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Preconceito

Não. Este não é mais um texto demagogo ou ainda que prega a igualdade racial. Longe disso. Meu simplório intento não se resume a mais um clichê pertencente aos assuntos sociais da moda. Venho aqui para plantar na mente do leitor, uma pequena semente de dúvida, acerca desta palavra tão comum. Venho aqui como um propósito reflexivo para que possamos compreender de forma mais eloqüente o verdadeiro sentido desta dádiva mágica da compreensão humana.

Não é de hoje que esta palavra passeia pelas linhas, pelas entrelinhas e por entre seus pensamentos. No entanto, a mesma soa suja, pesada, carregada de uma conotação ruim. Onde você guarda seu preconceito? ! O autodesconhecimento clama: “Eu não tenho preconceitos!” Uma simples pergunta para uma simples resposta... Mas não é tão simples.

Analisemos de forma simplista o significado da palavra. Conceito ou opinião formados antes de ter os conhecimentos adequados, diz meu dicionário. Pois bem. É algo o qual se deduz a partir de poucas informações acerca do mesmo. Tudo tranqüilo até então. Analisando puramente o sentido, particularmente não percebo nenhum sentido subjetivo que tenha um teor digamos negativo. Mas o ser humano fez questão de banalizar e dar um sentido até mesmo pejorativo. Que quero dizer com isso? ! Digo que algo intrínseco à mente humana está sendo negado pela mesma e isso tem um forte impacto em nossa consciência. Pode parecer tolo ao início, mas discorrerei acerca do assunto e verás que não são infundadas minhas críticas.

Exemplos atuais, e de fáceis compreensões. Imaginemos que haverá um grande evento no qual todos os presentes se encontrarão de trajes vermelhos. Moro próximo ao local do mesmo. Não vou ao evento, no entanto estou vestido com a cor relacionada ao mesmo. Alguém para e me aborda: Você vai ao evento? ! Agora diga – me caro leitor, percebera algo errado, com o tratamento dele com relação à minha pessoa ou ainda no que ele me falou? Creio que não. No entanto, este exemplo ilustra de forma completa a palavra em questão. Aquele que me parou não me conhece. Nem ao menos sabe se vou ao evento. No entanto, graças a um raciocínio lógico, deduziu que talvez eu poderia ir ao mesmo. Ora, se lá se encontram pessoas que trajam vermelho e eu estou de vermelho, logo eu posso fazer parte do mesmo. O resultado desta questão lógica é o nosso tão famoso e belo preconceito. Sim. É puramente uma questão lógica. Mesmo que haja uma má interpretação de fatos, ou ainda se relacionem fatos não verossímeis, ainda assim será uma questão de lógica do raciocínio humano. E é este o ponto nodal da questão. Quando envolvemos fatos irreais à nossa lógica.

O exemplo mais gritante deste preconceito infundado seria o racial. Temos como provar cientificamente que pessoas de uma mesma raça compartilham as mesmas características biológicas. Daí a não fundamentação do preconceito. Neste caso, o preconceito se baseia em fatos irreais. E não é isto que defendo. Não proclamo a ignorância muito menos a intolerância. Pois preconceito racial nos remete a isso. Mas é no fato de deduzirmos conceitos errados que se encontra o cerne da reflexão.

Por que tiramos conclusões precipitadas a respeito de fatos e acontecimentos? Por que erramos em nossos conceitos! ? Bem, não somos detentores da onisciência. É impossível criarmos sempre preconceitos corretos acerca de algo. Mas então eu lhe faço uma pergunta. A quem se deve maior parcela de erro a um preconceito infundado? Àquele que usa de raciocínio lógico e realiza deduções a partir do que lhe é passado a respeito de algo, ou àquele que não transparece àquele que não o conhece por completo, pressupostos necessários para se formular um conceito real! ? E eu lhe digo que o ser humano através de uma história de imposição, de medo, de negação de instintos e valores naturais em termos de consciência, passou a não demonstrar ao próximo sua verdadeira face! Este foi o grande erro da evolução mental do homem. Passamos a negar a nós próprios. Graças a uma instituição religiosa que se fez presente na evolução humana ao longo do tempo histórico, passamos a interpretar fenômenos naturalmente pertencentes ao instinto humano como errados! Logo, mesmo que agíssemos segundo nossa condição humana, estaríamos cometendo um erro. Qual foi a solução, esconder. O medo de errar gera a contradição baseada no nosso exterior. Se vivo em uma sociedade onde são cobrados certos valores, por que transparecer diferenças com relação aos mesmos? ! Cria – se então a auto – ilusão e a hipocrisia. Onde isto se relaciona com o preconceito? ! Nós simplesmente não nos esforçamos para que o próximo nos reconheça por completo, seja por medo, timidez, enfim... É então que vos falo. O ser humano, através do dom do pensar, detém a capacidade de interpretar o mundo ao seu redor. Como disse anteriormente, ele nunca terá em seu poder todo o conhecimento existente. No entanto, a partir de preconceitos verídicos, chegamos mais facilmente a um conceito correto ao invés de negarmos o mesmo por criarmos expectativas falsas. O ser humano tem o dom de poder se expressar para seu meio. Por que não mostrarmos o que realmente somos? ! Por que não nos auto - afirmamos como indivíduos exaltando nossas diferenças? ! Quando nos igualamos ao próximo passamos a nos tornar regras, enquanto cada um é uma exceção. O compartilhamento de idéias paralelamente ocorrendo com a tolerância para com o próximo é um dos passos para nossa evolução intelectual. Se cada um de nós deixasse de cometer injustiças com o outro tendo como base um preconceito, nossa sociedade seria muito mais pacífica e evoluída. Não se trata meramente de uma questão com cunho social, mas sim de uma questão de relações entre seres humanos! Trata-se da evolução da linguagem como meio de interação social!

Caro leitor. O que desejo com todo este raciocínio acerca do preconceito, é dizer – te: “Ergue tua cabeça e mostra quem és!” Assim você terá ao seu redor, pessoas que realmente a conhecem e que sabem lidar com você nas diferentes situações. Assim você conseguirá se destacar sobre aqueles que desconhecem esta faceta reflexiva embutida nesta simples palavra. Assim você afirma sua condição de indivíduo. Faz bem à mente, faz bem ao nosso meio. Pense nisso!
Kleiner Teufel
Enviado por Kleiner Teufel em 13/08/2006
Código do texto: T215562

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Sobre o autor
Kleiner Teufel
Rio de Janeiro - Rio de Janeiro - Brasil, 27 anos
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