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Educação_um caso sério e triste

Eu entendo uma nação, como um grande edifício em construção.
A educação, seria o alicerce dessa construção, que pode ser melhorado a qualquer momento, mas também pode ruir completamente, dependendo da fundação que estiver sendo efetuada nele, estacas que se partem, material de má qualidade utilizado para baratear custos, etc.
Essa fundação, a meu ver, é constituída pelos professores, nossos queridos mestres que têm a função divina e de extrema responsabilidade que é, utilizando-me das palavras de uma grande amiga,"formar opiniões".
Na verdade eu acredito que eles tendem a formar, muito mais do que meras opiniões,.
Infelizmente, muitos deles nem se deram conta disso ainda.
Para os governos do tipo que nós temos, não interessa um alicerce firme e bem construído. É infinitamente mais fácil manipular "construções mal feitas".
Alguns professores, conscientes dessa falha dos órgãos competentes, tentam suprí-la exercendo com dignidade e responsabilidade a função, e mais que função, a MISSÃO a que se propuseram.
Entretanto, outros mestres existem,  que sob a alegação dos baixos salários que recebem, deixam que crianças indefesas e ingênuas, sejam empurradas pela vida, aos safanões, sem nenhuma estrutura ou condição de enfrentar lá na frente, o monstro da competição que os espera e que os destruirá, sem dúvida alguma.
Esse monstro é criado com facilidade, nos "laboratórios" que são as escolas particulares.
O responsável por esta tremenda injustiça, quer queiram ou não, é o professor. Aquele que não amou a arte de ensinar, que fez menos do que era possível, seja qual for a justificativa que tenha tido, ela não justifica a frustração do menino que segue pela vida a fora perdendo, perdendo, perdendo... e acreditando que é culpa da sorte.
Eu sempre acompanhei o andamento escolar dos meus funcionários, e constatei, com grande dose de revolta, desilusão e pesar, o quanto eles são enganados, o quanto eles ignoram as idiotices que fazem na escola, achando que estão aprendendo.
E um desses casos, o Paulinho, ao mencionar o que tinha feito na prova que tirou nota máxima, eu propus a ele um desafio: que se ele me apresentasse a prova corrigida pela professora, eu pagaria o salário dele em dobro.
O coitado foi pra escola feliz, em busca da tal prova, que logicamente, nunca lhe permitiram que trouxesse para eu ver. Eu tive a nítida impressão, que a professora registrava as notas sem ao menos abrir as provas para corrigir, tamanho era o absurdo que ele havia mencionado como certo. E muitos outros casos que eu tive oportunidade de constatar, de gente que não teria condições nem mesmo de trabalhar na merenda escolar, mas estavam lá nas salas de aula, fazendo absurdos e impropérios, sob a qualificação de lecionar.
Graças a Deus, toda regra tem exceção, porque alguns, muito poucos é verdade, ainda não abdicaram do direito de ser honesto consigo mesmo e com a educação das crianças, pelas quais são responsáveis. Muito poucos, mas ainda existem os que são fiéis ao juramento que fizeram, e sobre estes, com certeza, está todo o peso da educação no país. São eles SIM, que carregam seus colegas irresponsáveis nas costas, porque sem eles, o ensino já teria ruído completamente no nosso país.
Mas é profícuo não nos esquecermos nunca de que, os governos passam, as crianças crescem e vão embora, saem do nosso raio de visão, as escolas ficam para trás, quando um professor aposenta e muda o rumo da sua vida, mas a consciência, esta nos acompanha pela eternidade, e para quem abraçou a ingrata profissão de professor, a única paz da sua consciência, é olhar para trás e ver que foi UM BOM PROFESSOR. O resto é detalhe...

Santos, 13.08.2005
 
Tere Penhabe
Enviado por Tere Penhabe em 05/08/2006
Código do texto: T209654

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Sobre a autora
Tere Penhabe
Santos - São Paulo - Brasil, 61 anos
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Tere Penhabe