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O futuro da juventude


Há um versículo na Bíblia, no livro do Eclesiastes, o qual diz assim: “Alegra-te, jovem, na tua juventude, e recreie-se o teu coração nos dias da tua mocidade; anda pelos caminhos que satisfazem ao teu coração e agradam aos teus olhos; sabe, porém, que de todas estas coisas Deus te pedirá contas” (Cf. Ec. 11:9).
É comum de se ouvir que os jovens são o futuro da Nação; outros contestam isso, dizendo que eles são o presente e não o futuro. Na verdade, as duas afirmações podem ser verdade, porque o futuro não nega o presente, apenas se apresenta como mais uma de suas possibilidades. Mas o que queremos analisar é a possibilidade dos jovens de hoje virem a ocupar os espaços do amanhã. Não resta dúvidas de que isso é possível, desde que façam as lições de casa de hoje.

Segundo Paulo Freire, a única forma de se garantir que algo que não pode ser feito hoje, seja realizado amanhã é fazendo hoje aquilo que hoje pode ser feito. Se o jovem fizer hoje as escolhas certas, que o capacitem para desenvolver excelentes atividades produtivas amanhã, então atingirá os seus sonhos. Mas, contrário senso, se não fizer boas escolhas hoje, amanhã ele acabará por ficar fora do processo, sendo substituído por outro que seja mais competente do que ele.
 
A nossa sociedade é chamada de sociedade do conhecimento, porque ela muda quotidianamente em função dos novos conhecimentos que são adquiridos. A posição que um jovem de hoje irá ocupar na sociedade de hoje e de amanhã é diretamente proporcional ao conhecimento que ele possui. Conhecimento é poder. Quanto mais conhecimento se tem, mais poder se adquire. E poder é a competência que uma pessoa possui para realizar determinadas atividades.

O versículo da Bíblia que foi lido no início fala sobre a liberdade de jovem para fazer qualquer coisa que ele deseja. E o nosso país, o Brasil, consagra o direito à liberdade em sua Constituição Federal, observando os limites da lei. Nós somos livres para fazer aquilo que não atenta contra os direitos de outras pessoas. A mesma Constituição que nos garante direitos, garante também direitos para os demais. De forma que esse é o limite. Meu direito termina onde começa o seu.

Agora dentro dos limites estabelecidos para a liberdade, sim, o jovem pode fazer o que desejar. Todavia, como o seu futuro depende do que ele vier a fazer, é importante que saiba fazer as melhores escolhas. E é nesse ponto que quero falar com mais liberdade.

O jovem da sociedade do conhecimento, coletivamente falando, está preocupado com muitas coisas. Ele quer namorar, que agora é sinônimo de ficar, de sexo livre, de beijos ardentes e de bolinações libidinosas. Ele quer farrear, beber, fumar, usar drogas e outros estimulantes. Estar presente nas boates, nos points de aglomeração como o Gandaia, a Boa, o Pau do Meio e outros lugares semelhantes. Ele gosta de freqüentar as Lan Houses para jogar... O jovem de hoje, com raras exceções, está bem pouco interessado em adquirir o conhecimento das ciências. Ele vem a Escola. Gosta do espaço escolar, gosta dos professores e dos colegas. O que eles não gostam mesmo é de estudar. O ato de adquirir conhecimento é chato, maçante e enche...

Então aqui é que está o problema. Como conciliar a necessidade de adquirir o conhecimento que eu preciso para ter um espaço no futuro, com a minha vontade de divertir e fazer as coisas boas que posso fazer hoje? Não há outra resposta.

Os jovens que ontem ocuparam a sua vida apenas se divertindo, hoje eles estão no subemprego. Não é de se dizer que eles não sejam necessários hoje. É claro que são úteis. A sociedade tem necessidade de muitas atividades. A maioria delas exige uma preparação adequada. Essas são as que obtêm as melhores remunerações. Mas têm outras que não exigem preparo, mas se paga bem pouco pelo exercício delas.
Que tipo de futuro você pretende ter amanhã. A vida de adolescente, que vai dos doze aos dezoito anos é muito curta. Aos dezoito, a lei transforma o jovem em uma pessoa absolutamente capaz. Nessa ocasião, ele passa a responder por todos os seus atos civis e criminais. É o fim do tempo da proteção paterna, embora não seja proibido que os pais continuem ajudando os seus filhos pela vida afora. Mas isso não é bom, porque vem o dia em que os pais morrem e então os filhos que foram sempre carregados não sabem o que fazer e se perdem, não conseguindo mais se encontrar.

O jovem deve se preparar para o dia em que vai adquirir a maturidade, a maioridade e a responsabilidade. É nesse compasso que devemos analisar a necessidade de nos sacrificarmos um pouco em prol da aquisição do conhecimento, para que nossa maturidade possa ser vivida com tranqüilidade, com uma boa renda mensal, com um serviço mais leve e com mais disponibilidade de tempo para nos dedicarmos ao lazer e às atividades prazerosas da vida.

Os tempos do aprendizado duro não são tão longos se comparados com o curso da vida. Vale a pena limitar o tempo do prazer nos primeiros vinte anos de nossa vida, para termos a oportunidade de desfrutá-lo no curso dos outros sessenta anos que temos possibilidades de viver. Se não virmos isso agora... Se não fizermos as escolhas certas nesse momento... Se insistirmos em nosso direito de não fazer nada, de passar de ano sem aprender os ensinamentos que nos são transmitidos, nós haveremos de ser diplomados com toda a certeza, mas no nosso futuro não passaremos de subempregados diplomados e pós-graduados.

Conseguir o diploma é muito fácil. Basta comparecer à escola. Com isso podemos enganar muita gente. Mas o futuro é nosso e não das pessoas que hoje enganamos. E não podemos enganar a nós mesmos, fazendo de conta que estamos nos preparando para o amanhã, a não ser que o futuro desejado por nós seja um mundo de fantasia, ao invés da dura realidade que espera por todos.

Conseguir o conhecimento exige dedicação, empenho, sacrifício, vontade de vencer. Nós vamos trabalhar com os dois grupos de jovens: o dos que querem fazer de conta e o dos que querem fazer a diferença. A minha esperança e a oração a Deus é que a maioria de meus alunos estejam no grupo de elite, dentre aqueles que vão ocupar os principais espaços de amanhã e que serão responsáveis pela continuação da vida humana nesse planeta.

O mundo não pertence àqueles que apenas vivem nele, mas sim àqueles que lutam com galhardia para transformá-lo em um lugar melhor para todos nós vivermos. Como professor, quero ter o prazer de contribuir na formação dessa geração, no sentido de prepará-la para ser o alicerce das gerações futura. Que aqueles que lá viverem possam ter motivos para agradecer à juventude de hoje por ter feito o seu dever de casa, tornando possível a consolidação das transformações que asseguraram a qualidade de vida na Terra.

Enfim, o jovem somente será futuro se hoje for efetivamente o presente.
 
Prof Izaias Resplandes
Enviado por Prof Izaias Resplandes em 07/02/2010
Reeditado em 13/09/2014
Código do texto: T2075007
Classificação de conteúdo: seguro

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Sobre o autor
Prof Izaias Resplandes
Poxoréo - Mato Grosso - Brasil, 59 anos
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