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Atenção! Isto pode lhe fazer mais feliz

O que teria ATENÇÃO a ver com FELICIDADE? Também não havia prestado ATENÇÃO nisso antes. Sim, ao que tudo indica, TUDO!

Veja bem, quando estamos atentos aumentamos as chances de prolongar nossas vidas, contribuindo para a redução de acidentes seja no trânsito, no trabalho ou em âmbito pessoal. Se prestamos atenção ao que as pessoas nos dizem, minimizamos a chance de responder qualquer coisa, e magoar, por exemplo, alguém que amamos muito e não queríamos ferir. Palavras podem machucar. Ok, isso já é sabido de muita gente.

Quando estamos atentos aumentamos também as chances de perceber coisas que, ao que parece, sempre estiveram ali ao lado, mas que, por um motivo ou outro, não havíamos visto – é o caso daquele homem ou mulher com quem você cruzou a caminho do trabalho, lhe deu a maior ‘bola’ e você nem notou; ou aquela palavra nova que, desde que você descobriu, vive aparecendo em tudo quanto é lugar, seja na língua materna ou numa estrangeira. Comigo, esse foi o caso, entre tantas outras, de ‘benesses’, ‘resiliência’(1) e 'Amoklauf'(2). Se bem que as duas primeiras, em Português, são muito mais desejáveis de se encontrar do que a terceira, em Alemão.

ATENÇÃO, ou seja: concentração no AQUI e no AGORA, pode mesmo levar a estados de FLOW (3) estimulando a produção de morfina e, conseqüentemente, momentos de felicidade. Eu já sabia que os hormônios e outras substâncias do corpo têm um papel fundamental em nosso humor. O que eu não sabia é que esse jogo de substâncias estivesse por trás de uma série de comportamentos que podem levar a estados duradouros de (in-) ou felicidade. O neuro-biólogo Prof. Dr. Tobias Esch (4) usou uma analogia muito simples para explicar esse jogo de substâncias: o fogo em uma lareira.

Para que se possa produzir as ‘substâncias da felicidade’ antes é preciso ter matéria prima suficiente. No caso do fogo, a lenha para queimar; no caso do cérebro, a serotonina. Depois é necessário um modo de acender o fogo, que no cérebro seria o equivalente à função da dopamina (reguladora de motivações?). E por último, para manter a brasa que produz o calor - sensação de prazer, felicidade - entra em cena a morfina (6).

Interessante esse mecanismo, não? Agora eu entendo por que o número de casos de depressão aumenta por aqui no inverno, quando os dias são mais curtos e o Sol se mostra por menos tempo: falta serotonina, Bacalhau! Certa vez, vi-me obrigada a desenhar um Sol amarelo, bem grande, todo sorridente, e colar na porta da minha cozinha. Foi a forma que encontrei de vê-lo todos os dias. Não posso afirmar que esse artifício funcionaria para outros. Eu me senti ‘mais aquecida’ depois disso.

Antes de outros autores me chamarem a ATENÇÃO para tal, eu já sabia que “informação é controle” e “conhecimento é poder”, poder esse que me revelou: quase tudo na vida pode ser aprendido. Sempre que tenho um problema, começo me informando o máximo possível sobre ele. Trato de tentar entendê-lo, dissecá-lo em todos os detalhes possíveis. Esse é o caminho que me parece mais natural.

Já topei com vários autores condenando livros de auto-ajuda, que na minha opinião recebem uma classificação errada na maioria das vezes. Até já topei com um título em que o autor se propunha trazer a solução definitiva: “O último livro de auto-ajuda que o leitor precisaria ler na vida para entender que não precisava de todos os demais”. Interessante título. Pretensioso? Seria o caso do sujo falando do mal-lavado? Ou um dos segredos estaria mesmo em cada um tentar escrever o seu próprio manual? Desde que passei a escrever regularmente sobre sentimentos (5) minha vida só melhorou.

Bom, opiniões à parte, tenho tido a oportunidade de encontrar profissionais sérios e renomados (nas áreas de Psicologia e Neurologia) ocupados com o que por enquanto é conhecido como Ciência da Felicidade. Partindo do pressuposto de que é possível aprender como ter uma vida plena e feliz, pesquisadores se propuseram a avaliar vários manuais (para a felicidade) que se encontram disponíveis no mundo todo. O resultado? O que muitos destes manuais aconselham não é bobagem, como muitos apregoam. Naturalmente foi empregada uma série de critérios para esta avaliação e o resultado detalhado aparece na edição de abril de 2009 da revista Psychologie Heute, como matéria de capa.

Eu nem sempre fui a pessoa feliz (em geral) que hoje sou. E também não vivo em nenhum estado de felicidade constante. Não, eu tive que aprender um caminho, descobrir o meu próprio caminho. Eu também era uma dentre os que costumam atirar tijolos nesses manuais. Por que mudei minha opinião? Simplesmente porque minha vida mudou da água para o vinho desde que comecei a adotar, conscientemente, uma perspectiva positiva na vida.

Já fui chamada de pessimista, estraga-prazeres, classificada como uma “pessoa ruim”. Sim, de fato já estive assim. Porém estou certa de que nunca o fui de fato. Acontece que a vida é cheia de limões que, se não cuidarmos, são bem capazes de nos tornar azedos. Por aqui tem um dito que eu gosto muito: “Se a vida lhe der limão, faça limonada.” É o que eu tenho procurado fazer já há um bom tempo. Sinto que estou no caminho certo. Não, minha vida não foi fácil. E está longe de ser. Já tive que ir ao inferno dar um abraço no diabo - com o consentimento de Deus, claro! - para que eu aprendesse a me conhecer e descobrir que a vida pode ser diferente sim, basta a gente querer.

Vejo que há diferentes escalas de evolução emocional. Enquanto uns ainda nem sequer se deram conta da necessidade de evoluir, outros que já têm tal consciência não sabem ainda como começar, e outros, mais adiantados, ao mesmo tempo que continuam tentando melhorar, também se propõem a pensar em formas de ajudar os que ainda estão “batendo-cabeça”, sem rumo.

Não se trata de se sentir inferior ou superior, melhor ou pior que os outros. Na minha opinião, é muito mais uma questão de DI-FE-REN-TES visões. Concordar ou não com algo é uma decisão individual. Pois é, ajudar os outros também é parte do processo evolutivo. Eu derrubei muros de preconceitos e acabei descobrindo coisas de muita valia do outro lado. Sim, ser feliz é algo que pode ser aprendido, desde que se queira. E por que não seria?

ATENÇÃO! Desligue seu piloto automático e comece a viver no AQUI e no AGORA,  a fazer as coisas com mais ATENÇÃO, como ler minuciosamente um texto antes de comentar, por exemplo. Saia de sua casca e descubra que há muita, muita vida lá fora. Depois volte e compartilhe suas experiências. Afinal de contas, que mal pode haver nisto?




REFERÊNCIAS:

1 – Leia ‘O Mundo é dos Resilientes’, Roberto Darte, Recanto das Letras
http://www.recantodasletras.com.br/artigos/1502953
Leia também, do mesmo autor, As Benesses da Anticivilização
http://www.recantodasletras.com.br/artigos/1606362
2 – Leia ‘O Poder da Influência’ , Helena Frenzel, Recanto das Letras
3 – Leia ‘Vivendo em Flow’, Helena Frenzel, Recanto das Letras
4 – Entrevista com o Prof. Dr. Tobias Esch in Wolff Horbach – 77 Wege zum Glück, GU Verlag, 2008. Páginas15-19.
5 – Leia ‘Sinto e Penso Logo Escrevo’, Helena Frenzel, Recanto das Letras.

NOTAS:
(6) Olhe, não sou bióloga, médica nem psicóloga. Aqui compartilho simplesmente idéias, como as entendi. Qualquer dúvida, consulte um especialista. Aliás, se você for especialista e encontrar alguma informação equivocada neste texto, ficaria muito grata pela gentileza de me avisar. Um abraço fraterno :-)

(7) Escrevi este texto em alguma janela do passado, pelos idos de 2009.
Helena Frenzel
Enviado por Helena Frenzel em 16/03/2010
Reeditado em 25/03/2010
Código do texto: T2141127
Classificação de conteúdo: seguro

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Helena Frenzel
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