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JORNALISTAS X JORNALISTAS

 JORNALISTAS X JORNALISTAS

No artigo de autoria de Arnaldo Carmona, Célio Albuquerque e Luiz Antonio Maciel, os jornalistas epigrafados trazem à tona, um assunto palpitante e de vislumbramento colossal, já que são inseridos termos que normalmente os jornalistas não usariam em suas matérias de repercussão, como acontecimentos de alto interesse jornalístico. Assemelhados e marqueteiros e principalmente por aqueles que aderem à hipocrisia do tráfico de influências. É sabido e notório que na imprensa sempre houve uma disputa oculta pela informação, o rol dos arquitetos dessas disputas são jornalistas e assemelhados (que se assemelha, parecido, semelhantes), situados normalmente em campos opostos, de um lado e outro do balcão, as chamadas redações e assessorias de imprensa.
É um universo onde as estrelas têm seu grau de intensidade, e valor. É um grau tão “diamantizado” que as resoluções são executadas a luvas de pelica. Os jornalistas ficam do “outro lado do balcão” não são afeitos a conflitos ostensivos com seus companheiros de redação. Determinados acontecimentos, idéias e temáticas são, de algum modo, os referentes dos discursos jornalísticos. Porém, o acontecimento ganha na competição, até porque o ritmo do trabalho jornalístico dificultaria que se desse uma ênfase semelhante às problemáticas e os processos de longa duração. Diz uma celebridade futebolística que “toda problemática tem uma solucionática”, todavia aquilo que, de uma forma geral entendemos por acontecimento, e do qual podemos falar como acontecimento, parece que tem naturezas profundas distintas. É quase um código de ética, mas sempre limitada, pouca admitida em público, é jamais reclamar de erros cometidos por repórteres. Se a queixa seguir os trâmites legais o queixoso receberá de presente sem embalagem, um inimigo ferrenho seria melhor um diálogo com o autor da matéria, pois roupa suja se lava em casa. Há sempre uma desculpa esfarrapada que vai mexer com os brios de alguém, e esse é inexoravelmente o editor, “que assume a responsabilidade” sem saber. È evitar que essas picuinhas venham a público, senão só Deus acudirá.
A guerra já é um conflito mortal, com danos irrecuperáveis, a batalha entre jornalistas apesar de serem recentes, sofreram transformações em função do golpe militar de 1964, e da “modernização” das empresas editoras de jornais e revistas. O que se vê são obuses, disparando rajadas de letrinhas que como passe de mágica vão se unir formando ou formulando a paz entre os formadores de opiniões. Cada um coloca em primeiro plano sua versão, mas na verdade não existe nenhuma obrigatoriedade em se aceitar a opinião de alguém. Não vamos criticar determinados setores em detrimentos de outros, será que as ingerências ou as faltas e erros cometidos por jornalistas tem como vetor principal a ditadura militar e a modernização? É certo que em qualquer regime, mesmo não sendo ditatorial existem certas proibições, a política a meu ver não foi banida, foram banidos os maus políticos, a sociedade não foi excluída das decisões e sim uma parte dela que só queria tirar proveito, tanto é que depois do regime o País vive dilema morais horripilantes por causa de uma sociedade injusta e interesseira. Em 1970 em não chamaria milagre econômico, em primeiro nada cai do céu à toa e milagre não existe. Existem sim planejamentos, apelo popular e uma política voltada para o bem estar da população. A inflação sempre existirá, pois depende de fatores externos e não há como evitar esse câncer que dilacera o bolso dos consumidores, mas pode ser controlada, desde que, haja bom senso e seriedade com o erário público. Ponto positivo o crescimento das editorias de economia e o noticiário econômico tiveram forte apelo popular. Várias nuanças estão inseridas nessa matéria, entre elas o jornalismo de reportagem, a denúncia e a investigação, que cederam lugar ao entretenimento e aos negócios. Houve um interesse muito grande na conciliação de interesses principalmente os editoriais e comerciais com sofisticação, as famosas matérias pagas ou recomendadas pelo departamento comercial e publicadas com material editorial, resultados de verdadeiros acaches (Acaçapar, agachar; esconder, ocultar; acaçapar-se, agachar-se; esconder-se, ocultar-se). Neste campo a velha águia foi mestre e gênio. Às vezes as coisas ruins se transformam em boas como o MASP Museu de Arte de São Paulo. Diante das mudanças acontecidas aqui já debatidas nas entrelinhas houve um ajuste onde os assessores de imprensa tiveram uma ascensão muito grande conforme versões do governo e das empresas estatais e privadas.
Entre 70 e 80 as lógicas dos negócios se sobrepuseram ao jornalismo, isto nas empresas editoras de jornais e revistas, a (Editora Abril) chegou ao auge em transformar o editor de algumas revistas em Publisher, mas com uma tarefa ingrata de conciliação “docemente constrangida”, o material editorial com o comercial. Notamos nesta matéria um vai e vem de pontos negativos associados a outros positivos visando uma melhoria no setor, mas com certo ranço logo no título da matéria e pelos acontecimentos aqui comentados tornando uma profissão de muito valor com certas nuances que denotam ser o setor formado por profissionais que não de “imantizam” para formar um poder de coesão, discutem, brigam, augerizam e ás vezes tornam-se inimigos, mas como o jornalismo não pode esperar, os de boa vontade procuram a todo custo mesmo imitando modelos mais eficientes uma eficiência localizada. O modelo neoliberal de jornalismo tornou o terreno fértil para a proliferação das Assessorias de imprensas formadas por jornalistas expulsos da redação por enxugamento dos quadros, ou pelos baixos salários pagos.
É o fenômeno brasileiro, é único no mundo. Não vejo com bons olhos essa perpetuação, essa modalidade de intrigas que recai sobre o profissional de jornalismo, quer queira ou não o motivo maior é o vil metal. Já não basta o código de ética do jornalista e ainda ter que usar o Manual Nacional de Assessoria de Imprensa, editado pela Fenaj-Federação Nacional dos jornalistas que ressalta: “A fonte, de um lado, deve cumprir seu dever de informar e ter consciência da sua responsabilidade social e, do outro, estar ciente de que a sua verdade não é a única e nem, necessariamente, a mais importante”. Passemos ao pressuposto que ninguém é dono da verdade, os questionamentos, as confrontações e opiniões divergentes nunca acabarão. O homem na sua imperfeição nunca aceitará de bom grado aquilo que venha a ferir seu orgulho pessoal, mesmo ele sendo discriminado ele que colocar o seu pensamento em determinados assuntos. Sempre haverá essa guerra, de um lado o assessor querendo “vender” seu cliente por meio de sugestão de pauta ou pedido de inserção de notas em seções, e o jornalista de redação busca nas assessorias informações exclusivas ou privilegiadas, de preferência previamente coletas das e elaboradas, que possam valorizar e facilitar seu trabalho.
Faz-me lembrar uma velha música popular brasileira “Nós somos dois sem...” cada qual com seu interesse e objetivação intrínseca, mesmo que seja com o auxílio do outro. A briga continua: assessoria, redação e aí eu pergunto: Quem será o vencedor? Ninguém, entre mortos e feridos salvaram-se todos. Tudo que chega de releases às redações é lixo, depende de quem pensa; será que existe uma boa estruturação nas redações? Surge uma série de discussões que não é bom nem comentar. O aluno de jornalismo analisando de per si uma matéria dessas extirpe fica zonzo com tantas interrogações que os próprios jornalistas e assessores de impressa deveriam solucionar para dar um aspecto melhor ao futuro jornalista de que a classe é única, coordenada, ordenada e que se comunicam muito bem, mas pelo que vejo aqui nesse caso “é cobra engolindo cobra e nada mais”. “Uns aproveitam a informação do outro, o assessor se queixa da falta de diálogo e informação e aí o que vamos fazer com tanto lero, lero”. No jornalismo a arrogância, o orgulho, o querer aparecer está presente, discriminação do jornalista contra o Assessor de Imprensa é um verdadeiro descambau, assim reclama Mylene Margarida, coordenadora do Núcleo de Assessoria de Imprensa de Santa Catarina. Há questões éticas que interferem nas relações das assessorias com as redações. Existe sempre uma desconfiança pairando no ar, não se pode avaliar uma assessoria de imprensa por seus releases publicados na imprensa.
Nair Suzuki e Oscar Pilagallo afirmam que recebem em média 250 releases por dia examina todos e libera apenas os que realmente interessam à empresa, faz raiva nós perdemos muito tempo, afirmam. A Folha de São Paulo parece que está conciliando este problema com o novo manual de redação e o verbete específico sobre o assunto que diz: “Trate o assessor de imprensa com respeito e desconfiança”, o jornalista deve dispensar ao lobista à mesma atenção que dispensa ao assessor de imprensa. Na realidade o que pude observar que o jornalista de redação não vê com bons olhos o assessor de imprensa e aí faço uma indagação: se existe tanta discussão sobre o assunto por que muitos jornalistas estão assumindo o cargo de Assessor de Imprensa? É briga de cachorro grande. Nemércio Nogueira mantém sua posição de que o assessor apoio o marketing, mas alerta que o trabalho de assessoria de imprensa “jamais deve ser visto como substituto da publicidade”, concordo porque haveria um confronto com os profissionais de publicidade. Merchandising, releases, marketing, publicidade, Assessor d imprensa, jornalista que cada um desses profissionais assuma as suas responsabilidades e procurem executar com lisura suas atribuições, pois uma instituição só se torna grande e soberba quando existe aliança, bom senso, companheirismo, relacionamento, equipe coletiva, todos procurando um bem comum.



ANTONIO PAIVA RODRIGUES-ESTUDANTE DE JORNALISMO-MEMBRO DA ACI-ACADÊMICO DA ALOMERCE
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Enviado por Paivinhajornalista em 06/08/2006
Código do texto: T210554
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