Capa
Cadastro
Textos
Áudios
Autores
Mural
Escrivaninha
Ajuda
Textos
Texto

GRENAIS: Outros tempos


O encontro futebolístico entre Grêmio e Internacional, o GRENAL, é verdadeiramente um embate de gigantes. Gaúchos que movem, comovem e envolvem toda a nação do pampa.
Lembro perfeitamente a referência que fez, o já falecido jornalista Jorge Alberto Becker Mendes Ribeiro, em sua coluna à época no jornal Correio do Povo, referindo a um jogo  que ficou conhecido como  "GRENAL do Século" , vencido pelo Internacional que perdia a partida de 1x0 e com ainda com um jogador a menos, virou o escore vencendo ao final, por 2x1.
Disse, Mendes Ribeiro: " ... pelo estrondo da queda do gigante,  pode-se perceber o tamanho e a grandeza do outro,   o vencedor. ..."
Assim como esta, outras tantas referências já foram feitas para os GRENAIS do Rio Grande do Sul, uma vez que estamos quase beirando aos quatrocentos encontros dessas duas equipes.
No entanto o que têm chamado a atenção, ultimamente, é o comportamento das torcidas principalmente para a do Grêmio Futebol Porto-alegrense. Somente em duas oportunidades neste ano de 2006 - dois GRENAIS  -  transformaram o estádio Beira-Rio, do Inter, em palco de guerra.
Guerra  contra o patrimônio privado, contra o patrimônio público, contra a brigada militar e contra as pessoas. Em outras palavras, a torcida do Grêmio fez da casa do Inter, terra arrasada quebrando, depredando e bagunçando a vida dos cidadãos.
Na verdade, nestas duas oportunidades, e dado os acordos de cavalheiros entre os dirigentes, pouco mais de seis mil lugares foram reservados para a torcida adversária, ou seja, o Grêmio levou ao estádio  um número irrisório de torcedores, considerando os trinta e poucos  mil torcedores do dono casa.
Pois  foram exatamente nestas duas ocasiões  que estes poucos, custaram   milhões para a sociedade gaúcha.
Primeiramente, porque muitos deles vem da Grande porto-alegre, portanto, já vem quebrando, pixando, vandalizando, desde o metrô até a chegada ao estádio olímpico, concentração obrigatória do povo azul. Ninguém pode seguir sozinho para o estádio adversário, dada a rivalidade.
Depois todos, em bando, são escoltados por um verdadeiro aparato - policiais militares -  deste local até o local do jogo. Aqui, já se admite  que um possível encontro de vermelhos e azuis significa batalha e  pancadarias.
Mesmo escoltados, existem brigas,  depredações, xingamentos e ânimos acirrados.
Assim é, assim foi neste último GRENAL, julho de 2006, onde o espetáculo mais uma vez deixou de ser o jogo de futebol, onde as estrelas das equipes foram substituídas por cenas lamentáveis, transmitidas para o mundo inteiro.
Pois os poucos torcedores do Grêmio, depois da concentração, depois da escolta da Brigada Militar, e antes de adentrarem ao estádio, depredaram já na chegada, o Galpão Crioulo, ainda em obras, que o Internacional começa a construir nas proximidades do Beira-Rio.    O estrago, segundo se soube foi de grande monta. Já no interior do estádio, enfrentaram a Brigada Militar. Socos, chutes, agressões e afrontas. Não satisfeitos, arrancaram as grades que dividem as torcidas  e partiram para cima da social do Inter, ou seja, invadiram o espaço alheio e trataram de bater, atirar pedras e todo o tipo de agressão aos sócios do Internacional.
Nas sociais de um clube, normalmente é o local onde as famílias se encontram para assistir aos jogos.  Não precisa se falar em crianças,  idosos e mulheres.
Ainda insatisfeitos, e não prestavam a atenção ao jogo, atearam fogo nos banheiros químicos colocados a sua disposição. Fogo é fogo e onde há fumaça, há fogo.
Fogo e a fumaça eram tanto, que o juiz, um paulista, certamente que nem nós, incrédulos  com a situação, interrompeu a partida, pois mais de quinze minutos para que a fumaça se dissipasse. Aliás, a partida teve que ser suspensa por duas vezes.
Guarnições do Corpo de Bombeiros tiveram que comparecer ao estádio e apagar o verdadeiro incêndio  que acontecida em pleno Beira-Rio. A bagunça foi geral, de envergonhar a todos.
Feito o estrago, dá para nestas alturas calcular o prejuízo que estes vândalos custaram para a sociedade, para os cofres privados e para os cofres públicos.
Além disso, mancharam o nome do Rio Grande e pisotearam o nome do seu próprio clube.
O que se discute agora, é a possibilidade de que em GRENAIS futuros, o time visitante fique impedido de levar sua torcida, ou seja, o espetáculo seria de uma torcida só.
A idéia não é ruim , considerando que pouco  de seis mil ingressos são reservados para os visitantes.
Isto é válido porque estaríamos dispensando um verdadeiro batalhão de soldados de proteger, em desfile pelas ruas da cidade,  poucos mais de seis mil vândalos.
Isto é válido porque estaríamos protegendo ainda, os trens, os ônibus, os prédios públicos  e também a integridade das pessoas.
A hora é essa então.
Internacional e Grêmio, somado aos órgãos públicos da justiça e da segurança, têm que sentar a mesma mesa e decidir: se  o jogo é no estádio dos vermelhos, os azuis que fiquem em casa. Se, na casa do azuis, os vermelhos  que o fiquem.
Será  melhor para todos com certeza, pois futebol e  paixão se confundem e se aceitam,  mas futebol com   atos de vandalismo, depredação e  intimidação, isto não se aceita, pelo contrário se condena e se reprime.
Que prevaleça a razão.
Para finalizar uma boa lembrança feito pelo Carlos Ramiro: Havia tempo em que em GRENAIS, as torcidas eram divididas no estádio por um pequeno cordão humano, formado pelos soldados da Brigada Militar. No máximo o que eram trocados de um lado para outro, eram sacos plásticos contendo água não potável, portanto não bebível. Eram tempos em que se ia para os estádios às dez horas da manhã e,  com no máximo um pedaço de galinha enrolada na farofa e não sacolas de foguetes, rojões, pedras e porretes.
     

CesarO
Enviado por CesarO em 03/08/2006
Reeditado em 03/08/2006
Código do texto: T208345
Enviar por e-mail
Denunciar

Comentários

Sobre o autor
CesarO
Porto Alegre - Rio Grande do Sul - Brasil, 60 anos
873 textos (24111 leituras)
(estatísticas atualizadas diariamente - última atualização em 04/12/16 12:39)