco, Rainha da Literatura Brasileira,
Raquel de Queiroz, de todos nós !
Rompeste tantas barreiras,sua biografia viva, extraída de várias partes de cada elemento da sua obra, ficará selada, eternamente, no coração do teu povo.
À você, muito obrigado!
Todos os aplausos, de pé, neste dia, são seus.

"O desabafo personalizado por Rachel, é também, uma saudosa referência a tantos outros ícones culturais, que, certamente, escrevem hoje, uma magnífica obra celestial: Drumond, Vinícius, Pessoa, Clarice, Amado, Maria Clara, Bandeira, Lago, Veríssimo, Graciliano, Janete, Dias, Leonor...Os não ditos, mas incluídos, jamais esquecidos, nem desmerecidos, apenas o papel, é finito.
Em todos os tempos, tantos já se foram, fiéis à lei que não dá escolha na permanência visível; adeus também a João e Maria, representantes autorais dos que partiram anônimos, mas, escreveram, antecipando em letras, a morte e a vida...Qualquer hora eu também estarei indo, aos que chegarem, sejam bem vindos...
Como é efêmero escrever o mundo, sabendo-se nada, e ainda, ao mesmo quase extato instante, que regozijo, descrevendo o que posso escrever enquanto existo, na madrugada que já é finda, e, os pássaros cantam".

(escrito no dia da morte de Rachel de Queiroz - extraído do livro MARCAS - Amotta, Márcia Beatriz, todos os direitos reservados, FBN)



Márcia Beatriz Prema
Enviado por Márcia Beatriz Prema em 01/08/2006
Reeditado em 08/08/2006
Código do texto: T206818

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Sobre a autora
Márcia Beatriz Prema
Rio de Janeiro - Rio de Janeiro - Brasil
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Márcia Beatriz Prema