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Encontro especial

Muito se pode falar a respeito de almas gêmeas, ou almas afins, que se deparam inesperadamente, no desenrolar de sua existência. Podemos encontrar  vasta literatura a respeito, ainda que não reconhecida pela ciência ou pelo círculo acadêmico. O fato é que esse é um assunto que intriga o ser humano e o assusta quando acontece, dele mesmo, deparar-se com esta experiência.
Há um clima todo místico que envolve este assunto, e a bem da verdade, torna-se fácil imaginar porque. Se considerarmos o número, quase infinito, de pessoas que transitam por este planeta, não podemos deixar de nos admirar quando duas almas se reconhecem, de tal sorte que, de modo inequívoco, é  marcada para sempre a vida destas pessoas.
Embora seja matéria polêmica, acredito que todos nós, em algum momento, já nos questionamos sobre o assunto ou nos surpreendemos com alguma experiência dessa natureza. A curiosidade aguça nossos sentidos quando nos vemos, de alguma maneira, envolvidos com esta questão.
O que me leva a abordar esse tema, é estar convencida dessa possibilidade,  tão rara, tão única, que quando ocorre não se tem dúvida, tal o impacto que provoca
É preciso, porém, esclarecer bem o que chamamos de almas gêmeas, afins,  para que não se cometa o erro de enveredar por outras instâncias e afastar-se, assim, do foco de nossa atenção no momento.
Essas almas parecem exercer entre elas uma atração quase irresistível, algo que, sem explicação ou justificativa, se estabelece de maneira primorosa, sem que se tenha disso, consciência ou premeditação.
Assim, quando pessoas, nestas condições, se encontram, provavelmente acontece uma “explosão” subliminar no campo magnético que cerca os envolvidos; uma vibração que sintoniza ambos em perfeita harmonia, provocando um bem estar intenso, sentimento confortável  que se espalha por todos os sentidos, dominando por completo o  indivíduo, que percebe que algo especial lhe aconteceu.
Maravilhado, normalmente se empolga, como criança se põe a saborear cada momento, cada possível encontro, cada partilha, reconhecendo uma fonte inexaurível de prazer. Não um prazer comum, mundano, mas algo sutil, um prazer peculiar que não se pode comparar a nenhum outro antes experimentado. Trata-se de um elo antiqüíssimo, que rompeu as barreiras do tempo permitindo aos afortunados um relance do que chamamos, atemporal. Uma dádiva que arrebata suas emoções.
Parece, então, haver uma comunicação impecável, ultrapassando os níveis da verbalização, que tanto compromete o entendimento.  Uma aproximação suave, que se apresenta com a delicadeza própria da alma, que reconhece na outra a mesma sensibilidade.
 A familiaridade é de tal ordem, que mesmo que se vejam afastadas, ou impedidas de estabelecer uma aproximação física, nenhuma dúvida existirá em relação à descoberta que acabaram de fazer.
Pouquíssimas pessoas são premiadas com essa experiência, mas quando as tem não podem mais voltar a ser o que eram antes. Como se o fato de desvendar uma parcela, pequena que seja, do inusitado, ocasionasse mudanças consideráveis na maneira de conduzir os próprios sentimentos.
Não se sabe o bastante para descrever estas almas afins, porém, com razoável certeza podemos afirmar que são partes que se completam no sentimento do amor, em seu estágio mais pleno e verdadeiro
Um fato interessante que se tem conhecimento, é que bem poucas pessoas, dentro desta fatia de privilegiados, ao se reconhecerem, tem a possibilidade de permanecer juntas. Como se aqui, nesta dimensão, não lhes fosse possível andar a mesma estrada.
Por conta disso, surge um sentimento dotado de ambigüidade; a alegria de se reconhecer alguém especial e uma certa nostalgia, provocada pela percepção da impossibilidade de se aproximar.
Disto resulta o receio de um atrapalhar o outro, de se provocar qualquer desconforto ou transtorno. Há um respeito mútuo, um zelo genuíno pela felicidade do outro. Isso tem uma lógica tão bela, quanto belo é o próprio encontro destas almas venturosas. Uma vez que estes encontros, além de inesperados, parecem acontecer  tardiamente na vida dos envolvidos quando, então, já se estabeleceram e escreveram grande parte de suas histórias; a presença de outro personagem causaria uma alteração na vida de muitas pessoas. O próprio entendimento entre estas almas traduz um requinte de emoção encantadora que se pudesse ser tocada provavelmente seria macia como veludo, e acolhedora como um abraço.
Não se pode estranhar, portanto, o cuidado, a preocupação e dedicação que um desenvolve pelo outro. No entanto, não são todas as almas afins que se encontram e não prosseguem juntas a jornada da existência, mas aparentemente são bem poucas.
Deste modo, podemos tentar perceber o significado do encontro destas almas afins. Mesmo compreendendo que estamos lidando com algo não só subjetivo, mas que envolve uma consideração do transcendente.
Há lendas, filmes, peças de teatros e livros que exploram este tema, nas mais variadas formas de entendimento.
Talvez não se chegue nunca a uma explicação única, científica e lógica. O que é incontestável é a ocorrência do fato, e sua raridade. Cabe ao ser humano, dotado de perspicácia e faculdade de aprender, atentar ao que acontece a sua volta; dar atenção a todos que lhe cercam, pois nunca saberá se e quando haverá este encontro, que tornará sua existência diferenciada.
Uma pessoa que tenha tido a felicidade de “esbarrar” com sua alma gêmea,  tem a sensação de que a vida modificou-se, como se por um toque de mágica. Modificação esta, que lhe permite desvendar limites que antes lhe eram velados. E não importa o que lhe aconteça, nada poderá neutralizar esta descoberta.
A  qualidade do amor que vamos aprendendo a externar, talvez seja a variável determinante que abra espaço em nossa atmosfera pessoal, para atrair aquela parte de nós que nos completa de modo absoluto.




Priscila de Loureiro Coelho
Consultora de Desenvolvimento de Pessoas
Priscila de Loureiro Coelho
Enviado por Priscila de Loureiro Coelho em 02/06/2005
Código do texto: T21474
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Sobre a autora
Priscila de Loureiro Coelho
Jacareí - São Paulo - Brasil, 65 anos
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Priscila de Loureiro Coelho